<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961</id><updated>2012-02-04T05:31:47.249-03:00</updated><category term='Relatos'/><category term='Juan Carlos Onetti'/><category term='Homem Comum'/><category term='Poemas'/><category term='Clarice Lispector'/><category term='Resenha'/><category term='Diário de viagem'/><category term='Contismo'/><category term='Vídeos'/><category term='Nocautes históricos'/><category term='Água Viva'/><category term='Philip Roth'/><category term='Colagens'/><category term='Amorfos'/><category term='Diálogos'/><category term='Junta-cadáveres'/><title type='text'>Loveless</title><subtitle type='html'>Grandes são os desertos, e tudo é deserto.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>113</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-8538233328879180014</id><published>2011-09-20T13:13:00.004-03:00</published><updated>2011-09-26T20:26:54.546-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário de viagem'/><title type='text'>diálogos pós-revolução</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-5iO-uveDU-8/Tnd68QNd4SI/AAAAAAAAAic/RKI6Pr3S4DU/s1600/Centro+Habana+-+parte+residencial.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://3.bp.blogspot.com/-5iO-uveDU-8/Tnd68QNd4SI/AAAAAAAAAic/RKI6Pr3S4DU/s400/Centro+Habana+-+parte+residencial.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;br /&gt;Personagens: F.S, Fernanda Senna, e F.F, que sou eu. Os outros são cubanos que prefiro preservar a identidade, pois não pedi autorização para publicar esses diálogos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;Havana&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.F: em viagens assim não se fazem amizades. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.S: é verdade. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.F: claro, há exceções, como em Bogotá, mas é raro. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.S: as relações com turistas são quase sempre comerciais. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.F: exatamente. De toda forma acho que conseguimos algumas coisas. Tínhamos que ser concisos e ir direto ao ponto. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.S: senão logo iam embora. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.F: acho que em alguns casos o melhor estava nas entrelinhas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.S: sim, porque nem sempre podem ser diretos, críticos, é perigoso. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.F: de toda forma achei quase todos muito sinceros.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;&amp;nbsp;----------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;A: vocês não querem almoçar lá em casa? Temos preços melhores que os restaurantes pra turistas, comida caseira. E aqui, pode olhar minha carteirinha, sou credenciado, pago impostos ao governo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.S: pode ser, o que acha?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.F: claro, vamos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;A: de onde são?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.S e F.F: Brasil. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;A: sério? minha namorada está morando lá, em Belo Horizonte. Entrem, enquanto vocês escolhem os pratos vou lhes trazer uns postais que ela me mandou. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.S: uma lagosta pra nós dois, vamos dividir. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;A: certo, vejam aqui, as três igrejas de BH. Podem ler o que ela escreveu atrás.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.F: legal. Eu sou desse Estado, mas não é muito perto. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.S: a comida está muito boa. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.F: e essas pessoas que vivem na casa, são seus parentes?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;A: sim, moro com minha irmã, ela que cozinha, a filha pequena dela, a quem demos o nome do restaurante. Sabe, estou pensando em visitar minha namorada no Brasil, mas pra isso preciso de uma carta convite. Vocês não podiam fazer um documento me convidando para ir ao Brasil e levarem até a embaixada. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.F: não seria mais fácil sua namorada pedir isso a um amigo dela no Brasil?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;A: não, é simples, é só vocês assinarem um papel aqui e tudo se resolve, e posso visitá-la. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.F: cara, me desculpe, mas é que se assinamos um documento desse estamos nos responsabilizado por tudo que você fará no Brasil, e além do fato de não te conhecermos, nem a ela, sequer moro perto dessa cidade, não posso fazer isso, infelizmente. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;A: não, não tem nada disso. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.F: olha, ela é advogada, sabemos o que estamos falando. Queríamos muito ajudar, mas isso é uma responsabilidade burocrática da qual ficamos impossibilitados, sequer participaremos de sua viagem e se acontece algo, complica.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;A: tudo bem. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.F e F.S: mas obrigado, a comida estava ótima. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;A: ok, tchau. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;&amp;nbsp;---------------------------------------------------------- &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;F.F: olha só, o capitólio.&lt;br /&gt;F.S: vou tirar umas fotos. &lt;br /&gt;B: olá, peguem aqui um papel de um show que vai ter hoje a noite. &lt;br /&gt;F.S e F.F: obrigado. &lt;br /&gt;B: de onde vocês são?&lt;br /&gt;F.S e F.F: Brasil. &lt;br /&gt;B: Brasil, eu adoro o Brasil. Olha só, aceite aqui um presente, uma nota de dois pesos (os pesos que a população usa não são os mesmos que os turistas usam, os convertíveis). &lt;br /&gt;F.F: que isso, não precisa. &lt;br /&gt;B: por favor, é um presente, de coração. &lt;br /&gt;F.F: ok então. &lt;br /&gt;B: olha, posso te pedir um favor? É que tem coisas aqui em Cuba que nós não podemos comprar, só os turistas. Vocês podiam me comprar uma caixa de leite?&lt;br /&gt;F.S e F.F: claro.&lt;br /&gt;B: vamos, eu levo vocês. &lt;br /&gt;F.F: onde esse cara está levando a gente? Já andamos um monte. &lt;br /&gt;F.S: não sei, mas isso está estranho, pergunte a ele. &lt;br /&gt;F.F: ou, onde é isso?&lt;br /&gt;B: logo ali, vamos. &lt;br /&gt;F.S: está longe demais, e desde quando alguém não poderia comprar leite? Seria mais fácil ele pedir o dinheiro, já que só se pode comprar com os pesos convertíveis. &lt;br /&gt;F.F: cara, é o seguinte, me desculpe, mas já andamos isso tudo e não chegamos nunca, acho melhor deixar quieto. &lt;br /&gt;B: não, mas está perto. &lt;br /&gt;F.F: você já disse isso antes e até agora nada. &lt;br /&gt;B: bom, vocês estavam tirando fotos do capitólio, né? Então voltemos, lá tem um loja também.&lt;br /&gt;F.F: espera aí, se estávamos do lado do capitólio, e tem uma lá, porque você nos arrastou até aqui?&lt;br /&gt;B: por nada. &lt;br /&gt;F.F: como assim? Olha, toma sua nota de volta, e vamos deixar isso quieto, certo?&lt;br /&gt;B: não, não, é um presente, vamos voltar lá. &lt;br /&gt;F.F: não cara, vou ser sincero, não sei o que está rolando, mas não confio mais em você. Pegue o dinheiro, e se não quiser eu vou embora de qualquer jeito. &lt;br /&gt;B: (engrossando a voz) então me devolva e o papel que te dei também. &lt;br /&gt;F.F: que papel?&lt;br /&gt;B: o papel que te dei, cadê o papel?&lt;br /&gt;F.F: eu sei lá, peguei dezenas de anúncios que todo mundo entrega por aí. &lt;br /&gt;B: o papel é meu, me devolva o papel. &lt;br /&gt;F.F: Pronto, está aqui o seu papel. Tchau.&lt;br /&gt;B: espere, vamos conversar. A gente faz outro acordo então. &lt;br /&gt;F.F: cara, não mais. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;---------------------------------------------------------- &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;F.S: acho que a lente machucou meu olho, vou voltar para o hotel, mas fique a vontade para sair. &lt;br /&gt;F.F: certo, vou sair para tomar umas cervejas, até mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;F.F: opa, dá uma Cristal, por favor.&lt;br /&gt;C: claro, tá aqui. &lt;br /&gt;F.F: obrigado. Me diz uma coisa, aqui se paga couvert pelas bandas? a música está boa, mas estou meio sem grana. &lt;br /&gt;C: não, aqui não tem disso não. Você é de onde?&lt;br /&gt;F.F: Brasil. &lt;br /&gt;C: Legal, e tá fazendo o quê em Havana?&lt;br /&gt;F.F: Cara, eu sempre quis conhecer Cuba. Acho que é um dos países mais discutidos do mundo. Todo mundo tem uma opinião sobre vocês. Metade adora, metade odeia, eu queria vir aqui pra ver como era. &lt;br /&gt;C: E o que está achando?&lt;br /&gt;F.F: me diga você, ainda preciso descobrir. &lt;br /&gt;C: digo sim, vou atender umas mesas e já volto. &lt;br /&gt;F.F: fique à vontade, mas volte. &lt;br /&gt;C: voltei. Como estão as coisas no Brasil? &lt;br /&gt;F.F: vão mal. De uns anos pra cá estão um pouco melhores, mas ainda temos problemas muito básicos pra um país tão rico. Você não quer se sentar? o bar tá meio vazio. Qual seu nome? &lt;br /&gt;C: claro, se me chamarem você me dá licença, mas posso sentar sim. Meu nome é C. É, do Brasil a gente só conhece futebol e música. &lt;br /&gt;F.F: pior que não sei se tem muito além disso mesmo. E por aqui, como é sua vida? &lt;br /&gt;C: ah cara, vou te jogar a real, ao mesmo é boa e não é. Isso aqui é uma grande contradição. &lt;br /&gt;F.F: explique melhor. &lt;br /&gt;C: eu por exemplo, tenho duas filhas. São pequenas. Posso te dizer que não preciso me preocupar com nada. Elas tem saúde e educação até ficarem adultas. &lt;br /&gt;(uma outra garçonete que está passando comenta): e o que mais você precisa, meu filho?&lt;br /&gt;C: de um monte de coisa, quer que eu faça uma lista? haha. &lt;br /&gt;(ela ri e sai)&lt;br /&gt;C: eu não vivo com a mãe de minhas filhas. E isso foi a minha sorte. Há uns oito anos eu morava em um apartamento e o prédio desabou. Nos colocaram em um albergue provisório. Estou lá até hoje. Elas ainda vivem em um apartamento com a mãe. &lt;br /&gt;F.F: uai, mas como é a vida lá?&lt;br /&gt;C: tipo, eu tenho tudo, minha cama, meu guarda-roupas, minhas roupas, mas é meio ruim viver num lugar assim, sabe. De toda forma, é como eu disse, minha maior preocupação são minhas filhas, e o Estado oferece tudo que precisam até ficarem adultas, acho que não posso reclamar. Veja quem está chegando, meu amigo D. &lt;br /&gt;F.F: cara, eu te conheço, você é o irmão do cara que estava me oferecendo charutos ontem, não?&lt;br /&gt;D: eu mesmo, também me lembro de você, como está?&lt;br /&gt;F.F: bem, estávamos falando aqui sobre a vida em Cuba, etc. &lt;br /&gt;D: certo. Fiquem à vontade &lt;br /&gt;F.F: sente-se conosco, precisamos combinar uma coisa, você é taxista, certo? Preciso ir na rodoviária amanhã de manhã, pode ser?&lt;br /&gt;D: claro, o preço é tanto. &lt;br /&gt;F.F: fechado. Mas e aí, e sua vida? &lt;br /&gt;D: amanhã falamos disso. &lt;br /&gt;F.F: claro, como quiser. Mas e você C., continue. E os outros aspectos, a educação aqui é muito boa, os esportes, etc. &lt;br /&gt;C: É verdade. Vocês são muito bons de futebol, mas só nisso e no vôlei, né?&lt;br /&gt;F.F: é, só nisso, nas olimpíadas, diferentemente de vocês, somos um fracasso. Mas por falar nisso, há uma coisa que me intriga muito, porque vocês ganham tantas medalhas de ouro no boxe olímpico e não tem bons boxeadores profissionais?&lt;br /&gt;C: É simples. A gente sempre vê esportistas chegando nos países com medalhas de ouro e desfilando em carros de bombeiros, recebendo homenagens. Aqui é assim, você ganha uma medalha de boxe, por exemplo, chega aqui, te dão um tapinha nas costas e dizem que você cumpriu sua obrigação com a pátria. &lt;br /&gt;F.F: aí é foda, e o cara não tem ajuda pra se tornar profissional. &lt;br /&gt;C: exato, mas até que faz sentido, o governo apóia o boxe olímpico, se você quer se profissionalizar já é algo individual, aí o cara que corra atrás, mas aqui não se tem muito dinheiro, então geralmente a pessoa abandona o esporte. E boxe profissional tem que ser nos Estados Unidos, e lá vão ter que pagar treinadores caros, essas coisas. &lt;br /&gt;F.F: E a economia aqui, está mal mesmo, né?&lt;br /&gt;C: Não há dinheiro. Os salários são extremamente baixos. &lt;br /&gt;F.F: estamos todos bêbados, conte aí quanto você ganha. &lt;br /&gt;C: eu ganho 250 pesos cubanos por mês. &lt;br /&gt;F.F: Isso dá 10 pesos convertíveis, que é o equivalente a 10 dólares, cara. &lt;br /&gt;C: exatamente. A minha sorte é que trabalho aqui nessa zona mais turística e ganho algumas gorjetas. &lt;br /&gt;F.F: o valor da minha conta aqui nessa noite vai ser praticamente o seu salário. &lt;br /&gt;C: sim, mas não sou só eu, a economia aqui é assim, todo mundo ganha nessa faixa. Claro, os preços para os cubanos são muito menores do que os preços para turistas. &lt;br /&gt;F.F: sabe, eu acho isso bom. É que pelo menos é uma política declarada, né? Você sabe que virá aqui e terá que pagar em uma moeda que é equiparada ao dólar, essas são as regras, e vem quem quer. Até porque os produtos pra vocês são subdisiados, e pra turistas não.&lt;br /&gt;C: sim, pra um europeu, por exemplo, é muito barato vir a Cuba, e o dinheiro que ele deixa vale muito aqui. &lt;br /&gt;F.F: o ruim é que você não pode, por exemplo, tomar uma cerveja no lugar onde você trabalha, já que se cobra em convertíveis. &lt;br /&gt;C: só quando alguém me oferece, como você. &lt;br /&gt;F.F: e você, D., fale aí um pouco da sua vida. Dá pra se viver bem de taxista aqui? &lt;br /&gt;D: o meu problema é que tenho que pagar 15 pesos convertíveis por dia, e tem dias que só tiro isso, aí fico no zero, mas há dias em que há um bom lucro, e ocasionalmente posso não ganhar nada e ter que pagar os 15 pesos de qualquer forma. &lt;br /&gt;F.F: mas vejam, confesso que este é meu argumento eterno para defender a economia cubana, já que acho que a educação e a saúde não precisem de defesa: comparando Cuba com os países vizinhos, vocês estão pelo menos iguais a eles. &lt;i&gt;No hay plata&lt;/i&gt; na América Central. &lt;br /&gt;C: concordo com você, e ainda temos as coisas boas, como as que você citou. Sabe qual o problema real de Cuba? O embargo norte-americano. Isso que fode com a vida de todo mundo. &lt;br /&gt;F.F: e eu que pensei que o Obama fosse parar com essa putaria. &lt;br /&gt;C: não param nunca. &lt;br /&gt;F.F: cara, acho que o bar está fechando, né? E eu estou tão bêbado que se tomar uma mais durmo aqui mesmo. &lt;br /&gt;D: vamos nessa, eu vou com você até o hotel. Amanhã então fechado para a rodoviária, né?&lt;br /&gt;F.F: fechado. Aqui está o dinheiro da conta C., abraço, até mais. &lt;br /&gt;C: valeu cara, prazer em conhecê-lo. &lt;br /&gt;F.F: foi todo meu. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;---------------------------------------------------------- &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;F.S e F.F: bom dia D., como vai? Bora pra rodoviária?&lt;br /&gt;D: vamos sim, entrem aí. E aí pra que cidade vocês vão?&lt;br /&gt;F.F: Varadero. Temos que conhecer as praias cubanas, o tão falado mar do Caribe. &lt;br /&gt;D: é bem bonito lá. Mas então, o que você quer saber sobre comunismo?&lt;br /&gt;F.F: por que você não quis conversar ontem a noite?&lt;br /&gt;D: cara, isso é perigoso, de verdade. Aqui você não pode sair por aí falando o que quiser em público. Mas aqui no meu carro eu falo o que eu quiser. &lt;br /&gt;F.F: aliás, muito gente fina o C. Se eu não o ver mais, mande lembranças. &lt;br /&gt;D: ele é sim. Bom, você quer saber como é viver em Cuba, não é? Veio aqui para isso. Eu só posso te dizer uma coisa. Eu amo Cuba. Em 2009 morei seis meses em Londres. Odiei. Aquela cidade é um inferno. Você pede uma informação na rua, a pessoa ouve o seu sotaque e já pensa que você quer assaltá-la. Você ganha dinheiro mas não vive. Aqui em Havana eu conheço todo mundo. Eu posso parar em qualquer esquina e encontro um amigo. As pessoas são simples aqui. Talvez você não tenha percebido porque de fato há muita gente querendo passar a perna em turistas. Mas tirando isso,são pessoas boas. Um cubano sai daqui e se tiver estômago se dá bem em qualquer país do mundo, porque somos muito trabalhadores e esforçados. &lt;br /&gt;F.F: mas continue, cara. O que é bom, o que é ruim em Cuba?&lt;br /&gt;D: é mais ou menos o que o C. te disse, ontem a noite. Temos tudo que o Estado pode oferecer em termos de assistência social, sabe? Por exemplo, como é para conseguir um transplante no Brasil?&lt;br /&gt;F.F: muita gente morre na fila. Muita gente, mesmo. &lt;br /&gt;D: pois é, isso não acontece aqui. Se você precisa de um transplante, você faz e fica bem. Se você quer fazer faculdade, você faz, embora isso não te garanta muita coisa. &lt;br /&gt;F.F: como assim, tem desemprego em Cuba? &lt;br /&gt;D: claro, tem, como em qualquer país do mundo, até na Europa. &lt;br /&gt;F.F: não entendi uma coisa que me disse ontem a noite, você paga 15 pesos convertíveis por dia para operar o taxi, mas paga para quem, para o Estado?&lt;br /&gt;D: não, esse táxi é ilegal. Essa grana eu pago para o dono do carro pra usar como taxi, e sou responsável por ele. &lt;br /&gt;F.F: mas e aí, não dá nada, você nunca foi pego, nunca teve problemas com a polícia?&lt;br /&gt;D: como eu te disse, é muito fácil ter problemas com a lei aqui, mas eu nunca tive. Sei como fazer as coisas. Por exemplo, estou te levando. Se chegamos lá e estiver cheio de polícia você me paga dentro do carro, eu escondo o dinheiro, desço e se me perguntam digo que você é um amigo e te dei carona. É que tem muita gente que fica nervosa, ou recebe o dinheiro na frente dos guardas. Sou esperto, nunca me pegaram nem o farão. &lt;br /&gt;F.F: mas, como você dizia, vocês tem toda a assistência do Estado, certo?&lt;br /&gt;D: sim, temos. Só não temos liberdade. Por isso eu não quis falar muito no bar ontem a noite. E sinceramente, eu acho que liberdade é mais importante do que tudo isso que eu te disse. &lt;br /&gt;F.F: você está certo. É que por outro lado, na maioria dos países, você não tem nem liberdade nem assistência. &lt;br /&gt;D: olha, vou te mostrar uma coisa, é uma banda de hip hop aqui de Cuba, veja se você entende o que eles falam, é meio difícil porque falam muito rápido, mas tente entender. &lt;br /&gt;F.F: cara, entendi pouca coisa, eles estavam num elevador, e pediram a identificação, aí eles subiram, isso é uma metáfora?&lt;br /&gt;D: não, vou te explicar: até poucos anos atrás não aceitavam cubanos nos hotéis. Se você tivesse um amigo cubano e o chamasse para subir até o seu quarto ele seria barrado na recepção. Essa música se passa quando abriram os hotéis para os cubanos. O cara chega no elevador e lhe pedem o passaporte. Ele diz que não tem, e sente vontade de dar um murro na testa do cara. Deixam-no subir, mas ele já está absolutamente molestado pelo constrangimento de ter que ser "aceito" como se fosse uma benevolência, e aí a música continua. &lt;br /&gt;F.F: e essa banda é daqui? Eles não sofrem represálias?&lt;br /&gt;D: só não sofrem porque participam de uma ONG internacional de direitos humanos, algo assim, e aí os deixam em paz.&lt;br /&gt;F.F: e quando o Raul Castro sair do governo, quem você acha que vai sucedê-lo?&lt;br /&gt;D: não faço idéia, ninguém nunca pensou que o Raul fosse governar o país, ele não tem muita representatividade. &lt;br /&gt;F.F: e o que o Fidel tem, afinal?&lt;br /&gt;D: ninguém sabe. &lt;br /&gt;F.F: como assim?&lt;br /&gt;D: assim, ele só disse que estava doente e saiu, e quando dizem que ele já morreu ele aparece e faz um discurso, mas ninguém sabe. &lt;br /&gt;F.F: parece que o Raul está sendo bem mais brando que o Fidel, né? Liberou telecomunicações, coisas assim. &lt;br /&gt;D: é, havia um clamor forte por isso, antes o país estava muito fechado, e ele só conseguiria aprovação assim. Antigamente tinha a União Soviética como parceira, mas depois disso sem ela, nem os USA, estava complicado. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;---------------------------------------------------------- &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Varadero&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(pulemos a parte "de onde são")&lt;br /&gt;E: e esse Neymar, é isso tudo mesmo?&lt;br /&gt;F.F: esse cara é um mistério até pra nós. É meio marrento e metido, mas joga muito e quando fala é bem simples. Creio que tem tudo pra ser um craque e acho que vai acabar indo pro Real Madri. &lt;br /&gt;E: aqui se fala muito que ele vai pro Madri ou pro Barcelona mesmo. O Madri tem mais dinheiro. &lt;br /&gt;F.F: acho que será o Madri. Como o Robinho. &lt;br /&gt;E: se for como o Robinho não vai virar nada, aquele lá é horrível. &lt;br /&gt;F.F: concordo plenamente. Já vocês são uma baita força olímpica. O Brasil nas Olimpíadas é sempre uma negação. &lt;br /&gt;E: sim. Agora temos feito acordos com países para mandarmos nossos técnicos. Há muitos trabalhando na Venezuela, China, etc. &lt;br /&gt;F.F: bom, vocês são uma referência mundial, é natural que isso aconteça. &lt;br /&gt;E: é, mas o povo aqui não gosta. Principalmente quando um técnico cubano ganha uma medalha de ouro em outro país. Dizem que é uma traição, etc. Eu acho um exagero, assim como os médicos. Os médicos cubanos também estão espalhados pelo mundo todo, principalmente na África. E muita gente fala que deveriam estar aqui, cuidando do seu povo. Sabe o que é isso? Costume. Antigamente você tinha médicos de família, um em cada quarteirão, etc. Hoje em dia a pessoa tem que ir no hospital, e aí falam isso, mas aqui não falta saúde pra ninguém, e acho que eles podem ser muito úteis onde falta. &lt;br /&gt;F.F: é verdade, você me parece correto, já que diz que não faltam médicos. No Brasil só exportamos jogadores mesmo. &lt;br /&gt;E: e o que vocês fazem lá?&lt;br /&gt;F.S: eu sou advogada. &lt;br /&gt;F.F: eu trabalho na biblioteca de uma universidade pública. &lt;br /&gt;E: e há universidades privadas no Brasil?&lt;br /&gt;F.F: sim, muitas, aqui não?&lt;br /&gt;E: não. &lt;br /&gt;F.F: que bom. No Brasil não tínhamos muitas também, mas de uns vinte anos pra cá elas estão se proliferando. &lt;br /&gt;E: aqui temos uma universidade pública em cada cidade. &lt;br /&gt;F.F: em cada cidade?&lt;br /&gt;E: sim. Claro, a maioria das cidades menores só tem os cursos básicos, como medicina, pedagogia, mas todas têm. De modo que se você quer estudar algo diferente tem de se deslocar. Eu por exemplo, sou de Trinindad, uma cidade bastante agrícola, e fui fazer faculdade bem na época que estavam chegando máquinas agrícolas lá, e havia pouca gente com conhecimento para manuseá-las ou dar manutenção. Me mandaram para estudar engenharia mecânica em Havana, com tudo pago pelo Estado. Depois vim fazer minha assistência social aqui em Matanzas. &lt;br /&gt;F.F: como assim?&lt;br /&gt;E: o governo paga todos seus estudos e moradia, mas depois você tem que obrigatoriamente trabalhar pra ele por dois anos. Claro que ele também te paga por esse serviço. E me mandaram aqui pra Matanzas. &lt;br /&gt;F.F: me parece justo, não?&lt;br /&gt;E: claro, justíssimo. E como eu disse, não é trabalho voluntário, é como se o governo mapeasse suas necessidades e você devolvesse isso ao Estado. Depois você é livre para fazer o que quiser. Aí vim pelo governo aqui pra Matanzas. Conheci minha mulher, arrumei esse emprego de garçom, tive filhos, e não voltei mais pra Trinindad, já que minha mulher tinha um bom emprego aqui. &lt;br /&gt;F.F: e compensa? Você era engenheiro e virou garçom. &lt;br /&gt;E: é bem melhor. Aqui em Cuba se vive muito melhor trabalhando com turismo do que com qualquer outra coisa, pra mim foi ótimo. E somos livres pra fazer isso. &lt;br /&gt;F.F: e esses hotéis, são todos do Estado? &lt;br /&gt;E: sim, todos do Estado. &lt;br /&gt;F.F: que loucura. &lt;br /&gt;E: certa vez, no México, fui em um restaurante brasileiro. Era ótimo, havia espetos na churrasqueira com carne de vaca. Uma fartura sem fim. &lt;br /&gt;F.F: aqui não tem muita carne de vaca, né? Vemos mais carne de porco, frango e peixe. &lt;br /&gt;E: se você mata uma vaca aqui são 30 anos de prisão. &lt;br /&gt;F.F: por quê?&lt;br /&gt;E: o governo alega que a cada vaca que matamos deixamos uma criança sem leite. &lt;br /&gt;F.F: e é, né?&lt;br /&gt;E: sim. Embora nos hotéis sempre haja carne de vaca. &lt;br /&gt;F.F: e como controlam isso? As vacas são do Estado?&lt;br /&gt;E: não, as vacas são particulares, mas só se pode vender ao Estado. &lt;br /&gt;F.F: Ah. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;---------------------------------------------------------- &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Havana&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;F.F: está sentindo esse cheiro? Parece que a cidade toda cheira assim.&lt;br /&gt;F.S: é, é estranho, como se fosse piche, asfalto queimado. &lt;br /&gt;F.F: a cidade cheira a asfalto queimado e fumo. &lt;br /&gt;F.S: o cheiro do fumo é forte. &lt;br /&gt;F.F: os cigarros deles tem cheiro de charuto, por isso é tão forte. Mas isso aqui é muito bonito. &lt;br /&gt;F.S: sim, essa parte turística. O resto está caindo aos pedaços. Não sei como podem deixar gente morar em prédios em estado tão ruim, é perigoso, parece que vão desmoronar a qualquer hora. &lt;br /&gt;F.F: ontem no bar conheci um cara que morava em um que desmoronou. &lt;br /&gt;F.S: e só vemos restaurações na parte histórica. &lt;br /&gt;F.F: mas mesmo os velhos são charmosos. &lt;br /&gt;F.S: queria ter conhecido essa cidade nos anos trinta ou quarenta, quando tudo ainda era novo. &lt;br /&gt;F.F: devia ser bem bonito, mas ruim, porque era como uma Las Vegas colonial. &lt;br /&gt;F.S: podiam ter mantido em bom estado pras pessoas viverem. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;---------------------------------------------------------- &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;G: que horas são, por favor?&lt;br /&gt;F.S: dez e meia. &lt;br /&gt;G: esse sotaque, de onde vocês são?&lt;br /&gt;F.S: Brasil. &lt;br /&gt;G: Ah, Brasil, que legal. Aqui em Cuba gostamos muito dos ritmos brasileiros. Acho que os ritmos brasileiros e cubanos tem muito a ver. Sabe que está tendo um festival de salsa hoje, ali perto do Parque Central?&lt;br /&gt;F.F: sim, um casal ali atrás nos disse, se der passaremos lá. &lt;br /&gt;G: vocês vão adorar, todo mundo passa o dia todo dançando. &lt;br /&gt;F.F: é que não dançamos, se formos é só pra olhar. &lt;br /&gt;G: como assim não dançam, vocês são brasileiros e não dançam?&lt;br /&gt;F.F e F.S: não. &lt;br /&gt;G: tudo bem. para onde vocês estão indo?&lt;br /&gt;F.F: não sei, saímos da parte histórica e viemos andando até o centro, só estamos olhando mesmo. &lt;br /&gt;G: vamos andando, eu os acompanho. Mas então, o que estão achando de Cuba?&lt;br /&gt;F.F: estou gostando. Me diga uma coisa, na verdade eu vim para o centro atrás de uma camisa de futebol, qualquer coisa, seleção, clube, você sabe onde posso encontrar uma?&lt;br /&gt;G: não, isso é raro por aqui, se você quisesse uma de baseball seria mais fácil. Mas vamos por essa avenida, ali embaixo tem o centro comercial, é lindo. &lt;br /&gt;F.F e F.S: ok. &lt;br /&gt;F.F: e campeonatos de boxe, não está rolando nada atualmente não? Queria ver uma luta. &lt;br /&gt;G: teria que ir no estádio e perguntar, mas tenho quase certeza que essa semana não tem nada lá. &lt;br /&gt;F.F: que pena. &lt;br /&gt;G: e vocês vieram em lua-de-mel?&lt;br /&gt;F.F: não, só pra conhecer mesmo. &lt;br /&gt;G: e filhos, vocês têm? Não, por quê?&lt;br /&gt;F.F: não queremos. e além do mais, acho que criar um filho hoje em dia no Brasil é complicado. Por exemplo, uma coisa que tenho falado muito com o pessoal daqui, no Brasil se você quer um ensino infantil realmente bom, tem que pagar por eles. O ensino público só é bom nos níveis superiores, uma contradição. Você tem filhos, já estão na escola?&lt;br /&gt;G: tenho, mas ela só tem dois anos, ainda não está na escola. Mas pelo menos com educação não me preocupo aqui, sei que é garantido. &lt;br /&gt;F.F: e o que você faz da vida? Não estamos te atrapalhando? Se estiver ocupado e precisar ir, fique à vontade. &lt;br /&gt;G: não, tudo bem. Sou pintor, mas as coisas não estão fáceis ultimamente. Hoje não tenho nada pra fazer. &lt;br /&gt;F.F: e você trabalha pro Estado, particular, por que está ruim?&lt;br /&gt;G: pros dois. Desde a crise de 2008 os trabalhos desse tipo aqui diminuiram. A maioria das pessoas aqui depende do dinheiro dos parentes que mora nos Estados Unidos, e com a crise está vindo menos dinheiro pra cá, a economia esfriou um pouco, as pessoas arrumam menos as casas, logo o trabalho fica mais raro. E os carros cubanos, gostaram?&lt;br /&gt;F.F: cara, são lindos, nunca vi tanta coisa rara junra, só não sei como funcionam até hoje. &lt;br /&gt;G: é simples, trocaram o motor de todos eles por motores de Lada. Esses chevroletes, fords, cadillacs, parados ali, tudo motor russo. &lt;br /&gt;F.F: genial. &lt;br /&gt;G: veja, aqui é o centro comercial, grande, não?&lt;br /&gt;F.F: ah, é um shopping. Pensei que fosse tipo um calçadão, com lojas e tal. Mas vamos entrar, talvez tenha alguma camisa aí dentro. &lt;br /&gt;G: Isso aqui é uma ótima invenção, você entra, está tudo concentrado, na sombra, com ar-condicionado. &lt;br /&gt;F.F: é, no Brasil temos muitos desses. &lt;br /&gt;G: Aqui em Havana também, acho que tem uns três na cidade toda. &lt;br /&gt;F.F: olha ali uma loja de esportes, vou perguntar. Nada. Outra ali, nada. Disseram que talvez em uma no terceiro piso. Nada. &lt;br /&gt;G: acho que consigo uma para você. Conheço uns garotos que sempre jogam bola numa quadra perto daqui. Eles são fanáticos por futebol, algum deles deve ter alguma coisa. &lt;br /&gt;F.F: pode ser, vamos lá. &lt;br /&gt;G: não, vocês esperam, eu vou lá e trago. Fiquem numa praça que tem ali do lado. &lt;br /&gt;F.F: tudo bem. Mas assim, sem querer ser chato, é que eu sou colecionador, então teria que ser uma camisa original, e de preferência do meu tamanho. E que não seja muito cara, se você chegar aqui com algo que custe 100 dólares eu não tenho como pagar. &lt;br /&gt;G: não se preocupe, só trago se for nestas condições. &lt;br /&gt;F.F: e quanto isso vai me custar?&lt;br /&gt;G: 10 pesos pra trazer a camisa, e aí você negocia com o dono. &lt;br /&gt;F.F: ok, mas se você for e não achar a camisa te dou a metade. E aí, você acha que ele vai voltar?&lt;br /&gt;F.S: acho que sim, você ainda não o pagou. &lt;br /&gt;G: aqui está a camisa, e esse é o dono dela. Ninguém tem da seleção, mas ele tem a desse clube. &lt;br /&gt;F.F: como vai, prazer. Que camisa é essa?&lt;br /&gt;H: olá. É de um clube chamado Isla de la Juventud. Não está muito nova, mas se você quiser. &lt;br /&gt;F.F: é muito pequena pra mim, mas é fantástica. Quanto você quer nela?&lt;br /&gt;H: 30 pesos. &lt;br /&gt;F.F: perfeito, fechado, valeu. &lt;br /&gt;H: fale desse clube lá no Brasil. &lt;br /&gt;F.F: ok, obrigado, até mais. Obrigado também G. Seus 10 pesos. &lt;br /&gt;G: olha, agora me prometa que vocês vão ao festival de salsa dançar. &lt;br /&gt;F.F: não, isso não posso prometer porque não vou cumprir, mas obrigado mesmo por ter conseguido a camisa. &lt;br /&gt;G: até mais, foi um prazer. &lt;br /&gt;F.F: até mais. E aí, o que achou? Gostei demais. &lt;br /&gt;F.S: você está maluco. Essa camisa não vale a metade disso, está totalmente velha, desbotada e nem serve em você. &lt;br /&gt;F.F: você acha?&lt;br /&gt;F.S: e por que você não negociou? Era um garoto, se tivesse oferecido 20 pesos ele teria aceitado na hora. &lt;br /&gt;F.F: fiquei tão empolgado que nem pensei nisso. É, acho que foi meio cara mesmo. &lt;br /&gt;F.S: agora já era. &lt;br /&gt;F.F: bom, pelo menos consegui uma camisa aqui. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;---------------------------------------------------------- &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I: entrem, entrem, o que estão buscando? temos roupas, artesanatos, etc. &lt;br /&gt;F.F: deixa eu ver as camisetas. Me diga uma coisa, você não tem nenhuma camisa do Camilo Cienfuegos aí não?&lt;br /&gt;I: que legal, vocês gostam do Camilo? Sabia que nasci no mesmo bairro que ele? É um subúrbio de Havana, chamado Lawton. &lt;br /&gt;F.F: que coincidência. Veja, acabamos de comprar um livro sobre ele. Mas e aí, nenhuma camiseta dele?&lt;br /&gt;I: infelizmente não. &lt;br /&gt;F.F: por que não encontramos nada dele em lugar nenhum, só do Che Guevara?&lt;br /&gt;I: ah, você sabe, o Che é bem mais comercial. &lt;br /&gt;F.F: é. Foda. &lt;br /&gt;I: é.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;---------------------------------------------------------- &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;F.F: o taxi para o aeroporto chegou, vamos?&lt;br /&gt;F.S: sim, vou fechar a mala. &lt;br /&gt;F.F: olá, você não é o D., eu tinha combinado que ele me levaria. &lt;br /&gt;J: sim, foi ele que me mandou, teve um compromisso e me passou sua corrida. Mas o preço é o mesmo que combinaram. &lt;br /&gt;F.F: ok. Sabe pra onde, né? Aeroporto. &lt;br /&gt;J: sim, sim. E aí, gostaram de Cuba?&lt;br /&gt;F.F: gostei muito. E você, é só taxista, ou trabalha em algo mais?&lt;br /&gt;J: só com o taxi. &lt;br /&gt;F.F: e vive bem. &lt;br /&gt;J: sim, até que sim. Trabalhar por aqui é bom, a gente pega muito turista, viagens longas, como para o aeroporto. &lt;br /&gt;F.F: e você sempre foi taxista?&lt;br /&gt;J: na verdade eu sou economista. Me formei aqui e fui fazer mestrado na Espanha. &lt;br /&gt;F.F: caramba, e não quer trabalhar na sua área?&lt;br /&gt;J: não, trabalhar para o governo não compensa, financeiramente. O táxi rende muito mais. &lt;br /&gt;F.F: é, me disseram. &lt;br /&gt;J: e a seleção brasileira, o que está acontecendo? Aquela Copa América foi péssima para o Brasil. &lt;br /&gt;F.F: já faz um tempo que a seleção não joga nada. Bons jogadores, mas quando juntam não dá meio time. &lt;br /&gt;J: e aquele garoto com o cabelo estranho, como ele se chama mesmo?&lt;br /&gt;F.F: Neymar. &lt;br /&gt;J: isso. Quando morei na Espanha virei torcedor do Real Madri. Será que ele vai pra lá?&lt;br /&gt;F.F: acho que sim, depois do mundial. Ou pro Madri ou pro Barça. &lt;br /&gt;J: tomara que para o Madri. Precisamos de alguém melhor na frente, Benzema e Higuain são terríveis. &lt;br /&gt;F.F: e o Barça?&lt;br /&gt;J: aqui todo mundo gosta do Barcelona. Mas eu peguei aquele time do Real Madri que tinha Zidane, Ronaldo, Raul, Figo. Era um timaço, não tinha como não torcer. &lt;br /&gt;F.F: aquele time era bom mesmo. E a seleção de Cuba, como vai? Há pouco tempo atrás se falava que um jogador bem famoso no Brasil poderia vir pra cá ser treinador dela. &lt;br /&gt;J: contratamos agora um argentino, mas não boto fé não. Tinham que investir na criançada, mas aqui não se joga futebol nas escolas, e se o cara começar depois de grande nunca vai pegar o jeito. &lt;br /&gt;F.F: é, o trunfo do Brasil é esse, molecada joga bola antes de aprender a andar. &lt;br /&gt;J: acho uma pena que aqui seja assim, pois fiquei fanático por futebol quando morei na Espanha. Acho que vou torcer para o Brasil na próxima copa. &lt;br /&gt;F.F: eu suspeito que vá ser um fiasco. Copa em casa, tem pressão demais. &lt;br /&gt;J: acho que vocês vão ganhar. Aqui em Cuba se torce muito para o Brasil, as pessoas até pintam umas bandeiras por aí em época de Copa. Você poderia me trazer uma bandeira se voltar pra cá antes da Copa. &lt;br /&gt;F.F: claro, se voltar antes trago sim. &lt;br /&gt;J: conheceram outras cidades, ou só Havana?&lt;br /&gt;F.F: fomos em Varadero. É bem bonito, mas é estranho, só tem turista. Ouvi tanto alemão naquele lugar que às vezes até me esquecia que estava em Cuba. &lt;br /&gt;J: sim, lá é assim. Da próxima vez sugiro que vão até Santa Maria, é mais próxima, tão bonita quanto, e é a praia que o pessoal de Havana frequenta mais. &lt;br /&gt;F.F: anotado. Queria ter conhecido Santiago de Cuba também. &lt;br /&gt;J: não recomendo. Não tem nada lá. Uma igreja bonita e nada mais. Vocês iam morrer de tédio. É melhor visitar Piñar del Rio, lá sim é bem legal. &lt;br /&gt;F.F: pode ser. Gostei muito de Matanzas também. &lt;br /&gt;J: é, bem bonitinha. &lt;br /&gt;F.F: mudando de assunto, e a reforma agrária aqui, como foi e como vai?&lt;br /&gt;J: foi boa. Nossas terras voltaram para o povo. Só que, por outro lado, quem vive no campo só está bem em época de temporada. Tipo, você planta goiaba, essa época dá muito, mas durante uns quatro meses, nada pra colher. &lt;br /&gt;F.F: e o que fazem nessa época? &lt;br /&gt;J: Nada, esperam a época do plantio. Aqui é a terra da fruta e da salada, a gente come isso todo dia. &lt;br /&gt;F.F: e os subúrbios de Cuba, os bairros pobres mesmo, têm? Onde ficam?&lt;br /&gt;J: tem sim, ficam depois do túnel que vocês pegaram quando foram pra Varadero, virando a direita. Se você quiser, quando voltar, me ligue que te levo lá. &lt;br /&gt;F.F: ok, ligo sim. O aeroporto já é ali, né?&lt;br /&gt;J: Sim. &lt;br /&gt;F.F: está aqui, obrigado, foi um prazer. &lt;br /&gt;J: obrigado, se voltar é só ligar, e lembre-se, Brasil na Copa e força Madri. &lt;br /&gt;F.F: por mim deixo quieto a parte do Madri, mas te trago a bandeira. Abraço, até mais. &lt;br /&gt;J: boa viagem, até mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-8538233328879180014?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/8538233328879180014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=8538233328879180014&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8538233328879180014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8538233328879180014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2011/09/dialogos-pos-revolucao.html' title='diálogos pós-revolução'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-5iO-uveDU-8/Tnd68QNd4SI/AAAAAAAAAic/RKI6Pr3S4DU/s72-c/Centro+Habana+-+parte+residencial.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4152428593161913447</id><published>2011-03-01T14:08:00.001-03:00</published><updated>2011-03-02T18:09:57.495-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relatos'/><title type='text'>A bola quadrada</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-htQg4Hw_JpY/TW0ncKz9O3I/AAAAAAAAAgY/aepsYeU7U8s/s1600/560_Painted_Horse_30x40.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="242" src="https://lh3.googleusercontent.com/-htQg4Hw_JpY/TW0ncKz9O3I/AAAAAAAAAgY/aepsYeU7U8s/s320/560_Painted_Horse_30x40.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos seis anos de idade ouvi minha primeira grande promessa e tive minha primeira desilusão. Aprendi nesta ocasião que quem espera nem sempre alcança. Não acredito que &amp;nbsp;tal fato tenha me tornado uma pessoa melhor ou pior, era uma época de descobertas, e não existia um grande sentido metafísico nas coisas, elas apenas aconteciam ou não, e te deixavam tristes ou não. Mesmo hoje, sem ter esquecido, essa história não me surpreende, nem ecoa. É apenas memória, reflexo de um tempo que talvez não tenha mudado tanto. Talvez quem fui seja apenas um tipo de caricatura de quem sou.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo começou com um pedido atendido. Ia sempre à fazenda com meu pai, às vezes todo fim de semana, às vezes duas vezes por mês. Noutras o prazo era maior, e passávamos cerca de um mês sem nos encontrarmos em direção a Campo Florido, o que me chateava muito. Gostava de muitas coisas naquela época, vídeo games, futebol, mas nada me era mais caro do que a relação com o campo: calçar botinas, um chapéu, atravessar estradas de terra e, principalmente, andar a cavalo. Minha relação com os equinos sempre foi fascinante. Admirava aqueles animais enormes, fortes, e ao mesmo tempo obedientes, mansos e servis. Eram como símbolos de bondade em um mundo que já se desenhava claro em minha mente: os mais fortes mandavam, nem sempre gentilmente. Os cavalos eram como um novo paradigma. Preciso confessar que me arrependo muito do modo como os tratei algumas vezes. A sensação de dominar um ser daqueles, te deixam no topo do mundo, é algo difícil de se controlar, ainda mais para um garoto. Eu apelava, exigia um pouco mais do que deveria, fazia-os correr como loucos, subir serras sem se cansar, e as esporas eram a minha autoridade. Prefiro não chamar isso de maldade, apenas deslumbre, e logo parei com isso. Eles também se vingaram de mim, e apesar de nunca ter caído já passei por pelo menos três situações difíceis onde tive quase certeza que iria morrer. Um cavalo disparado é algo que te coloca no seu devido lugar. Sendo um apaixonado por esta vida, sem poder desfrutá-la diariamente, propus a meu pai que me realizasse um pequeno capricho. - Nessa época ele já tinha me dado uma égua. Hoje percebo que era fácil para ele dizer que ela era minha. Eu não exigia papéis assinados, nem contratos, nada. Simplesmente gostava muito de andar em uma égua malhada, muito mansa, e um dia pedi e ele disse que era minha. Provavelmente não era - . Mas imaginando que pudesse ser dono do que queria, e buscando soluções para os longos períodos afastado do campo, pedi a meu pai que me desse um cavalo para ficar na casa da cidade. Morava apenas com minha mãe e tínhamos um grande quintal ocupado por um vira-latas que não se incomodaria com a presença de outro amigo pacato. Assim como me "deu" a égua, ele disse que sim. Que em breve arrumaria um cavalo para levar à cidade.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dos fatores determinantes para dar veracidade à história o principal foi o pedido de sigilo (mães sempre tentam impedir os planos dos garotos). Aquela cumplicidade entre nós dois, talvez o meu primeiro segredo, era fundamental para me fazer sentir parte de algo, de uma grande trama, um plano infalível que talvez demorasse, mas que surpreenderia a todos. No começo agi como qualquer criança chata, sempre que estávamos a sós perguntava insistentemente quando o cavalo viria, até que, muito seriamente, como os homens falam entre si, ele pediu paciência, e disse que as coisas aconteceriam na hora certa. Deixei de perguntar, mas não deixei de imaginar. Fiz tantos planos para minha vida na cidade com um cavalo que não pude esquecê-los. Era como se toda a minha vida dependesse daquilo. Eu o encaixava em todas minhas atividades. Geralmente, ao me deitar, pensava nele até adormecer. Antecipava como executaria cada uma das tarefas que me eram enfadonhas no dia-a-dia de uma nova forma. O cavalo dava uma nova perspectiva a tudo. Imaginava-me acordando pela manhã. A dureza de sair da cama, escovar os dentes e ir buscar pão tomava contornos épicos. Ao invés da caminhada solitária, da falta de dignidade de sair com o cabelo desarrumado e remelas nos olhos, teria que selar o cavalo, montar, abrir o portão montado nele - algo com um alto nível de dificuldade como abrir porteiras sem descer do cavalo - e sair triunfantemente pela rua. O barulho dos cascos contra os paralelepípedos da Rua Planura atraindo atenção e admiração. Ao chegar na padaria e amarrá-lo me olhariam de outra forma: "um boiadeiro", pensariam. Depois voltar, alimentá-lo, e então me preparar para ir à escola. Aqui tínhamos uma grande mudança. Aos seis anos de idade provavelmente eu seria o primeiro dos caras a chegar sozinho, sem os pais. Passaria pelas árvores onde as crianças mais velhas amarravam suas bicicletas com todos me olhando lá debaixo. Pediria à diretora que deixasse meu cavalo pastar no gramado do pátio, e mesmo a idéia de falar com a diretora, até então pavorosa, me era tranquila, "estou falando com um boiadeiro", pensaria ela. A grande expectativa não era ainda em relação a nada disso, e sim quanto às brincadeiras com meus amigos do bairro. Era fácil imaginar a mudança de nível que eu teria com um cavalo. Minha performance seria melhor em tudo, além de poder criar novas situações. Quando brincássemos de "pic-pega" seria imbatível, poderia correr de todos, e se por acaso em um golpe de sorte alguém me pegasse eu chegaria facilmente até eles, num passe de mágica. Quando fossemos subir em árvores estaria já na altura da copa. Quando quiséssemos pular o muro para entrar em um terreno baldio estaria já acima dele, descendo diretamente para o alto do muro. Até maneiras de jogar futebol sobre ele imaginei. Mais fascinante ainda seria brincar de cavaleiro. A possibilidade de transformar em algo real uma mera brincadeira era inquietante. Quantas vezes subíamos em cabos de vassoura velhos emulando cavalos, e em nossas batalhas épicas contra inimigos imaginários parecíamos mais aprendizes de bruxo tentando decolar em uma vassoura mágica. Agora não, eu estaria realmente em um cavalo, como um guerreiro medieval. Seria o capitão da tropa, e melhor que isso só se tivéssemos armas e inimigos de verdade. Era difícil dormir assim, com tanta expectativa, e quando conseguia era o melhor sono que poderia ter.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava prestes a dizer que todo sonho pode se transformar em pesadelo, e mesmo tendo dito acho que é um pouco de exagero. O tempo passava, eu guardando o segredo como um nobre acordo entre cavalheiros, e o cavalo não aparecia. Voltei a incomodá-lo, esperava que entendesse minha insistência, aquilo de fato era muito importante. Acho que meu pai sempre foi um homem esperto, daqueles que se livram de um problema com uma frase, mesmo que ela apenas transfira o problema, e talvez sua aposta fosse no esquecimento. E ele me disse: "vocês estão de mudança, precisamos ver se a casa nova vai ter um bom quintal". Não esqueci e depois que nos mudamos fui dizer a ele que sim, o quintal era suficiente. E foi então que comecei a desconfiar, quando ele descumpriu um de nossos tratos, e disse: "bom, agora você precisa perguntar a sua mãe se ela deixa". Senti-me traído, tivemos parte de nosso acordo quebrado. Guardei durante um ano, ou até mais que isso, aquele segredo. Escapei de perguntas clássicas com um "nada" para agora ter que ir obedientemente até ela pedir para ter um cavalo no quintal? Aquilo era uma falta grave, mas eu queria tanto o cavalo que resolvi engolir seco e perguntar a ela. A resposta foi o esperado: "você está louco, garoto. Aliás, não, o seu pai que está louco. É impossível criar um cavalo aqui". Apesar de tanto tempo passado, de ter mudado de amigos e vizinhança, era como se aquilo não fosse apenas mais uma esperança e sim um fato. E muito pior que perder as esperanças é se despedir de um fato. Ainda tentei argumentar com ele que tínhamos um trato, que ela não influiria em nada, mas sabia de antemão que sem seu consentimento seria impossível. Em minha cabeça chegaríamos de surpresa com o cavalo e ela não teria o que argumentar. Agora ela já tinha vetado e percebo que a culpei por ter caído em uma armadilha que não foi criada por ela. Fui vítima do truque de meu pai de que as pessoas se esquecem de tudo, de que precisavam apenas de uma ilusão para acreditar, e assim viveriam por algum tempo e depois se esqueceriam, e então tudo estaria bem. Bom, não posso afirmar que ele seja assim, talvez só tenha feito isto comigo, diante de um pedido que hoje concordo em classificar como bizarro. Apenas interpretei o fato assim, na época era o que eu tinha. Fiquei por alguns meses com o coração partido, pensando em como teria sido, em como a vida poderia ser um mundo novo com aquele cavalo ao meu lado. Mas tudo bem, de um modo estranho é como se aquele cavalo tivesse mesmo chegado, e fizemos tantas coisas, vivemos tantas aventuras que, mesmo sem existir de fato ele me ensinou que o mundo também gira dentro da nossa cabeça. Lamento apenas não lembrar como era seu nome, e mesmo sem isso afirmo que sempre foi meu cavalo favorito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4152428593161913447?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4152428593161913447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4152428593161913447&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4152428593161913447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4152428593161913447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2011/03/bola-quadrada.html' title='A bola quadrada'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-htQg4Hw_JpY/TW0ncKz9O3I/AAAAAAAAAgY/aepsYeU7U8s/s72-c/560_Painted_Horse_30x40.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-7148855805745193888</id><published>2011-02-01T15:00:00.000-03:00</published><updated>2011-02-01T15:00:49.097-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Água Viva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clarice Lispector'/><title type='text'>Resenha: Água viva</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TUhJR9lTIbI/AAAAAAAAAfk/i9QtzhxZlWM/s1600/aguaviva.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TUhJR9lTIbI/AAAAAAAAAfk/i9QtzhxZlWM/s320/aguaviva.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;Ganhei este livro no fim de 2010, em um amigo secreto. Clarice Lispector era uma das minhas grandes lacunas literárias, que ainda são muitas. Só conhecia alguns contos dela que saíram naquelas coletâneas escolares, e não havia lido nenhum romance. Conhecia um pouco dela pelo livro de cartas com o Fernando Sabino, "cartas perto do coração", e algumas entrevistas. E comecei quase por um anti-romance. Um livro sem linearidade, sem cronologia, sem capítulos. Eu adoro essas estruturas caóticas, desde que não sejam incompreensíveis, que possuam ao menos alguma ordem possível de se construir por trás de tudo, senão vira arte pela arte. Aqui a narrativa é muito espontânea, muito livre. E na verdade todo ele gira em torno disto, já que praticamente não há história, apenas um longo relato, uma carta da protagonista, uma pintora, para um homem que não se define bem quem é.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Sei o que estou fazendo aqui: estou improvisando. Mas que mal tem isto? improviso como no jazz improvisam música, jazz em fúria, improviso diante da platéia" p. 21.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Isto não é história porque não conheço história assim, mas só sei ir dizendo e fazendo: é história de instantes que fogem como os trilhos fugitivos que se vêem da janela dos trens". p. 67&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me parece que ela tenta fazer a narrativa seguir a mesma lógica das reflexões que constrói. Parece óbvio, mas não é. É preciso ajustar o ritmo da escrito ao ritmo dos pensamentos, usando metáforas e histórias mais selvagens ou mais calmas, sincronizando sempre forma e conteúdo. Usando as metáforas não apenas como exemplos ilustrativos, mas em uma sucessão caótica, desordenada, e vai construindo pictoricamente - como uma pintora faria em uma tela - o momento, um estado psicológico quase "primitivo", atrás de sensações perdidas, ou não entendidas.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Estremeço de prazer por entre a novidade de usar palavras que formam intenso matagal. Luto por conquistar mais profundamente a minha liberdade de sensações e pensamentos, sem nenhum sentido utilitário: sou sozinha, eu e minha liberdade. (...) Esta minha capacidade de viver o que é redondo e amplo - cerco-me de plantas carnívoras e animais legendários, tudo banhado pela tosca e esquerda luz de um sexo místico. Vou adiante de modo intuitivo e sem procurar uma idéia: sou orgânica. E não me indago sobre os meus motivos. Mergulho na quase dor de uma intensa alegria - e para me enfeitar nascem entre os meus cabelos folhas e ramagens" p. 22.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, é um romance da espontaneidade, sem ensaio, algo como um desabafo organizado. Outra técnica interessante que ela usa às vezes é que os sentidos vão se ligando, o fim de uma frase traz um conceito que dá início a outra frase, parágrafo, tema, como em um jogo. Por exemplo:&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O excesso de mim chega a doer e quando estou excessiva tenho que dar de mim como o leite que se não fluir rebenta o seio. Livro-me da pressão e volto ao tamanho natural. A elasticidade exata. Elasticidade de uma pantera macia.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma pantera negra enjaulada. Uma vez olhei bem nos olhos de uma pantera e ela me olhou bem nos meus olhos. Trasmutamo-nos. Aquele medo."p. 73. E assim vai.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por não ter uma "história" clara, definida, parece que o livro poderia continuar sendo escrito e lido para sempre, sem ter um fim. Ela mesma deixa isso claro:&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O que te escrevo é um 'isto'. Não vai parar: continua". p. 87&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além de tudo - me foquei basicamente nos aspectos narrativos - as reflexões dela-personagem são ótimas, vale bastante a leitura.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-7148855805745193888?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/7148855805745193888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=7148855805745193888&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/7148855805745193888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/7148855805745193888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2011/02/resenha-agua-viva.html' title='Resenha: Água viva'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TUhJR9lTIbI/AAAAAAAAAfk/i9QtzhxZlWM/s72-c/aguaviva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-2757663505998317774</id><published>2010-12-07T17:17:00.004-03:00</published><updated>2011-05-17T18:53:20.241-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Junta-cadáveres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Juan Carlos Onetti'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resenha'/><title type='text'>Resenha: Junta-Cadáveres</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TQJnr1MN3JI/AAAAAAAAAe8/-LMAbfgMa0M/s1600/730075.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TQJnr1MN3JI/AAAAAAAAAe8/-LMAbfgMa0M/s320/730075.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O uruguaio Juan Carlos Onetti parece estar sendo descoberto apenas agora no Brasil, inclusive por mim, em edições muito bem-feitas pela Planeta. Como destacado no prefácio, ele sempre seguiu uma tendência um pouco diferenciada da maioria dos autores latino-americanos, distanciando-se do realismo fantástico e do regionalismo, o que talvez explique um pouco o fato. Sobre as edições citadas destaco as capas de "Junta-Cadáveres" e "O Estaleiro", e o prefácio de Francisco Dantas, importantíssimo para introduzir e dimensionar a obra do uruguaio. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A estrutura da narrativa de Onetti é muito bem construída e inovadora. Em "O Estaleiro" quem conta a história é uma espécie de "voz coletiva", que narra e julga as atitudes de Larsen e dos outros personagens. Não se escondem intenções e preferências, e essa parcialidade explícita leva a voz narrativa a ser julgadora e julgada, bem como o personagem, em todos os seus atos. Em "Junta-Cadáveres" o narrador é Jorge Malabaia, garoto de dezesseis anos que vive em Santa Maria, cidade fictícia onde são ambientados todos os romances do autor, dividida em uma cruzada moral contra a instalação de um prostíbulo na cidade. O foco porém não é único, as passagens vão de primeira a terceira pessoa de acordo com o capítulo, e algumas vezes a introdução de uma primeira pessoa introspectiva em cada personagem transforma a narrativa em uma grande teia, cobrindo todas as possibilidades de se enxergar aquela sociedade, e as pessoas, por fora e por dentro. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;De toda forma o que mais me atraiu na narrativa de Onetti foi o seu modo peculiar de descrição. É muito comum percebermos e entendermos uma cena apenas pelos gestos de seus personagens, o corpo refletindo pensamentos, sensações, através de movimentos, como na parte a seguir, onde Jorge caminha pela noite depois de se encontrar com Julita, confuso e insatisfeito com poemas que escreveu: &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;"Empurro o portão e pego a estrada; mas não tenho realmente vontade de ir, de repetir hoje a comédia noturna com o velho Lanza. Vou indo com as mãos nos bolsos da capa de chuva, cuidando para que os ombros fiquem soltos, abandonados, tentando fazer com que os braços não participem do esforço da marcha, evitando às vezes com trabalho e alarme os buracos cheios de água, pisoteando-os outras vezes com raiva. O nariz aberto para tentar descobrir a origem (a forma da árvore, o monte de lixo, da cova ou esconderijo sombrio) de cada cheiro de fim de verão que a noite úmida apodrece e adocica; a cabeça erguida naquele ângulo que indica o desespero e a vontade de assimilá-lo, aquele ângulo exagerado, viril e doloroso que determina a queda da boca e das pálpebras. Vou indo - a passos largos pelo caminho que sobe e desce e que parece virar continuamente para a direita, em espiral - porque tenho muita vontade de fazer a outra coisa; subir para comer e inclinar-me, mastigando, consciente do brilho da gordura nos lábios, sobre a estupidez desolada dos quatro versos sem destino, que não deviam ter-se formado, de cuja inútil introdução no mundo sou responsável e que não posso tirar da memória" (p. 75)&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Jorge, o narrador, é um jovem que vive na cidade e observa os acontecimentos: a criação e a luta contra o prostíbulo de Junta-Cadáveres. Enquanto isso vive encontros proibidos com Julita, viúva de seu irmão, que enlouqueceu e parece confundir o irmão morto com o vivo. Por influências familiares acaba sendo levado a participar da queda da casa da orla, como é chamado o lugar onde vivem Junta e as três mulheres. Marcos, irmão de Julita, e o padre Bergner, tio de Marcos, são os maiores inimigos da casa de prostituição, além das estudantes e quase todas as mulheres da cidade. Do outro lado temos Larsen, o Junta-Cadáveres, e o médico Díaz Grey. Larsen é um homem visto por toda a sociedade como de moral questionável, um aventureiro, que sempre sonhou em montar o prostíbulo perfeito, mas conseguiu recrutar apenas três prostitutas de idade avançada. Díaz Grey é um médico velho e decadente, que do alto dos anos passados em uma cidade pequena e sem saída, olha para o passado, para as pessoas que ajudou a nascer, com certo desgosto, amargo pelo que se tornou, e esperançoso no que poderia ter sido, como no trecho a seguir, em que se imagina vivendo outra vida:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;"Em vez do perfume dos jasmins amarelos e pisoteados, daquele que o vento traz do rio, daquele que flutuará sempre, imóvel, na sombra da minha escada, um cheiro composto e respirado no meio da tarde num café, numa cidade populosa que nunca vi. O mais Díaz Grey dos Díaz Grey está sentado numa mesa, sozinho, sem esperar ninguém. Não é um café familiar, não muito luxuoso nem muito pobre, tem janelas que dão para uma avenida larga e mal-lavada. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Díaz Grey fuma, com o corpo em abandono, um pouco suado, fresco e cálido por essa leve umidade das caminhadas nos finais de primavera; apóia o cigarro na borda de uma xícara para soltar a cinza. Alguém varre e esparrama serragem atrás do balcão; deixaram abertos os mictórios e um cheiro de sexo e amoníaco, de caracóis mortos esfrega-se contra o piso, contra o cheiro de serragem molhada. Da janela chega o cheiro de nafta da rua e o de jornais recém-impressos; há também um perfume de mulher, intenso, suave, com uma intenção que não consegue se concretizar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sem dúvida, nada disso tem sentido nem importância; de qualquer modo, vou subindo com cautela a escada em sombras com uma tênue inveja do suposto Díaz Grey, com os olhos fechados e o nariz inquieto, tentando reunir e respirar os diferentes cheiros que formam o cheiro que lhe convém" (p. 127)&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Enfim, um livro para ser lido por diversos motivos, o antagonismo social e moral, as certezas que se tornam perigosas e munição para guerra, o radicalismo de idéias, a vida dissecada de uma sociedade fechada, a variação de personalidades do público para o privado, e principalmente, a meu ver, as descrições e construções narrativas, únicas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-2757663505998317774?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/2757663505998317774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=2757663505998317774&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2757663505998317774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2757663505998317774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2010/12/resenha-junta-cadaveres.html' title='Resenha: Junta-Cadáveres'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TQJnr1MN3JI/AAAAAAAAAe8/-LMAbfgMa0M/s72-c/730075.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-8116837100148836621</id><published>2010-09-22T19:50:00.002-03:00</published><updated>2011-02-01T14:53:50.442-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homem Comum'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Philip Roth'/><title type='text'>Resenha: homem comum</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TJqHX_mbQdI/AAAAAAAAAeA/91xmBMDAAwE/s1600/9788535910872.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TJqHX_mbQdI/AAAAAAAAAeA/91xmBMDAAwE/s320/9788535910872.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em matéria de descobertas literárias o ano de 2010 tem sido esplêndido. Li neste ano alguns dos melhores livros de minha vida, e quatro em especial são de autores que até então eu não havia lido nada: Ernesto Sábato (O Túnel), Cormac McCarthy (Todos os belos cavalos), Juan Carlos Onetti (O Estaleiro), e Philip Roth, com "homem comum", livro sobre o qual escrevi abaixo algumas impressões. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Homem comum" é um livro completamente arrasador. Daqueles que te faz parar quase de página em página e pensar na própria vida. Não que te ensine algo, mas pela forma familiar de construir lembranças. A história começa no enterro do protagonista e termina com sua morte. Philip Roth se debruça sobre o que há de mais triste e inevitável na existência humana. O livro não é nada além disso: morte, pessoas unidas à espera da morte, decadência, espera, arrependimento. Aliás, a única parte viva deste romance, a única em que os personagens criam, vivem intensamente, e não se preocupam com o amanhã, é narrado em forma de memórias, portanto terreno fértil para arrependimentos e crises. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roth constrói de maneira muito fluida e natural sua narrativa, e às vezes nem parece que trata de um tema tão áspero. Ao mesmo tempo em que segue uma prosa simplificada e sintética ele intercala considerações reflexivas fortes, porém, em nenhum momento, pedantes (como "Para quem provou a vida, a morte não parece nem sequer natural"). Consegue reunir as melhores reflexões de uma escrita clássica em uma narrativa contemporânea e passível de ser lida por qualquer um, misturado a uma dose de realismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro traço marcante é a relação com os pais. A variação de momentos mais fortes do livro é entre a velhice terminal do protagonista e a morte de seus pais. É interessante como ele constrói essa mudança de paradigma, primeiro:&amp;nbsp; "o que será deles", e depois, num amargo amadurecimento, "o que será de mim". Uma das coisas que mais me agradou foi justamente a perfeita descrição da decadência do corpo e da carne como justificativa para a decadência psicológica do ser humano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho a impressão de que este romance/novela é exatamente o que penso de arquétipo de um romance moderno (não no sentido de modernismo, mas de contemporaneidade). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um trecho para exemplificar a leve narrativa do pesado tema da obra. Neste momento ele visita o túmulo dos pais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eram apenas ossos, ossos dentro de uma caixa, mas os ossos deles eram dele, e ele aproximou-se dos ossos o máximo que pôde, como se a proximidade pudesse estabelecer um vínculo com eles e atenuar o isolamento causado pela perda do futuro e religá-lo a tudo o que havia ido embora. Durante uma hora e meia, aqueles ossos foram a coisa mais importante no mundo. Eram tudo o que importava, a despeito do ambiente de decadência daquele cemitério abandonado. Na presença daqueles ossos, ele não conseguia se afastar deles, não conseguia não falar com eles, não conseguia fazer outra coisa senão ouvir o que eles diziam. Entre ele e aqueles ossos muita coisa aconteceu, muitos mais do que agora entre ele e os que tinham carne em torno de seus ossos. A carne vai embora, porém os ossos permanecem. Os ossos eram o único consolo que restava para alguém que não acredita na vida após a morte e sabia, sem nenhuma dúvida, que deus era uma ficcão, e que aquela vida era a única que ele teria". (p. 123-124)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um segundo trecho, onde ele pensa sobre como fora o suicídio de uma de suas amigas de velhice, Millicent Kramer. Espero não ser muito longo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando acordou, no meio da noite, acendeu todas as luzes, bebeu um copo d'água, escancarou uma janela e ficou andando de um lado para o outro para recuperar o equilíbrio, porém, por mais que tentasse pensar em outra coisa, só conseguia formular uma única pergunta: como fora seu suicídio? Num impulso, engolindo todas as pílulas antes que mudasse de idéia? E, depois que as engolira, teria gritado que não queria morrer, que só não queria continuar sofrendo aquela dor paralisante (...) teria gritado que só queria que Gerald estivesse ali para ajudá-la e lhe dizer para aguentar firme, para lhe garantir que ela conseguiria suportar e que estavam juntos para enfrentar tudo? (...) Ou teria agido com frieza, convencida, por fim, de que estava fazendo a coisa certa? Teria agido sem pressa, segurando o frasco com as duas mãos, pensativa, antes de esvaziá-lo na palma de uma das mãos e engolir os comprimidos um por um com seu último copo d'água, a última água de sua vida? (...) talvez sorrindo enquanto chorava e relembrava todos os prazeres, tudo o que a entusiasmava e agradara, evocando centenas de momentos comuns que não lhe pareceram importantes quando ela os vivera, mas que agora era como se tivessem existido com a intenção específica de inundar sua vida de uma felicidade cotidiana? Ou teria perdido o interesse nas coisas que estava deixando para trás? Teria ficado sem medo, pensando apenas: finalmente a dor passou, a dor finalmente foi embora, agora é só dormir e ir embora desta coisa extraordinária? (p. 118-119)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-8116837100148836621?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/8116837100148836621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=8116837100148836621&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8116837100148836621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8116837100148836621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2010/09/resenha-homem-comum.html' title='Resenha: homem comum'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TJqHX_mbQdI/AAAAAAAAAeA/91xmBMDAAwE/s72-c/9788535910872.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-2137668693163624220</id><published>2010-09-13T20:24:00.007-03:00</published><updated>2010-09-22T20:12:58.629-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>In dreams</title><content type='html'>&lt;object height="340" width="560"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/yP2OwiCmk88?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/yP2OwiCmk88?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Roy Orbison, "In dreams", em "O veludo Azul".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-2137668693163624220?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/2137668693163624220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=2137668693163624220&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2137668693163624220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2137668693163624220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2010/09/in-dreams.html' title='In dreams'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4183215785859456150</id><published>2010-09-08T11:02:00.005-03:00</published><updated>2010-09-08T17:40:18.766-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relatos'/><title type='text'>Intermitências</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TIeZbrNddkI/AAAAAAAAAdo/DbZBkAS0u0U/s1600/Old-ship-in-port200.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 285px; height: 285px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TIeZbrNddkI/AAAAAAAAAdo/DbZBkAS0u0U/s320/Old-ship-in-port200.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514544969473160770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pessoal, este blog anda, e talvez continue, meio parado por um tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho tentado juntar material para inscrever em concursos e infelizmente a maioria deles só aceita contos inéditos, não podendo mesmo ter sido veiculado de forma independente e não editada nem compilada, como em um blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma regra, a meu ver, estúpida, mas se quero fazer parte do jogo, tenho que segui-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou tentar atualizá-lo de vez em quando com outras coisas: poemas, diários, críticas, enfim, os outros marcadores do blog que não são "contismo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou talvez me enjoe logo dessas regras e qualquer hora publique aqui um monte de coisas novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que não pretendo é deixar este blog morrer, por enquanto. Afinal ele tem sido importante para mim, tanto como canal como quanto parte da obra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4183215785859456150?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4183215785859456150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4183215785859456150&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4183215785859456150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4183215785859456150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2010/09/intermitencias.html' title='Intermitências'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TIeZbrNddkI/AAAAAAAAAdo/DbZBkAS0u0U/s72-c/Old-ship-in-port200.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-7540176760772330805</id><published>2010-07-07T20:15:00.004-03:00</published><updated>2010-07-09T11:33:51.193-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Short Message Service</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TDUKwLB6HII/AAAAAAAAAdA/5C2M0RRfbBQ/s1600/article_BarAlone.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 178px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TDUKwLB6HII/AAAAAAAAAdA/5C2M0RRfbBQ/s320/article_BarAlone.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491307143358979202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando, depois de um dia de trabalho, o rapaz sentou-se na mesa e tomou algumas cervejas, foi tomado por uma estranha nostalgia. A música baixa tocando longe no rádio atrás do balcão; as paredes de madeira que cheiravam a verniz; conversas entrecortadas. Sentiu com certa força ao seu lado uma presença. Ficou pensando de quem seria. Imaginou vozes, cheiros e modos que combinariam com a situação. Não se sabe se por convicção ou falta de opções elegeu uma antiga amiga  que não via nem conversava há muito tempo. Tirou o celular do bolso, procurou seu número e resolveu mandar uma mensagem. Titubeou um pouco sobre o conteúdo. Pediu outra cerveja e quando deu o primeiro gole escreveu lentamente:&lt;br /&gt;- Saudade.&lt;br /&gt;Tomou metade da garrafa imaginando a reação dela ao ler aquela palavra. Então o celular se moveu.&lt;br /&gt;- Quem é você?&lt;br /&gt;E assim começou a troca de mensagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não faz tanto tempo a ponto de me esquecer. Me apagou até da sua lista de contatos?&lt;br /&gt;- Jamais faria isso, a menos que você me desse um bom motivo. Ocorre que nunca o tive em minha lista de contatos. Estou enganada?&lt;br /&gt;- Talvez esteja, talvez não, depende de quem você seja. Sempre há possibilidade de um engano.&lt;br /&gt;- Tenho esse celular e esse número há cerca de um mês, você me conheceu depois disso?&lt;br /&gt;- Acho que não, desta forma ainda não teria saudade. Peço desculpas pelo engano.&lt;br /&gt;- Não precisa se desculpar, a menos que tivesse escrito uma ofensa ou me cobrado alguma dívida que não devo.&lt;br /&gt;- Se fosse o caso teria ligado. Algumas coisas não se fazem sem se olhar nos olhos ou ouvir a voz.&lt;br /&gt;- E matar a saudade não é uma delas?&lt;br /&gt;- Odeio quando uso uma frase feita e alguém me pega no contrapé, como agora.&lt;br /&gt;- E como se sente odiando alguem que nem conhece?&lt;br /&gt;- Não te odeio, só a mim mesmo. De toda forma, preciso te agradecer, a noite estava meio parada antes de você.&lt;br /&gt;- Se eu estou respondendo a minha também estava. Portanto se eu sumir é porque ela melhorou, o que não acredito muito.&lt;br /&gt;- E o que é que você estava fazendo?&lt;br /&gt;- Planejando assaltar um banco, mas isso é muito monótono, a execução é mais animada.&lt;br /&gt;- Espero que quando for presa não confisquem seu celular, pois isso me tornaria alvo de investigações.&lt;br /&gt;- Imagina, ser preso por causa de um engano? Isso sim justificaria odiar uma desconhecida.&lt;br /&gt;- Ao menos seria uma boa história para se contar quando velho.&lt;br /&gt;- Eu acho que iam é te chamar de tolo. Aliás, você já tomou quantas cervejas? Quero me certificar que não estou falando com alguém sem condições de responder por si.&lt;br /&gt;- Acabaram de ligar pra distribuidora pra pedir mais garrafas, sequei todas do bar. Estou tão bêbado que se me pedir com jeitinho passo até o número da minha conta e a senha.&lt;br /&gt;- Não acho que você tenha cara de ter uma que valha a pena.&lt;br /&gt;- E por que não teria?&lt;br /&gt;- Não consigo imaginar um cara podre de rico tomando cerveja sozinho e escrevendo uma mensagem pra alguém dizendo que está com saudade.&lt;br /&gt;- O que um podre de rico faria?&lt;br /&gt;- Não sei, eu não sou, mas imagino que não seja isso.&lt;br /&gt;- Você está certa, não sou rico, mas imagino que se fosse continuaria sendo assim.&lt;br /&gt;- Ao menos você tem um celular com créditos, já é alguma coisa.&lt;br /&gt;- Por falar em dinheiro, o que vai fazer com o do assalto ao banco?&lt;br /&gt;- Tirar umas férias eternas, dormir de dia, aprender a cozinhar.&lt;br /&gt;- Meu deus, você não sabe cozinhar? Estou falando com uma menina de sete anos ou com um homem, preciso apagar essas mensagens antes que alguém as leia.&lt;br /&gt;- Haha, e quem me garante que você também não é um garoto ou uma menina?&lt;br /&gt;- Os homens tem péssimas e chulas respostas pra esse tipo de pergunta, portanto só digo que não sou nada disso.&lt;br /&gt;- Eu aposto que advinho a sua idade. Sozinho no bar, oito da noite de terça-feira: trinta e dois anos e divorciado.&lt;br /&gt;- O raciocínio não foi ruim. Mas ainda não conheci minha futura ex-esposa. Vinte e oito. Seria deselegante tentar acertar a sua?&lt;br /&gt;- Digamos que isso só se torna um problema para as mulheres depois dos trinta.&lt;br /&gt;- Bom, ao menos espero que tenha mais de vinte e cinco então.&lt;br /&gt;- Sim. E qual o problema se tivesse menos?&lt;br /&gt;- Não sei, quando converso com garotas muito mais novas sinto que estou iludindo-as, coagindo-as, sei lá.&lt;br /&gt;- Você anda assistindo muitas séries policiais. Mas ao menos me alivia saber que você não é um tarado.&lt;br /&gt;- Não acha uma enorme coincidência sermos da mesma faixa etária? Digo, tem tanta gente por aí. Eu poderia ter mandado essa mensagem para uma senhora de cinquenta anos esperando notícias do filho, ou um quarentão executivo achando que era o balanço do fechamento da bolsa.&lt;br /&gt;- Nossa, "faixa etária"? Eu não entendo muito de estatística, mas parece que a população jovem é bem grande hoje em dia. Você quer mesmo falar disso?&lt;br /&gt;- É que eu gosto muito dessa coisa de acasos.&lt;br /&gt;- Mas se teorizar demais sobre eles perdem totalmente a graça. O melhor é simplesmente vivê-los naturalmente, e não torná-los o grande acontecimento a ser discutido.&lt;br /&gt;- Engraçado, não nos conhecemos mesmo?&lt;br /&gt;- Eu nem te conheço e já estou tentando ditar o ritmo de nossas conversas. Somos dois chatos?&lt;br /&gt;- De outra forma não estaríamos trocando mensagens com desconhecidos.&lt;br /&gt;- Isso não te deixa meio triste?&lt;br /&gt;- Sabe, a única coisa que me deixa triste é a tristeza dos outros. Quando estou sozinho nunca fico triste pois não tenho nenhuma tristeza para compartilhar.&lt;br /&gt;- Não sei se você é altruísta, ou algum tipo de egoísta compulsivo ao contrário. Mas parece uma boa característica.&lt;br /&gt;- Obrigado. E a você, isso deixa triste?&lt;br /&gt;- Difícil dizer. Preciso concordar com você quando falava do acaso. É um fato novo, e isso é bom.&lt;br /&gt;- Imagina se estivesse sentada e gorda no sofá assistindo ao jornal com seu marido?&lt;br /&gt;- E se eu for gorda, você nem me viu? Homens só pensam nas mulheres como modelos.&lt;br /&gt;- Não vou negar. Mas será exclusividade dos homens? Acho que todo mundo cria essa imagem platônica dos desconhecidos.&lt;br /&gt;- Tá bom, quem me pegou agora foi você. Mas nesse caso a imagem não conta, então se você é gordo, banguelo, vesgo, não importa, certo?&lt;br /&gt;- Nadinha. Assim como não me importa se você é manca, nariguda, tem um quadril que mal passa nas portas, ou cheira mal.&lt;br /&gt;- Cretino. E como é que você me imagina então?&lt;br /&gt;- Ficaria mais fácil se tivesse ouvido sua voz, mas vamos lá: 1,65 m; cabelos castanhos claros longos e lisos; uns 55 quilos; um rosto comprido; ombros estreitos; e que você está de pijama na sua cama e estava lendo um livro.&lt;br /&gt;- Foi uma descrição bem peculiar. Rosto comprido, ombros estreitos? Mas você quase acertou quanto ao pijama, e não estava lendo, apenas deitada olhando o teto.&lt;br /&gt;- Deitada olhando o teto? Você deve estar triste então. Nada melhor que falar sobre suas desventuras com um desconhecido anônimo.&lt;br /&gt;- Eu só acho o mundo todo uma grande merda. Nada muito além disso.&lt;br /&gt;- Que coisa punk. Devia colocar um disco do Ramones e abrir uma cerveja. Mas ei, você também tem que me descrever.&lt;br /&gt;- Ok: 1,80 m; cabelos compridos, tatuagens nos braços, cavanhaque, e uns 80 quilos?&lt;br /&gt;- Cabelos compridos? O que te fez me pensar assim. Nem estamos em Buenos Aires.&lt;br /&gt;- Ué, você me sugeriu ouvir Ramones, deve ser algum tipo de roqueiro.&lt;br /&gt;- Eu estou mais pra careca do que cabeludo, mas não abordemos nossos traumas agora. Vou pedir mais uma cerveja e ir até o banheiro, dê 1 min.&lt;br /&gt;- Poupe-me dos detalhes sórdidos, por favor, e me avise quando voltar. Vou ver se tem cerveja na geladeira também.&lt;br /&gt;- Voltei. Se você também vai beber, isso vai longe. É bom que não se importe em gastar créditos do seu celular.&lt;br /&gt;- Ainda nem fomos apresentados e já está preocupado com minha conta telefônica? Que cerveja pediu?&lt;br /&gt;- Eu só quero seu bem. Antartica.&lt;br /&gt;- Nossa, estou trocando sms com Jesus Cristo. Não sou muito fã de Antartica. Prefiro Skol Beats. Heineken, etc.&lt;br /&gt;- Já vi tudo, baladeira. Só gosta de long neck. Se fosse botequeira teria dito "Original, Serra Malte", etc.&lt;br /&gt;- Também tem Heineken de garrafa. Mas sim, costumo tomar só long neck. Não sou muito de ir em bares, só tem homens grossos que ficam secando a gente.&lt;br /&gt;- Eu não faço isso, mas como frequentador de bares sou obrigado a concordar. Bom, mas se olham pra você, deve ser bonita.&lt;br /&gt;- Aposto que pensou "gostosa" e escreveu "bonita". De toda forma, obrigado pelo pensamento de beleza pelo qual me toma.&lt;br /&gt;- Dei um grande gole na cerveja agora. Acho que estou ficando bêbado.&lt;br /&gt;- Eu não sou muito resistente, já já fico também.&lt;br /&gt;- Aí sim as coisas vâo ficar interessantes.&lt;br /&gt;- Retiro o que disse sobre você não ser um tarado.&lt;br /&gt;- Haha. Se quiser podemos esperar ficarmos bêbados de vez e depois voltamos a nos falar.&lt;br /&gt;- É, ja devemos ter gasto uns dez reais nessa brincadeira.&lt;br /&gt;- Da minha parte não tem problema, recarreguei o celular hoje, acredita?&lt;br /&gt;- Parece que o acaso está mesmo do seu lado.&lt;br /&gt;- Ou do seu.&lt;br /&gt;- Não tenha tanta certeza. Seria um passatempo mais barato se tivesse alugado um filme.&lt;br /&gt;- Já está bêbada?&lt;br /&gt;- Não seja tão apressadinho.&lt;br /&gt;- Fiquei sem assunto agora. Não quer mesmo beber e depois volto a escrever?&lt;br /&gt;- Parece que quem está bebado é você. Se fizermos isso provavelmente não vamos escrever mais e a conversa morre aqui.&lt;br /&gt;- É verdade. Então fale mais sobre por que o mundo é uma merda.&lt;br /&gt;- Você não acha que é? Se não achar o estranho é você, portanto me explique por que não é.&lt;br /&gt;- Eu só acho que o mundo é isso aí. Nem bom, nem ruim.&lt;br /&gt;- Eu acho que é basicamente ruim.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Veja só nossa situação. Isso é uma merda, se fosse bom não estaríamos aqui.&lt;br /&gt;- Até que é divertido.&lt;br /&gt;- Sim, é divertido. Só porque é uma válvula de escape.&lt;br /&gt;- Você está mesmo perturbada ou deprimida?&lt;br /&gt;- Não, acho que não. É o meu estado natural. Talvez eu seja meio crítica demais. Aquela coisa básica: não os entendo, não me entendem. Talvez ainda não tenha resolvido minhas questões de adolescente. Ou talvez o mundo não tenha.&lt;br /&gt;- Acho que não devemos levá-lo tão a sério. No fundo são só pessoas. Cidades são só abstrações, e tudo em volta depende da gente mesmo.&lt;br /&gt;- Gosto do seu jeito de encarar as coisas, embora isso não mude nada.&lt;br /&gt;- Você não quer que eu te ligue?&lt;br /&gt;- Não, se eu ouvisse sua voz provavelmente te acharia um idiota.&lt;br /&gt;- Obrigado. E eu que você tem voz de rabugenta.&lt;br /&gt;- Haha. Eu sou mesmo. Que diferença isso faz, tudo não passou de uma mensagem por engano.&lt;br /&gt;- Não era nem pra ter existido.&lt;br /&gt;- Sim, se eu não tivesse sentido saudade de alguém que mudou o número do celular a esta hora você já teria adormecido olhando para o teto.&lt;br /&gt;- Provavelmente. Ou colocado uma roupa e saído por aí. Mas você está certo, isso está ficando caro, melhor pararmos por aqui.&lt;br /&gt;- A culpa é sua, que não quis que te ligasse.&lt;br /&gt;- Em breve ficaria caro do mesmo jeito. E não seria tão espontâneo.&lt;br /&gt;- Mas e então, como ficamos? Eu ainda nem sei o seu nome.&lt;br /&gt;- Não ficamos. Não precisamos saber do nome. Temos agora um número novo na agenda que um dia pode ser útil, ou não.&lt;br /&gt;- E vai acabar tudo assim?&lt;br /&gt;- Acho que sim. Se consola, foi uma boa conversa.&lt;br /&gt;- Foi mesmo. Adeus estranha, foi um prazer gastar meus crédidos do mês todo com você.&lt;br /&gt;- Igualmente, estranho. Passe bem, boa noite, e um brinde se for continuar bebendo.&lt;br /&gt;- Acho que não, já é hora de ir embora. Até um dia, quem sabe.&lt;br /&gt;- Até.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-7540176760772330805?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/7540176760772330805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=7540176760772330805&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/7540176760772330805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/7540176760772330805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2010/07/short-message-service.html' title='Short Message Service'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TDUKwLB6HII/AAAAAAAAAdA/5C2M0RRfbBQ/s72-c/article_BarAlone.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-2852682319309379072</id><published>2010-05-31T17:47:00.005-03:00</published><updated>2010-06-01T13:39:01.611-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Dias longos, noites curtas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TAQuB8rjuFI/AAAAAAAAAcw/Kz1JOP21QnY/s1600/sjff_01_img0223.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 242px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TAQuB8rjuFI/AAAAAAAAAcw/Kz1JOP21QnY/s320/sjff_01_img0223.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477553657792936018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Senti que se pudesse alcançar tua mão tudo estaria resolvido. Sorrir ao te beijar e receber outro sorriso em troca, depois do beijo. Seus dedos passeando pelos meus braços, cansados de um dia inteiro. Assim dia-a-dia, passo a passo, respirando o ar carregado da metrópole. E que nos dias de ausência tua falta não doesse ainda como eu esperava. Pois o cheiro de seus cabelos, os fios de seus cabelos espalhados nos cantos, tudo estaria inundado de presença e do rosto e da voz em minha mente. Uma lembrança breve de ontem, uma esperança quase corriqueira do amanhã tão certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrir minhas gavetas e me deparar com coisas só suas. Seguir seus rastros pela casa e encontrar o tesouro no fim do arco-íris. Adormecida, sozinha, num sofá-cama meio manco. Te levar para se deitar na cama, mesmo eu sem sono algum. A respiração leve do sono recém inaugurado. Um leve sobressalto de quem sonha sem ainda estar no estágio devido do sono. O que estaria sonhando? O quanto imagino de seus sonhos que você esquecerá pela manhã ao tentar me descrever, ainda com a voz meio rouca e embargada por uma tosse de ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquecer exatamente tudo ao exato momento em que se fecha a porta da rua. Experimentar esta barreira instransponível entre o mundo dos outros e o nosso. Da porta pra dentro há uma desatenção perceptiva do todo que converge para você. Um ritual tribalista de imaginação coletiva que permeia a realidade com mitos embaraçantes e prazerosos. Uma racionalidade às avessar, um be-a-bá sensorial que não se explica fora dos coloridos de uma mente que não poderia nos pertencer normalmente. Habituar-nos ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;déjà vu&lt;/span&gt; constante de uma época que não parece envelhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fujo da imensidão do redemoinho que gira e me consome o dia todo. Que de manhã me parece inevitável, pela tarde inaceitável e pela noite insaciável. Quando prestes a me entregar ao fado de um nocaute diário sinto ao longe tua voz a me chamar. Imagino exatamente a cena da minha redenção. O gosto de nossas comidas, o som de nossas músicas, a imagem de tuas formas. Às vezes demoro ainda para me situar e continuo a agir como se em meio à ventania e à multidão, quiças sozinho, terminantemente fustigado e maltratado abaixo a cabeça e os olhos já em nosso reino. Não demoro a deitar fora tudo de ruim que o mundo me reserva quando seu hálito se aproxima do meu com uma pergunta ou uma resposta sentida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti que se pudesse alcançar tua mão tudo estaria resolvido. E que assim seríamos felizes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-2852682319309379072?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/2852682319309379072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=2852682319309379072&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2852682319309379072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2852682319309379072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2010/05/dias-longos-noites-curtas.html' title='Dias longos, noites curtas'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/TAQuB8rjuFI/AAAAAAAAAcw/Kz1JOP21QnY/s72-c/sjff_01_img0223.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-442279871393555685</id><published>2010-05-10T17:45:00.006-03:00</published><updated>2010-10-18T19:41:29.758-03:00</updated><title type='text'>Obsessão bibliotecária</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S-hwwMUc9fI/AAAAAAAAAcg/0-ot_23Bi0E/s1600/librarian-de-arcimboldo.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469745720684508658" src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S-hwwMUc9fI/AAAAAAAAAcg/0-ot_23Bi0E/s320/librarian-de-arcimboldo.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 226px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Assim foi o depoimento de Cláudia, dado na delegacia após o ocorrido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 3 de março do ano corrente fui até a Biblioteca Central da Universidade em busca de informações. Era o último ano da graduação e fazia um trabalho sobre história. Tratava-se de um tema complexo, relacionado às mudanças do conceito de história em diversas civilizações, e para isso necessitava um gigantesco levantamento bibliográfico. Procurava obras que iam desde o Egito Antigo até a Alemanha Nazista, passando por idade média, e até mesmo a bíblia. Lembro-me que, como sempre fazia, fui primeiramente ao catálogo e comecei a pesquisar. Apesar de já usar a biblioteca há quatro anos, minha busca não foi bem sucedida. Ocorre que a bibliografia não precisava ser necessariamente sobre história. O tal conceito poderia estar diluído em obras de literatura, relatos, diários, ou qualquer tipo de coisa. Para ser sincera me interessava bem menos os próprios livros de histórias, geralmente escritos sob perspectivas atuais de pesquisa que poucas vezes discutiam como a própria civilização encarava sua história. E assim, com quase nada, fui procurar ajuda de algum bibliotecário. Sempre que precisei deles fui atendida por uma senhora muito simpática. Esperava encontrá-la quando entrei na sala, no entanto havia um jovem que imaginei ser estagiário, apesar de estar muito bem vestido para tal. Perguntei pela senhora e ele me disse que ela havia se aposentado e ele era o novo bibliotecário e que me ajudaria no que fosse necessário. Percebi logo de cara a disposição de um funcionário novo e dedicado. Prestava muita atenção no que eu dizia, fazia anotações, procurava papéis que pareciam estar relacionados ao que eu falava, digitava coisas no computador, e assim por diante. Falei durante alguns minutos, sabia que era preciso explicar muito bem para que pudesse ser ajudada. Depois da agitação inicial ele se acalmou. Parou, pareceu meditar por alguns instantes e depois me disse que me ajudaria, mas precisaria de um tempo. Relatou com humildade que ainda não conhecia muito bem o acervo, tampouco o tema. Ele chegou à mesma conclusão que eu, que o tema estaria diluído em outras obras e talvez não aparecesse na lista de assuntos das obras que poderiam me interessar. Pediu o meu e-mail e telefone e disse que se debruçaria nesta pesquisa e entraria em contato assim que tivesse alguma coisa a me indicar. Saí de lá com algumas obras que encontrei e satisfeita com a promessa de ajuda. Tudo isto ocorreu pela manhã. Pela tarde trabalhei e fui resolver coisas pessoais. Neste tempo não pude ficar no computador. À noite, quando cheguei em casa, abri minha caixa de correio eletrônico e havia cinco e-mails do bibliotecário. Fiquei bastante curiosa e fui abrindo um a um. Eram listas, um pouco confusas, separadas por épocas históricas. Ele colocava o título da obra e sob ele uma rápida explanação do resumo e sumário do livro. Fazia considerações pessoais que me pareceram ponderadas, embora um pouco confusas, e muito bem intencionadas. Chamou-me a atenção uma frase do último e-mail, "separei todos esses livros em minha mesa, te espero aqui amanhã para analisarmos". Este tom imperativo me deixou um pouco confusa. Fiquei irritada, pois pareceu que ele havia decidido algo que eu faria no meu dia. Esta irritação me fez demorar três dias para voltar à biblioteca, mesmo necessitada e ansiosa para ver o material. Quando cheguei pensei que ele falaria algo, reclamaria pela demora, mas ao contrário ele pareceu empolgado com minha presença e se debruçou animado sobre a mesa cheia de livros. Sentei cautelosamente do outro lado e prestei atenção no que indicava. Aproveitei apenas quatro livros, explicando os motivos de ter descartado os outros. Senti certa resignação e conformidade, sem deixar de transparecer frustração. Quando saía da sala ele me parou, colocou a mão em meu ombro e disse que se empenharia mais na próxima. Fiquei sem graça, tirei educadamente a sua mão e falei que estava sendo de grande valia a ajuda e agradeci o empenho. O dia correu normalmente e ele não me escreveu naquela noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo parecia normal. Usei os quatro livros indicados, que de fato foram muito úteis, e me programei para entregá-los numa quinta-feira pela manhã. Entrei discretamente na biblioteca, olhando para sua sala. Apesar de tê-lo achado meio estranho precisava muito de novos livros. Ele não estava lá. Perguntei a uma funcionária e ela me disse que ele havia saído e não sabia quando voltava. Pensei em esperá-lo, mas diante de meus compromissos fui embora, pensando em voltar no dia seguinte. Próximo à hora do almoço tive que resolver um problema no trabalho e desliguei o celular. Quando chegou o intervalo do meio-dia religuei o aparelho e me deparei com cinco chamadas não atendidas. Eram de um número desconhecido e não imaginei que fosse da biblioteca. Liguei e uma mulher atendeu. Perguntei se alguém havia me ligado e ela não soube informar. Perguntei pelo bibliotecário e ela disse que ele estava em horário de almoço. Durante a tarde ele me ligou mais algumas vezes, mas não pude atender, e resolvi ir até lá no dia seguinte. Estava em casa à noite, me preparando para jantar, quando meu celular tocou novamente. Era outro número desconhecido e desta vez atendi. Era ele. Desculpou-se por ligar fora do horário de trabalho, mas alegou que tentara falar comigo o dia todo e não conseguiu, por isso imaginou que à noite eu pudesse atender. Soube que eu fora até a biblioteca e quis saber se eu poderia voltar em breve, pois uma nova pesquisa havia sido feita e queria me mostrar alguns livros. Questionei por que ele não me mandou um e-mail, como da outra vez, ele se embaraçou um pouco e disse, com uma voz que me pareceu mentirosa, que a internet da universidade tinha caído o dia todo e de qualquer forma ele temia que eu não lesse e preferiu ligar para se certificar da minha presença. Agradeci secamente e disse que passaria na biblioteca em breve. Fato era que eu não podia perder tempo. O trabalho deveria ser entregue até o fim do semestre e no dia seguinte fui à biblioteca. Quando cheguei ele me pareceu tenso e aflito. Pediu que me sentasse e saiu rapidamente da sala. Voltou aliviado e disse que precisava ir ao banheiro, mas que não queria sair, receoso de que eu chegasse e não o encontrasse. Achei-o ainda mais maluco, mas estava tão interessada nos livros que mal pude pensar a respeito. Desta vez a pesquisa foi muito melhor. Dos quinze livros que ele me selecionou ao menos dez mereciam ser levados. O problema é que o limite era de cinco por usuário, de modo que eu teria que dividir em duas partes. Comentei sobre minha pressa e ele ficou ainda mais atordoado. Disse-me que pensaria numa solução para o caso, agradeci, peguei os cinco livros e fui embora. Estava atrasada para o trabalho e fui direto ao ponto de ônibus da universidade. O ônibus, como sempre, demorou mais de meia hora para passar e o ponto estava muito cheio. Preocupada com o horário olhava insistentemente para o horizonte, em busca da silhueta do ônibus quando a multidão de repente se abriu, como se houvesse uma confusão acontecendo. Afastei-me e olhei assustada para o que acontecia quando do meio das pessoas surgiu o bibliotecário, esbaforido e suado, empurrando as pessoas com as mãos cheias de livros. Disse, quase sem fôlego, que tinha certeza que me encontraria ali. "Encontrei a solução para o seu problema, peguei os outros cinco livros com o meu cadastro de usuário, pode levar". Fiquei sem reação. Todos no ponto de ônibus olhavam para nós dois, encabulados e ainda incomodados com aquele homem que veio abrindo caminho abruptamente e sem educação. Sem graça disse que não tinha como levar aqueles livros todos. Já estava com uma sacola com cinco livros, onde não cabia mais nenhum, e ele trouxera todos na mão, coisa que eu não poderia fazer em um ônibus lotado. Ele pareceu pasmo, odiando a si mesmo por não ter pensado na sacola. Então o ônibus apareceu no horizonte e imaginei que naquele momento me livraria dele. A esta altura já estava mais interessada em sair dali do que em levar os livros. Quando o ônibus parou me despedi rapidamente e entrei. Ele não disse nada. O ônibus estava lotado e quando partiu ele me cutucou. Estava ao meu lado, novamente abrindo caminho em meio às pessoas. Logo alguém sentado se compadeceu da situação e segurou alguns livros, enquanto a pessoa do lado segurou o resto. Ele ligou para a biblioteca e disse que tinha saído para resolver um problema e voltaria em breve. Olhou para mim, com uma expressão de vitória e disse que levaria os livros comigo. Atônita agradeci e fiquei calada a viagem toda. Descemos no meu trabalho, ele fez questão de subir, deixar os livros na minha mesa e só depois foi embora. Antes disso aceitou um café que ofereci por educação, comentou futilidades como o calor que fazia e mais uma vez ressaltou a importância da minha pesquisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos estes fatos me abalaram um pouco. Nunca havia me acontecido nada parecido e mal eu abria um daqueles livros me vinha à mente a imagem daquele homem segurando-os no colo em meio à multidão. Como se naquelas páginas estivesse contida um pouco de vergonha. Não consegui lê-los como deveria, e sentia que minha pesquisa estava cada vez mais inconsistente. A devolução dos livros estava previsto para uma semana depois e no dia anterior ele me ligou novamente. Não atendi e então recebi um e-mail. Dizia que sabia que eu iria à biblioteca na manhã seguinte, que havia separado mais alguns livros. A mensagem tinha um tom triste e entendi o motivo mais adiante. Ele não havia encontrado quase nada sobre um determinado período, mas que se preciso fosse encomendaria junto ao setor de aquisição a compra dos materiais. Pedia minha ajuda para indicar alguns livros. Não entendo muito de bibliotecas, mas imaginei que fosse uma atitude um pouco exagerada. Tenho consciência de que se comprassem aqueles livros seriam exclusivamente para mim, e mesmo eu não sabia o que pedir. Aquela atenção toda me incomodava, ao mesmo tempo em que começava a me sentir em dívida com ele. Sem saber exatamente o que fazer pedi a uma amiga que devolvesse os livros para mim. Planejei demorar mais uns três dias para ir até lá ver os livros que ele havia separado. No mesmo dia ele me ligou e depois de algumas chamadas não atendidas resolvi falar com ele. Estava irritado, perguntava como eu pude ir até a biblioteca sem ir até sua sala. Disse-lhe que não fui até a biblioteca, mas ele replicou logo, dizendo que verificou que os livros haviam sido entregues, e quando expliquei que uma amiga que os devolvesse, ele murchou. Disse numa voz quase infantil que eu fizera aquilo porquê ele não havia encontrado muita coisa, que se esforçaria mais, pesquisaria dia e noite. Protestei, disse que ele estava sendo fantástico e que não tinha necessidade daquilo tudo. Ele retrucou que só estava fazendo seu trabalho e, num momento de impaciência, perguntei se eu era a única usuária da biblioteca. Ele se calou, um silêncio que parecia raivoso. Disse que, naquele momento sim. Que atendia dezenas de chamados pontuais todos os dias, mas nenhum com aquela complexidade, e que justamente para estes casos havia estudado tanto tempo. Sem reação agradeci novamente e desliguei o telefone, prometendo aparecer brevemente. Como eu disse, tudo isso me atrapalhou muito. Tomei certa aversão de minha própria pesquisa, pois tudo me lembrava a situação insólita pela qual passava. Na verdade eu ficava dividida. Não sabia se estava sendo paranóica, enxergando um maníaco onde na verdade só havia um funcionário fazendo tudo que podia para me ajudar. Foi então que ele apareceu no meu trabalho. Por mais de uma semana não voltei à biblioteca. Tentei encontrar coisas na internet, em livros emprestados de amigos, e fui tentando me virar. Numa sexta-feira quando saía do trabalho, sozinha, ele apareceu. Estava sentado no banco de uma praça que fica em frente ao prédio. Não pude vê-lo de longe e me interpelou quando eu passava. "Fiquei pensando se esses livros de arte não ajudariam. Sabe como é, dá pra extrair uma perspectiva histórica dessas pinturas do Caravaggio, o que você acha?". Tomei um susto pensando ser um assalto. Não esperava ser interpelada assim do nada, sem anúncio, e quase dei com a bolsa na cabeça dele. Recompus-me rapidamente e disse que já havia pensado nisso, mas neste caso eu teria que levantar uma bibliografia crítica sobre as obras e não teria tempo para isso, então não adiantaria. Agradeci e fui até o ponto de ônibus enquanto observava, de canto de olho, ele se sentando novamente no banco em que estava, com as mãos apoiadas no joelho pressionando a cabeça, aparentemente desolado. Na noite seguinte ocorreu o fato mais grave. Eu havia acabado de sair do banho e minha mãe me disse que havia uma visita na sala me esperando. Era ele. Perguntei o que estava fazendo ali, e como sabia onde eu morava, ele disse rapidamente que tinha o endereço de todo mundo no cadastro da biblioteca e mudou de assunto, me mostrando cinco livros que havia encontrado sobre a idade média escritos pouco depois da revolução francesa. Destacava o tom revolucionário que tomava conta da Europa naquela época ao mesmo tempo em que me perguntava como inseriria Marx no meu trabalho. Falava aquilo como se fosse normal ter descoberto meu endereço num banco de dados e vindo até minha casa. Tive vontade de expulsá-lo com violência, chamar meus pais e os vizinhos, quem sabe até a polícia, mas não tive coragem. Só queria que ele saísse logo dali, sua presença me assustava e aceitei os livros. Quando disse que seriam úteis ele foi embora rapidamente. Devolvi novamente os livros por uma amiga, sem contar a situação pela qual passava, e demorei mais de um mês a voltar à biblioteca. Passei a pesquisar na biblioteca pública da cidade e mandei um e-mail a ele contando que havia conseguido um material extraordinário que me ocuparia por algum tempo. Era mentira, não havia quase nada que pudesse aproveitar ali. No fim do mês ele voltou a escrever, com mais uma extensa lista que havia feito. Meu trabalho estava uma lástima. Já era quase o fim do semestre e eu mal havia passado do segundo capítulo. Já sabia das dificuldades de uma pesquisa extensa como esta, e não contava com este problema pessoal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltava cerca de um mês para o fim do semestre quando decidi abandonar a pesquisa. Talvez o tivesse feito de qualquer forma, era um tema muito espinhoso, e tudo que ocorreu só piorou a situação. Primeiro falei com a minha orientadora, sem mencionar nada além do fato da dificuldade de levantamento bibliográfico. Comecei a pensar num tema mais simples para o próximo semestre e quase me esqueci do bibliotecário. Até que recebi vários e-mails dele. Perguntava sobre o prazo de apresentação do trabalho, citava mais dez livros que houvera encontrado, e se oferecia até mesmo para ajudar na digitação, caso fosse necessário, já que sabia que o semestre se esgotava. Não respondi, voltei a ficar receosa. Ele então passou a ligar, e numa dessas atendi, dizendo a ele que não poderia falar no momento e iria até a biblioteca no dia seguinte. Naquele ambiente ele não me assustava tanto, afinal era um lugar público e cheio de gente nos olhando. Quando cheguei estava atendendo uma pessoa. Viu-me e não pareceu se incomodar, pedindo que aguardasse um momento. Alguns minutos depois entrei na sala. Ele correu para a mesa cheia de livros, e começou a ler alguns sumários quando lhe falei que estava desistindo da minha pesquisa. Não imaginei que sua reação fosse aquela. Ele largou o livro que caiu no chão. Fixou a parede e sentou-se, como se estivesse prestes a cair. Perguntou-me por que. Expliquei que era uma pesquisa muito extensa, que a bibliografia infelizmente fora insatisfatória, e que de qualquer forma não daria tempo de ler tudo. Ele não disse nada, continuou sentado na cadeira, enquanto eu rapidamente agradecia e saía. Alguns dias depois ele voltou a me ligar, numa média de mais cinco vezes por dia, durante uns três dias, ligações das quais não atendi nenhuma. Mesmo sabendo que poderia voltar a precisar dele no próximo semestre. Foi então que vocês me ligaram ontem me contando de seu suicídio, e que todas as últimas dez ligações de seu celular haviam sido para meu número, motivo pelo qual eu deveria vir até aqui depor no inquérito. De modo que afirmo que isto é tudo que sei sobre o caso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-442279871393555685?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/442279871393555685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=442279871393555685&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/442279871393555685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/442279871393555685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2010/05/obsessao-bibliotecaria.html' title='Obsessão bibliotecária'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S-hwwMUc9fI/AAAAAAAAAcg/0-ot_23Bi0E/s72-c/librarian-de-arcimboldo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-1419856038887330357</id><published>2010-04-05T10:52:00.009-03:00</published><updated>2010-10-18T18:12:14.328-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Um dia ruim</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S7nrJN6_RJI/AAAAAAAAAbw/o8KTHAZ6W4g/s1600/image148.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456650967124493458" src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S7nrJN6_RJI/AAAAAAAAAbw/o8KTHAZ6W4g/s320/image148.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 218px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda me ressoa na mente aquela frase onde afirmam que um dia ruim pode mudar toda a vida de um homem. Tento inutilmente fugir desta fatalidade, e não pensar que talvez em outro dia pudesse ter sido diferente. Aquela noite foi realmente um dia péssimo. Algumas pessoas cruzam nosso caminho e agora penso que o fariam de qualquer foram. Esta frase martela minha mente desde o momento em que conheci este homem, e agora ainda. Quando o que deveria me preocupar é menos sobre interpretá-la, e mais como sair logo daqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há oito meses trabalhando como garçom coleciono apenas desventuras nesta profissão ingrata. Aliás, sequer sei se posso chamá-la de profissão, ofício, ou o que o valha. No máximo uma ocupação provisória. Um escravo pago, e nada mais. Sei que alguns podem me tomar por exagerado, mas, para alguém orgulhoso como eu, servir aos outros é a maior das humilhações possíveis. Odiei o que fazia desde o primeiro instante. Levava bandejas para lá e para cá com enorme desejo de jogá-la sobre a cabeça de todos. Odiava e sequer podia distrair-me nesses devaneios revoltos, porém não imaginava que fosse me levar a isto. Durante esses oito meses colecionei todo tipo de problema: gritos, empurrões, sorrisos sarcásticos, invisibilidade, ordens desmedidas, falta de educação, brigas. Nada disso se comparou ao que passou esta noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teoria do dia ruim seria talvez completa com um dia todo, de fato, ruim. Desnecessário seria, ao menos no meu caso, enumerar tudo me passou antes de chegar ao trabalho. O que me aconteceu até então não foram outras senão as que passo diariamente. Cheguei ao trabalho como de costume, aniquilando a todos com meu olhar, a única coisa em mim que não era submissa naquela pocilga. O que não adiantava muito, pois quase ninguém me olhava nos olhos. Eram ordens gritadas que tratava de ouvir. Ao vestir meu surrado uniforme, que parecia impecável, transformava-me numa marionete sem alma. Mal abotoava a camisa era obrigado a correr enlouquecidamente de um lado a outro, atendendo os mais variados caprichos. Uma caipirinha sem gelo, chopp sem espuma, carne sem gordura, batata sem sal. Às vezes tinha vontade até de rir. Uma risada surpresa como a de um colecionador de excentricidades. Mas tamanha era minha distância de qualquer sentimento bom que nunca sorri da porta pra dentro daquele lugar. A noite corria calmamente desastrosa como sempre, até o momento em que ambos adentraram o salão. Ele, um homem de meia idade, mais gordo do que magro, meio careca, com uma camisa vermelha com dois botões abertos, sapatos de bico fino e aquela odiosa cara arrogante. Percebia-se claramente um novo rico deslumbrado, querendo forjar algum tipo de personalidade com o dinheiro que acabara de conhecer. Ela, uma ex-namorada que me abandonou sem mais nem menos. Sentaram-se em uma mesa central, o que me impediria de fugir ao atendimento. Engoli seco e fui para outra mesa. Depois outra, outra. Mesmo onde não me chamavam ia, perguntando se precisavam de algo, fugindo daquele casal desproporcional. Logo me chamou sem nenhuma classe. Outros funcionários gritaram meu nome para que fosse atendê-los, o que me desmascarou perante ela. Peguei dois cardápios e passando de soslaio pela mesa joguei um para cada um. Ele me agarrou pelo braço, com força, e me disse olhando pra ela com um jeito dominador: traga dois chopps, garoto, e não suma mais. Ela me olhou e sorriu. Sei que me reconheceu, já tinha ouvido meu nome e agora viu meu rosto, mas fingiu não me reconhecer. Senti um ódio inédito. Fui até o barman e pedi os dois chopps. Levei até a mesa, deixei rapidamente e saí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na metade da noite, quando os ânimos começaram a se exaltar, o gerente me chamou. Pediu que entrasse rapidamente na cozinha, e na frente de todos os cozinheiros me disse rispidamente que a mesa 18 havia reclamado que eu não os atendia decentemente e que se não mudasse isso imediatamente não terminaria a noite empregado, a menos que houvesse algum problema que eu quisesse colocar. Disse-lhe que não, que os atenderia melhor, e saí sem deixá-lo terminar de falar. O que parecia uma trégua foi, na verdade, a declaração de guerra. A partir daquele momento ele, sentindo-se mais poderoso, e eu, mais possesso, começamos um duelo secreto no qual ele obtinha vantagem por poder destratar-me publicamente. Sempre que eu passava, ao invés de me chamar, como qualquer cliente, me puxava pela camisa. Numa das vezes, irritado, não parei, ele puxou e rasgou um pouco meu uniforme. O sangue me subiu à cabeça, mas depois da bronca eu decidi me comportar de forma educada e gentil. Atendi seu pedido, e fui para a cozinha, procurar outra camisa. Sim, estranhamente neste momento uma calma absurda me dominou, como se o encarasse como um inimigo menor que faz graça em uma batalha, mas que não tem a menor chance na guerra. Porém isso foi só o começo. Ele derrubava cerveja deliberadamente na mesa para que eu tivesse de limpar e, quando a mesa estava quase limpa, dava cusparadas para que tivesse que retornar com o pano. A garota simplesmente ria. Como se estivesse num circo. Em todo o tempo que estivemos juntos nunca a vi tão alegre. A noite prosseguiu e, quanto mais bêbados, nossos olhares se cruzavam de modo mais hostil. Aliás, ele claramente demonstrava hostilidade, como se já soubesse a esta altura que eu conhecia sua companhia intimamente e sentisse um ciúme retroativo. Da minha parte, eu o olhava com certo desdém. Claro, por dentro o odiava como talvez nunca tenha odiado nada nem ninguém, mas eu sabia que precisava ser frio, e a cada vez que ele me encarava eu devolvia um olhar como se ele me devesse algo, com profissionalismo, como que dizendo "e aí, cansou?". Creio que o enlouqueci, mas tenho que confessar, ele me enlouqueceu ainda mais depois disso. Derrubou minha bandeja quando eu passava, e com o gerente por perto tive que pedir desculpas. Pisou no meu pé, me ofendeu quando acusou o chopp de estar quente. Fui perdendo a frieza, embora já houvesse arquitetado boa parte de meu plano. Quando finalmente pediram a conta. Ao me chamar para o acerto, disse de antemão: pode cobrar os 10%, nunca fui tão bem atendido e faço questão de te dar esta esmola. Minha idéia era exatamente o contrário: podia jurar que ele diria que não pagaria a taxa, da qual eu desdenharia ao trazer-lhes o valor. O filho da mãe me deu uma grande rasteira, o que mostrava que por mais que eu me achasse superior, ele era um adversário à altura e estava muito atento ao jogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já passava muito do meu horário, e assim que pediram a conta coloquei uma roupa civil, liguei minha moto e parei a certa distância de seu carro, de modo que pudesse observá-los. Demoraram algum tempo, pois ainda tinham copos cheios. Saíram, entraram no carro e não me viram, oculto que estava pela madrugada. Segui-os a distância, pois é sempre complicado seguir alguém com a cidade vazia. Se me percebessem por certo dariam um jeito de fugir ou iriam até alguma delegacia. Seguiram para a saída da cidade. Já imaginava o destino, e não me surpreendi quando entraram no motel. Mesmo já imaginando isto não pude deixar de socar o tanque da moto, lembrando outros tempos com a mesma parceira. Apesar disso, aquela foi a deixa que necessitava. Calculei que em nenhuma hipótese passariam ali menos de uma hora, tempo mais que suficiente pra ir em casa e voltar. Acelerei fundo na noite. Nem desliguei a moto, corri até meu quarto, levantei meu colchão e peguei a arma que ali dormia desde que comprei. Voltei para as cercanias do motel, e neste percurso todo não demorei mais que meia hora. Tinha certeza que ainda estavam ali, e só torci para que não pernoitassem. Não pernoitaram, e no fim de quase duas horas saíram pela madrugada ainda alta. Parecia ser daquelas noites que nunca acabam, para minha sorte. Continuei seguido e surpreendeu-me como mesmo com o passar do tempo meu ódio não diminuía. Pelo contrário, tomava contornos sádicos. Não sabia bem o que faria, apenas que deveria ser doloroso. Não nasci para suportar um dia como aquele. Sucumbiria a um dia tão ruim, não me restava mais dúvidas, e não podia fazer nada contra mim mesmo. Pegou um caminho familiar e vi a deixar em casa. Senti um pouco o fato, mas na verdade não era dela que eu queria me vingar. Ela não passava da pilha do controle remoto. Continuei seguindo-o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me faltou vontade de interpelá-lo no meio do caminho, mas calculei os riscos de tal empreitada. Fui até sua casa. Vi-o entrar, acender a luz do banheiro, talvez tomar banho, apagar a luz, acender a do quarto, apagá-la, e então o silencio dominou o mundo. A cidade dormia e nada mais aconteceria na ordem natural das coisas. Estava parado com minha moto na esquina. Travei-a, desci, e fui calmamente andando até a porta de sua casa. Tinha planejado tudo anteriormente, mas a esta altura já não fazia a menor idéia de como agir. Ao chegar defronte sua casa tudo se encaminhou de forma a me levar aos fatos. Parei, olhei para a placa de seu carro, sua campainha, sua grade, e então um latido inundou a noite. Um cocker marrom encarava-me e tentava me espantar dali. Testei o portão, estava aberto. O cachorro saiu e ficou a circular-me latindo incessantemente. Tudo estava claro agora. Já tive muitos animais, gatos e cachorros, em minha vida, mas não havia outra alternativa. Minha racionalidade fria voltou, e me dizia: um cachorro não tem consciência. Nada ligado a um cachorro possui consciência ou memória, de fato que a única pessoa a sofrer com a morte dele é o seu próprio dono. O próprio animal não pode ter trajetória interrompida, pois sua única missão no mundo é agradar e fazer companhia ao dono. De modo que em toda a natureza, pensante ou não, o único que sofreria com a morte daquela criatura seria o próprio dono, e ninguém mais, nem o mesmo, já que será uma morte indolor. O cachorro me circundava e dava pulos estranhos, como se já se acostumasse a minha presença e agradecesse sua liberdade. Era o momento certo. Acalmei-o, e quando ficou quieto, desferi um tiro bem no meio de sua testa. Foi um barulho seco, muito de perto, daqueles que se perdem na madrugada. Agora estou aqui, com este corpo canino a meus pés, sabendo que ninguém acordará, mas confuso. Faço esta retrospectiva como que para justificar um fato que normalmente me encheria de remorsos. Me consolo pensando que não haveria outra forma de vingança adequada que não esta. Preciso me conformar logo e sair daqui, antes que alguém apareça. É o que farei agora, torcendo para que ele goste mais do cachorro do que da garota que me roubou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-1419856038887330357?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/1419856038887330357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=1419856038887330357&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1419856038887330357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1419856038887330357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2010/04/um-dia-ruim.html' title='Um dia ruim'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S7nrJN6_RJI/AAAAAAAAAbw/o8KTHAZ6W4g/s72-c/image148.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-2297700346885043397</id><published>2010-02-12T15:07:00.008-03:00</published><updated>2010-05-11T16:50:36.822-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Aversões</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S3WcrwPRQeI/AAAAAAAAAaY/J-J80kT0vVc/s1600-h/around.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 318px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S3WcrwPRQeI/AAAAAAAAAaY/J-J80kT0vVc/s400/around.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5437424400616997346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(inspirado em "quadrilha" de Carlos Drummond de Andrade)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando completou dezoito anos, isento de perspectivas na sertaneja seca que suga o sangue dos habitantes para suas construções rachadas e velhas, armazéns escassos e repartições vazias, Sérgio se mudou para a capital do Estado. Talvez tivesse chegado até Fortaleza casado se antes disso não tivesse rejeitado Maria, moça de sua idade que lhe encantava mas que, já experiente nos assuntos do sexo não lhe podia ser direita. Quando descobriu isso estourou em fúria e deixou-a sozinha naquele sombrio matagal nas cercanias da cidade, perto da ponte onde muita gente jurava ter visto fantasmas. Por muito pouco não a esbofeteou enquanto lhe chamava de coisas das quais a mais educada foi "desavergonhada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jovem e solteiro na capital Sérgio tinha toda a disposição para trabalhar e amar. Para o rapaz o mundo parecia pequeno e pouco temeroso, e não foi díficil apaixonar-se justo pela filha de seus patrões, em uma próspera barraca de legumes que gozava de fama na cidade. Sílvia passava pelo mercado todo dia após as aulas, pedia algo aos pais e olhava intrigada aqueles rapazes fortes e viris, carregando caixas. Um dia, destemido, Sérgio disse que amava Sílvia, mas esta lhe retribuiu com uma risada. Ele esperava no máximo um sorriso e se desapontou. Pensou ser talvez o modo dos ricos de amar. Resolveu tirar esta dúvida numa tarde de verão. Quando ficaram a sós por um momento ele lhe segurou o braço, encostou-a em um saco de batata e disse: "eu te quero, fique comigo". Ela não pode resistir ao impulso da situação, daquelas palavras secas, e o beijou, para logo em seguida voltar ao normal e dizer que estava indo para São Paulo, encontaria homens civilizados, e não perderia tempo com um carregador negrinho como ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar em São Paulo, matriculada na universidade, Sílvia ligou dizendo que estava no melhor lugar do mundo. Comprou cachecóis e luvas, ia de táxi para casa quando ficava até muito tarde na rua, mas sentia que suas amizades eram um pouco estranhas, já que muitos riam quando ela falava. Não sabia se era engraçada ou se a chacoteavam. Por via das dúvidas deixou de lado aquelas meninas e passou a andar atrás de um rapaz moreno-claro e musculoso chamado Diogo, que  passava metade do dia na academia e quando ia à faculdade olhava com certo interesse para ela. Numa sexta à noite, ao terminar sua água de côco na lanchonete, ele a convidou para ir a uma boate próxima de onde estudavam. Ela segurou os pulos de felicidade e disse que sim. Naquela noite dançaram até o sol raiar e terminaram na casa dele. Em sua cabeça Sílvia tinha finalmente encontrado alguém de sua estirpe, mas suas esperanças foram por terra quando resolveu convidá-lo para sair pela segunda vez e ele disse que não podia ser visto sempre com a "menina do Nordeste". Um dia, enquanto ainda o seguia, mesmo com o orgulho ferido, ouvi-o confidenciar a um amigo que as gaúchas eram as mulheres mais lindas do Brasil e estava prestes a ir até lá atrás de uma que conhecera na internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No aeroporto de Porto Alegre Diogo tremia como se houvesse pensado que nenhuma cidade do mundo fosse mais fria que São Paulo. Continuou tremendo a noite toda no hotel sem aquecedor e mais ainda quando encontrou Luana em uma estação de metrô. Passaram o dia em museus e à noite foram a um concerto, locais onde ele não sabia bem como se comportar, mesmo alegando sempre, em todos eles, que São Paulo os tinha maiores. No outro dia não se viram até a noite, quando ela o levou a um restaurante cheio de talheres que ele não sabia manusear. Para piorar tudo ele colocou caroços de azeitona ao lado do prato, o que fez ela lhe dizer que ele não era de todo mau, mas que este espírito "sujo" dos paulistanos ("olhe o Tietê") e aquela falta de modos não condiziam com o comportamento dela, que além de tudo sonhava com a viagem que logo faria até a Europa, sua terra ancestral, e por isso não podia lhe dar nenhuma esperança de que aquele relacionamento continuasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passar seis meses estudando em Londres era o sonho de Luana. Agora finalmente estava ali, tirando fotos defronte o palácio de Buckingham quando viu aquele moço loiro de sobretudo impecável lhe dirigir um olhar. Pediu que ele tirasse uma foto sua e logo estavam tomando vinho nas cercanias do relógio que nunca atrasa. Ela ainda não entendia bem seu sotaque, mas isso a maravilhava ainda mais. Fazia mímicas e ria enquanto tentava, com um acento meio texano nas palavras, chamar a atenção dele, que prestava menos atenção nas palavras dela e muita em seu corpo cheio de quadris, tão exótico. Esforçando-se sobrenaturalmente ela lhe disse que lhe serviria um "tea of five o'clock", do qual Carl riu, mas foi. Um fim de semana sem sair do quarto ensinaram a ela boa parte do vocabulário britânico, e cada vez mais se apaixonava por aquele rosto cheio de sardas e o cabelo franjado tão fino e liso que pareciam mais leves que o ar. Foi então que propôs um jantar para conhecer os pais dele, que, num inglês novamente indecifrável ,saiu esbravejando. Disso ela só conseguiu entender palavras soltas como "brazilian woman", "citizenship", "never". Ele saiu, e antes que ela pudesse ligar as palavras a seu significado, viu-o abrir novamente a porta, dizer entre outras "france", "wine", "civilization", e bater definitivamente a porta na cara de seus sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o congresso anual de estudantes de literatura em Paris, Carl leu todos as traduções francesas que pôde. Dava em cima de todas as garotas nos corredores da universidade com o mesmo plano: "mademoiselle!" e depois em inglês discorria sobre Balzac, Flaubert e Rosseau. Quando falava de Baudelaire seu ar se tornava mais grave e concentrava-se como se fosse um "flaneur" a despejar a sabedoria das ruas sobre o mundo, sem perder seu nobre ar inglês. Porém, quando viu Yvonne, não olhou para nenhuma outra. Não obtendo a atenção da amada, apelou para seu conhecimento em vinhos. "Cabernet savignon", "Malbec, "oui, oui", até que certa noite, quase no fim do congresso ela aceitou um dos nobres vinhos que ele oferecera. Esvaziou-o como se bebesse algo sem nenhum valor e disse, num inglês cheio de sotaque e embriagado, que não se interessava por "frescos" como ele. Disse que era filha de estudantes do maio de 68 , que tinha a revolução nas veias: era uma anarquista e não perderia tempo com um tradicionalista. Queria saber da vida não só através dos livros e da família real. Iria para os trópicos descobrir a verdade e o calor do mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um bar na orla de Fortaleza Yvonne decidiu e as amigas decidiram ir até o sertão conhecer aquela realidade de que tanto ouviram falar. Partiram com o guia numa terça-feira de manhã e assim que chegaram passaram a tirar fotos e falar com os locais. Chocavam-se com o que viam, emocionavam-se com algumas histórias. Mas quando Yvonne viu Maria passar pela rua com um short curto, seu corpo bronzeado e esbelto, cabelos cacheados e amarelados pelo sol, apaixonou-se no mesmo momento. Correu até ela e travaram um diálogo onde ninguém se entendia até a chegada do tradutor. Yvonne dizia que o cheiro daquela mulher era ótimo, que seu corpo era lindo, seu cabelo deslumbrante e seu rosto uma escultura, estava emocionada de conhecê-la e queria que fosse com elas para Fortaleza, quem sabe até Paris, ou então ela mesma ficaria ali. O guia, desnorteado, disse à moça simples que a francesa "gostou de você". No que Maria, com cara de poucos amigos, olhou pra moça branca como leite e disse: "Deus me livre".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-2297700346885043397?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/2297700346885043397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=2297700346885043397&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2297700346885043397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2297700346885043397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2010/02/aversoes.html' title='Aversões'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S3WcrwPRQeI/AAAAAAAAAaY/J-J80kT0vVc/s72-c/around.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-8828370146213114835</id><published>2010-01-25T15:50:00.011-03:00</published><updated>2010-10-18T17:58:10.726-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Cinema perdido</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S18WNbM_8-I/AAAAAAAAAaQ/wA0XnLUh-Ts/s1600-h/Cinema+Olympia.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431084095528498146" src="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S18WNbM_8-I/AAAAAAAAAaQ/wA0XnLUh-Ts/s400/Cinema+Olympia.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 294px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Tudo começou no verão de 1986. O mais estranho de tudo é lembrar cada detalhe da sessão e ter esquecido qual filme assistimos naquela noite. Talvez porque em minha cabeça se desenvolvia um enredo à parte. Muito mais incerto, lacunar, e desproporcional à realidade do que aquele que paguei pra ver. A estréia do primeiro cinema na cidade foi um evento tipicamente brega como tudo que lá acontecia. Muito mais gente de fora do que dentro, como se esperassem que os atores do filme desfilassem pela porta como no tapete vermelho. Ou talvez o preço da entrada fosse maior que a curiosidade geral. Nada daquilo me importava minimamente, senão a possibilidade de finalmente poder desenvolver a vida cultural que tanto necessitava. Projetava futuras sessões com os filmes que poderiam aportariam por ali, e sentia antecipadamente que uma nova paixão afloraria em meu coração, o cinema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual não é minha surpresa ao constatar hoje que, de todas as sessões que frequentei, do cinema tenha ficado tão pouco. Não posso me arrepender, porém, de todos os filmes que perdi. Houve uma causa que, se nunca resolvi, ainda hoje me intriga. Tudo começou naquele verão, naquela estréia. Ao entrar na enorme sala, a primeira surpresa: o calor sufocante daquela época ficara de fora, junto à multidão. O forte ar-condicionado contrastava com as camisas regatas e vestidos curtos. Causava-nos um arrepio que jurávamos ser devido à tela enorme e a música esfuziante. Transportaram-nos a uma realidade paralela. Aquela cidade, quente, arcaica, abria seus portais para o resto do mundo, muito mais interessante, com outras cores e outras línguas. Cheguei cedo e o primeiro dilema logo apareceu: onde sentar. Depois de alguma meditação, parado defronte a porta e constantemente empurrado pela afobação dos que chegavam, tomei uma decisão burocrática, por via das dúvidas era melhor ficar no meio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora eu não tivesse uma poltrona em casa, senti que os bancos eram confortáveis como se poltronas de casa. Sentei-me calmamente enquanto executavam trilhas sonoras de filmes famosos e as pessoas continuavam chegando. As luzes ainda estavam acesas, e vez ou outra algum conhecido passava e me cumprimentava. Como quase todos levavam alguém para o cinema, nenhum deles se sentou ao meu lado, preferindo a privacidade ao lado de algum desconhecido. Foi então que as luzes se apagaram. Ainda sobravam lugares vazios. Ao meu lado mesmo eram cerca de quatro, o que mostrava que a sessão dificilmente estaria lotada, apesar da estréia, e de que as pessoas não gostavam de sentar no meio, ou perto de mim. Na verdade, longe de me incomodar, isso me aliviava. Temia que alguma criança chorona, bagunceira, ou coisa do tipo se sentasse ao meu lado e me atrapalhasse o filme. Foi quando ela apareceu. Lembro-me exatamente que para passar o tempo eu mexia no meu chaveiro, olhando pra baixo, quando vi seu tênis, suas pernas vestidas de jeans, e ouvi sua voz me pedindo licença. Apesar da normalidade da situação aquilo se configurou em algo tão inesperado que não levantar o olhar, apenas escorando as pernas no banco e dando passagem. Ela passou por mim e sentou dois bancos depois do meu, com uma amiga. Sabe-se lá se por obra do destino, ou pura coincidência, outras pessoas chegaram pelo outro lado da fileira, e ela e a amiga tiveram que pular um banco cada, para dar espaço ao grupo. Foi então que ficamos lado a lado. Tudo começou de forma muito natural, como se já nos conhecêssemos. A amiga disse alguma piada sobre a expectativa de ter Marlon Brando no filme, e quando ela riu, eu ri junto. Neste momento ela se virou pra mim, numa cumplicidade amistosa e não pude segurar o comentário sobre não saber se Marlon Brando ainda estava vivo. As duas riram e então seu braço encostou-se ao meu. Fiquei novamente arrepiado. Quando o filme começou e, conforme seu desenvolvimento, progredimos. Na primeira parte do filme nossos pés buscaram o auxílio, depois os joelhos, os cotovelos, as mãos. Resumindo, antes do fim nos beijamos. Seus longos cabelos cacheados caíam sobre o meu rosto com cheiro fresco de condicionador, e só me dei conta do fim da sessão quando a amiga, que nada percebeu, puxava a mão dela para irem embora. Não soube seu nome e tampouco vi seu rosto, ao acenderem as luzes ela já estava de costas e eu ainda preso à cadeira, como num sonho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre fui muito distraído, e no domingo seguinte fui ao cinema pensando nela, mas consciente de que essa distração mórbida podia me custar nunca mais vê-la, já que sequer conhecia seu nome e rosto. Por via das dúvidas cheguei cedo e procurei sentar-me na mesma cadeira. Fiquei indeciso por alguns minutos, até me dar conta de que seria impossível encontrar exatamente o mesmo banco. Maltratei-me mentalmente por não ter contado as fileiras ao sair. Escolhi a esmo, uma das que me parecia próxima ao local de nosso encontro secreto. Na segunda sessão havia menos gente do que na primeira e passei os primeiros minutos do filme com bancos vazios ao meu lado. Começava a prestar atenção ao filme quando percebi alguém se sentando a meu lado, me cutucando o ombro e perguntando se me lembrava dela. Antes de começarmos qualquer diálogo possível nos atracamos em um beijo apaixonado como de um casal que por meses ou anos foi separado pela guerra e ardia de saudade. Por mim tudo teria sido às escuras como na semana passada, mas desta vez ela, prevenida e atenta, disse seu nome e marcou novamente um encontro na próxima sessão, na décima fileira de trás para frente, no canto esquerdo. Caso estivesse ocupado, na décima primeira. Eu chegaria antes e guardaria seu lugar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim se passaram algumas das semanas mais lentas de minha vida. Tudo era ansiedade e espera. O único sentido do girar do mundo era domingo, 19 horas. Agora já havia visto seu rosto, que combinava perfeitamente com aquelas poltronas vermelhas, a parede bege que se tornava cinza no escuro. O ar frio, a atmosfera embaçada em seus óculos depois de cada filme. Ao longo das semanas passamos a ouvir histórias sobre os temíveis lanterninhas, criaturas malignas que atormentavam e até mesmo expulsavam os encrenqueiros, barulhentos e apaixonados mais afoitos do cinema. Este foi nosso primeiro obstáculo. Nossos momentos se tornavam não menos intensos, porém cautelosos e cheios de atenção a qualquer barulho. Esta ameaça iminente nos trouxe uma cumplicidade ainda maior, como se fugitivos que só tem um ao outro. Uma paixão que se desenrola contra o mundo opressor. Felizmente eles nunca nos pegaram. Certa vez passaram com as lanternas em nossa fileira, e logo nos desgrudamos e fingimos não nos conhecer. Retiraram da sala um garoto que quase a nosso lado grudava chicletes nas poltronas. Mas quando tudo parecia ótimo e a semana tinha um sentido para existir, ela resolveu marcar um encontro fora dali. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma festa de não sei quem. Talvez até aquela mesma amiga da primeira vez que nos encontramos. Não funcionou. Agíamos como namorados que praticamente éramos, mas o fato é que na festa ela não era a mesma das sessões de cinema. Não consigo explicar de outra forma senão esta. Disse muitas bonitas frases, apertou-me em abraços de pé inéditos, sentou-se pela primeira vez em meu colo. Tudo me era muito caro, porém fora de nossa realidade particular. Não havia mais os óculos embaçados, o escuro, a poltrona. Parece que longe disso tudo ela tomava formas desconhecidas e desproporcionais. Não conseguia me sentir à vontade a seu lado. Sentia seus gestos espalhafatosos e embaraçosos. Não a conhecia. Mas não me dei por vencido, uma pessoa não podia ser tão diferente assim em outro lugar, e continuei com ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por cerca de mais de um ano nossa situação foi exatamente essa: um encontro aos domingos no cinema, que obriguei-nos a manter e onde parecia que fôramos feitos um para o outro; e outros encontros durante a semana, em geral sexta ou sábado, onde eu mal podia suportá-la. Num dia eu desejava não vê-la nunca mais, e noutro mal podia esperar para nos encontrarmos novamente. Tentei ajuda dos amigos, mas de nada adiantou. Todos eles vieram com teorias clichês de que eu só queria um corpo no escuro e nada mais, quando na verdade eu sabia que não se tratava disso. O problema era apenas da porta pra fora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim foi nossa situação. Conforme passava o tempo o cinema se esvaziava. Os lanterninhas mandados embora, e nossos encontros de domingo cada vez mais quentes. Então veio a fatídica notícia. O cinema falira e fecharia suas portas. Anunciaram a última sessão para domingo, e naquela semana fui me despedaçando aos poucos. Mesmo sem nunca ter prestado atenção a um filme sequer, sentia aquela falência como a de meus sentimentos. Arrastei-me como um zumbi durante seis dias, mas no sétimo, quando pela última vez nos encontramos, foi tão intenso e nos amamos como se de fato fosse a última vez. O último acender das últimas encontrou nosso beijo mais longo, e quando saímos da sala me despedi dela sem olhar em seus olhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consegui ser tão imediatista quanto desejei. Arrastei aquela relação por mais dois meses. Então chegou o ponto em que não fazia o menor sentido continuar com aquilo. Decorei um texto em casa, recitado pausadamente e sem nenhuma dignidade, e assim terminamos tudo. Foi uma difícil época de transição, mas tornei-me um novo homem. Ou melhor, voltei a ser o que era antes. Aquela leve sensação de liberdade me fez até bem por um tempo. Saber que não haveria no domingo uma sessão de cinema me causava certa consternação, mas durante uns meses foi como um remédio para a situação indissolúvel que se tornara minha vida. Mal sabia eu que sentiria sempre a dolorida falta daqueles tempos. Às vezes a vejo na rua, mas não sinto saudade senão do cinema. Das poltronas, do ar-condicionado, sua música, as paredes e até dos lanterninhas. Hoje, muitos anos depois, coleciono relacionamentos mal-sucedidos. Todas que conheci, fora dos domínios da imagem e do som, não conseguiram ser de forma alguma mais interessantes do que ela era ao som de Ennio Morriconi. Não, percebo hoje que não amei de forma alguma aquela mulher, mas menos ainda as posteriores. Agora, quase um velho sem perspectivas, amargo pela vida, sinto-me compelido a aceitar o conselho que me deram um dia ao ouvir esta história: mude-se para uma cidade que tenha cinema. Talvez reencontre lá o que perdeu no daqui.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-8828370146213114835?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/8828370146213114835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=8828370146213114835&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8828370146213114835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8828370146213114835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2010/01/cinema-perdido.html' title='Cinema perdido'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S18WNbM_8-I/AAAAAAAAAaQ/wA0XnLUh-Ts/s72-c/Cinema+Olympia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4509622237718215218</id><published>2010-01-18T13:42:00.007-03:00</published><updated>2010-10-18T17:48:33.793-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>Fumódromo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S1SQIjOD3LI/AAAAAAAAAaA/SiTkg0iGqRg/s1600-h/Fumodromo_2.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428121927455857842" src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S1SQIjOD3LI/AAAAAAAAAaA/SiTkg0iGqRg/s400/Fumodromo_2.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 266px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Dia 1&lt;br /&gt;- Como foi que você começou a fumar?&lt;br /&gt;- Foi aqui mesmo. Há uns quinze anos, quando entrei neste lugar. Assim como hoje, não tínhamos folga alguma. Aí eu percebi que os que fumavam podiam sair sempre que quisessem, com a desculpa do vício. Comprei um maço e desde então passo ao menos meia hora do dia aqui fora. &lt;br /&gt;- Me parece justo. &lt;br /&gt;- A mim também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 5&lt;br /&gt;- Eu fico louco com essas garotas. Sempre me respondendo atravessado. Parece que quem fica em frente a um computador nesse lugar se acha dono do mundo. Grande merda. &lt;br /&gt;- Aposto que estava dando em cima delas. &lt;br /&gt;- E daí? É assim que a humanidade se perpetua. &lt;br /&gt;- No computador elas conseguem achar alguém melhor que você. &lt;br /&gt;- Quem disse?&lt;br /&gt;- Meu sobrinho. É da sua idade. Você deveria saber disso. &lt;br /&gt;- Eu não sou muito ligado nessas coisas. Se fosse não estaria aqui. &lt;br /&gt;- Vai acender o cigarro ao contrário. &lt;br /&gt;- Cof. cof. Por que não avisou antes, droga?&lt;br /&gt;- Já pensou que você tá meio fedorento pra falar com elas?&lt;br /&gt;- Frescas. &lt;br /&gt;- No lugar delas eu faria o mesmo. &lt;br /&gt;- Preciso sair logo desse lugar. &lt;br /&gt;- Eu costumava dizer isso. &lt;br /&gt;- Fale alguma coisa que presta. &lt;br /&gt;- Cala a boca, moleque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 83&lt;br /&gt;- Tem um cigarro aí?&lt;br /&gt;- Taí. &lt;br /&gt;- Você fuma essa merda?&lt;br /&gt;- Tá ganhando e reclama?!&lt;br /&gt;- Claro. Se um dia você me pedir vou te dar coisa muito melhor. &lt;br /&gt;- Amanhã não vou nem comprar então. &lt;br /&gt;- Fica por minha conta. Aí, mudando de assunto: você entendeu alguma coisa que aquele velho explicou hoje? Sabe, ele falou todas aquelas coisas sobre produto, vendas, margem. Diabos, como é que isso pode influir no meu trabalho? Sei lá, eu faço o que tenho que fazer, mas parecia que não fazíamos nada.&lt;br /&gt;- Ele é tipo o dono. Eles sempre falam essas coisas. Tem uns vinte anos que ouço esse papo. Em resumo é: se você produzir pouco o lugar vai à falência e você perde o emprego. &lt;br /&gt;- Ah, aí é foda. &lt;br /&gt;- Não, mas nem vai. É como eu te disse. Tá com o isqueiro aí? Na verdade se você produz pouco é mandado embora antes de irem à falência. &lt;br /&gt;- Então estou ferrado, não posso perder esse emprego. &lt;br /&gt;- Deixa de ser cabaço, quem é que pode?&lt;br /&gt;- Sei lá, mas eu não posso. Olha, foi mal, mas esse papo de hoje me assustou. Você sabe que eu sou novo aqui, nunca tinha visto esse velho, e de repente ele aparece falando esse monte de merda. &lt;br /&gt;- Uma vez um cara foi mandado embora justo no dia que o coroa cabeçudo veio dar uma dessas palestrinhas de corno aqui. Ele estava juntando suas coisas pra ir embora quando o vovô reuniu o pessoal no pátio e começou com esse papo. Era um caipirão invocado. Quando o coroa tava lá falando ele largou as trouxas dele perto da saída, atravessou o pátio, chegou na frente do matusalém e fingiu que ia dar um soco no velho. Lembro direitinho, o mané só faltou mijar nas calças de medo. Gritava "não, pelo amor de deus, pára". O cara parou o soco no ar e disse "você é um bosta". Não fez nada e saiu pela porta da frente com todo mundo morrendo de vontade de aplaudir. Desde esse dia eu só consigo enxergá-lo assim, como um monte de merda fedorenta e inútil. &lt;br /&gt;- Isso aí, que se foda esse doente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 119&lt;br /&gt;- Quem era essa mina aí fumando com você?&lt;br /&gt;- Sei lá, ela só disse que tava calor e ficou aí fumando com cara de apaixonada. &lt;br /&gt;- Acho que ela tá afim de mim, queria me encontrar, mas cheguei tarde. &lt;br /&gt;- Claro, só se ela estiver pagando promessa. &lt;br /&gt;- O contrário, deve ter feito promessa pra me conquistar.&lt;br /&gt;- Ahan! Vou até fumar outro depois dessa. &lt;br /&gt;- Tô ferrado. Apostei cinquenta contos com um cara esse fim de semana. Meu time perdeu e não tenho grana pra pagar. &lt;br /&gt;- Por que apostou então, cabaço?&lt;br /&gt;- Você sabe, eu tinha certeza, a gente não perdia pra eles há dois anos. Era grana certa, já tinha até feito planos com ela. Agora além de não ter ganho, tenho que pagar. Me empresta?&lt;br /&gt;- Bebeu?&lt;br /&gt;- Ah, sem crise, faltam dez dias pra acabar o mês. &lt;br /&gt;- Nem morto. &lt;br /&gt;- Pô, eu apostei contando com você, vai me deixar na mão agora?&lt;br /&gt;- Haha. Claro. Vou te contar o pior, eu também apostei, e me ferrei. &lt;br /&gt;- Não brica. &lt;br /&gt;- Juro por esse emprego de merda. &lt;br /&gt;- Fudeu. &lt;br /&gt;- Vamos pedir pro almofadinha. &lt;br /&gt;- Ele empresta?&lt;br /&gt;- Sempre, mas cobra juros. Como fui eu que indiquei, e vou salvar sua vida, você paga meu juro.&lt;br /&gt;- Te devo essa. Mas pagar seu juro é o caralho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 199&lt;br /&gt;- Minha cabeça está explodindo. Eu acho que ressaca é a encarnação do diabo. &lt;br /&gt;- Pode ser. &lt;br /&gt;- Por outro lado, a bebedeira da noite anterior foi a prévia do paraíso na Terra. &lt;br /&gt;- Deve ter sido. &lt;br /&gt;- Será que vale a pena, viver o paraíso por uma noite pra depois experimentar o inferno?&lt;br /&gt;- Depende de quanto você gastou. &lt;br /&gt;- Muito. Cerveja tá cara. &lt;br /&gt;- Então acho que não. &lt;br /&gt;- Deixa de ser mão de vaca, velho. &lt;br /&gt;- Bom, eu avaliei se compensava ou não trocar o céu pelo inferno. O céu custou caro demais, e o inferno é de graça, então não. Se você discorda, me dê seus argumentos. &lt;br /&gt;- Ah, minha cabeça tá doendo demais, nem entendi o que você disse. &lt;br /&gt;- Você bebeu só cerveja e ta aí morrendo desse jeito?&lt;br /&gt;- Comecei com Cynar. &lt;br /&gt;- Aí sim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 222&lt;br /&gt;- Vim atrás de você. Hoje sou eu que estou sem cigarro. &lt;br /&gt;- Tá aqui. &lt;br /&gt;- Dá o isqueiro também. Saí atrasado hoje, esqueci tudo em casa. &lt;br /&gt;- Agradeça depois novamente sua senhora. O almoço ontem estava sensacional. &lt;br /&gt;- Pode deixar. Ela gostou de você. Disse que se parece com o filho que nunca tivemos. &lt;br /&gt;- Nossa, fiquei até emocionado agora. Gostei muito dela também, parece minha mãe. O que você disse?&lt;br /&gt;- Eu disse que se fosse pra ter um filho retardado como você era melhor não ter mesmo. &lt;br /&gt;- Velho safado. &lt;br /&gt;- Velho é o seu pai. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 249&lt;br /&gt;- Opa. &lt;br /&gt;- Opa. &lt;br /&gt;- (...)&lt;br /&gt;- (...)&lt;br /&gt;- Que foi moleque, tá calado. &lt;br /&gt;- Acende outro aí que te conto. &lt;br /&gt;- Tenho que voltar, tô fumando demais. &lt;br /&gt;- Sério, cara. &lt;br /&gt;- Tá certo.&lt;br /&gt;- Ferrou. Tô de aviso prévio. &lt;br /&gt;- Que merda você fez, seu idiota?&lt;br /&gt;- Sei lá, cara, sei lá. Eu não fiz nada. Aqueles gordos me ferraram, só sei disso. &lt;br /&gt;- Fica frio, cara. É uma merda mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 268&lt;br /&gt;- Bom, acho que esse é nosso último cigarro juntos. &lt;br /&gt;- Então aproveite.&lt;br /&gt;- Quem tem que aproveitar é você, que não terá mais minha nobre companhia aqui. &lt;br /&gt;- Já tô acostumado. &lt;br /&gt;- É um filho da mãe ingrato. Quero ver como vai fazer quando estiver sem cigarro. &lt;br /&gt;- Aposto que colocam outro fumante no seu lugar. &lt;br /&gt;- Tomara que sim. Um bem chato que só saiba falar da própria mãe. &lt;br /&gt;- Olha, eu trouxe um presente pra você.&lt;br /&gt;- Ah, não brinca. &lt;br /&gt;- Abre aí, desgraça. &lt;br /&gt;- Pô, um Marlboro edição especial com isqueiro Zippo. Eu fumo isso quando tô querendo impressionar uma mina e depois fico três dias fumando um do Paraguai. Valeu mesmo, coroa. &lt;br /&gt;- Tenho certeza que você vai fumar isso em uma hora hoje, tomando uma pinga vagabunda. &lt;br /&gt;- Acertou. Mas o que mais pode fazer da vida um desempregado como eu?&lt;br /&gt;- Procurar outro emprego?&lt;br /&gt;- Semana que vem, talvez. Eu mereço uma fossa. &lt;br /&gt;- Aproveita e chama uma das minas daí pra sair. Quem sabe hoje elas não aceitam?&lt;br /&gt;- Ao menos dessa vez não estou fedendo, né?&lt;br /&gt;- Alguma vantagem deveria haver nisto tudo. &lt;br /&gt;- Dá um abraço rapaz, se cuida. &lt;br /&gt;- Pode deixar, coroa. Se cuida também.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4509622237718215218?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4509622237718215218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4509622237718215218&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4509622237718215218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4509622237718215218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2010/01/o-fumodromo.html' title='Fumódromo'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S1SQIjOD3LI/AAAAAAAAAaA/SiTkg0iGqRg/s72-c/Fumodromo_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-8842487076757241395</id><published>2010-01-12T10:34:00.003-03:00</published><updated>2010-05-11T17:09:32.357-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colagens'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S0x6pDW6AkI/AAAAAAAAAZ0/NgPCtGw4v8E/s1600-h/eisner.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 347px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S0x6pDW6AkI/AAAAAAAAAZ0/NgPCtGw4v8E/s400/eisner.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425846496769212994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;"Grandes são os desertos e tudo é deserto,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Salvo erro, naturalmente.&lt;br /&gt;Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Álvaro de Campos)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-8842487076757241395?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/8842487076757241395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=8842487076757241395&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8842487076757241395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8842487076757241395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2010/01/grandes-sao-os-desertos-e-tudo-e.html' title=''/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/S0x6pDW6AkI/AAAAAAAAAZ0/NgPCtGw4v8E/s72-c/eisner.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-822779891937477097</id><published>2009-09-29T18:33:00.005-03:00</published><updated>2009-09-29T20:04:42.227-03:00</updated><title type='text'>Os mortos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SsKSCmmyHJI/AAAAAAAAAYg/gExK38KZcc4/s1600-h/MyTwin.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SsKSCmmyHJI/AAAAAAAAAYg/gExK38KZcc4/s400/MyTwin.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5387028677709143186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao colocar a chave sobre a mesa, ouvindo o barulho alto do vidro, lembrou-se que ele pediria que não fizesse aquilo. Era uma mesa grande para o cômodo. Muito bem cuidada, apesar da idade. "O vidro arranha, do jeito que você joga essa chave, qualquer hora ele quebra". Um vidro dessa espessura não quebra, pensava ela. Retirou a chave, e pendurou-a no porta-chaves. O tamanho da mesa tornava quase um reflexo colocar qualquer coisa sobre ela. Quantas e tantas discussões por não estar vazia: apenas o forro, o jarro, e a própria mesa. Ao pendurar a chave resmungava contra aquilo. "Você era tão chato que mesmo não estando aqui me assombra com suas manias". Sentiria remorso ao contrariá-las. Mais remorso do que quando fazia algo sabendo que ele chegaria em casa e brigaria. Como é estranha essa sensação de não ter de te esperar. Parece que o ar e tudo fica tão cheio de você, como se antes você anulasse tudo isso com sua presença. Ah, mas como eu sou boba, o ar é o mesmo, é tudo a mesma coisa. Até o silêncio é o mesmo. Sim, você imóvel daquela forma nunca quebrava o silêncio. Ruíam cascas da parede, formigas, mosquitos, a brisa, mas isso tudo era silêncio e continua sendo o mesmo. É estranho o fato de que antes a esperança era quanto ao dia em que o silêncio seria mais profundo. Que viria o estopim, as portas batendo, o carro arrancando, e de repente, tudo tornaria a ser um silêncio calmo e sem peso, sem você. Quando você voltou, pela última vez, eu já havia me despedido. Acredito que você também. A última vez que sonhei com nós dois, estávamos em um trem. Era estranho, parece que íamos para alguma faculdade, em meio a muitos jovens que usavam roupas de formatura, mas era outono e não estavam em clima de festa. De um banco olhávamos, depois você quis entrar em uma das cabines e eu te impedi. Não entendi nada desse sonho, só me lembro dele por ser o último. Quem sabe agora eu não volte a sonhar contigo? Mas sim, como eu dizia, antes a esperança era de que o silêncio se tornasse mais profundo. Agora, quando esta sala lembra um entardecer na memória, tudo parece abstrato e esfumaçado, a esperança é de que um dia possa se ouvir, aqui neste mesmo ambiente escuro e calado, um som espontâneo cortando o ar e surpreendendo estas velhas paredes. Esperança, ou talvez apenas curiosidade. Se um dia tudo vai parecer sólido e firme novamente. Se vão ranger as madeiras. Ou se passou mesmo esse tempo, sem migalhas do passado, e o que se reserva a tudo isso é um fim que provavelmente desconhecerei, como velhos soldados aposentados e inválidos em asilos. Só me resta esperar e continuar com essa esperança, ou talvez curiosidade. Não que eu tenha tempo para esperar, só não resta muito além disso. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-822779891937477097?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/822779891937477097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=822779891937477097&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/822779891937477097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/822779891937477097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2009/09/os-mortos.html' title='Os mortos'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SsKSCmmyHJI/AAAAAAAAAYg/gExK38KZcc4/s72-c/MyTwin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3766495941585880213</id><published>2009-09-01T20:43:00.003-03:00</published><updated>2009-09-01T20:59:50.885-03:00</updated><title type='text'>Juventude</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Sp2yR0G6X-I/AAAAAAAAAYY/Yrybx-MCAGY/s1600-h/candle.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Sp2yR0G6X-I/AAAAAAAAAYY/Yrybx-MCAGY/s320/candle.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376649549265395682" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No mundo&lt;br /&gt;entre outros tantos&lt;br /&gt;um velho sofá&lt;br /&gt;a mesa o mármore&lt;br /&gt;esperam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De costas&lt;br /&gt;bruço&lt;br /&gt;desajeitado nos braços&lt;br /&gt;levanto, tusso&lt;br /&gt;a cortina esconde o traço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia&lt;br /&gt;passando as horas&lt;br /&gt;quentes sempre&lt;br /&gt;latejam o ano todo&lt;br /&gt;Marrom e verde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mastigo&lt;br /&gt;maxilares rígidos&lt;br /&gt;contra si mesmo&lt;br /&gt;remoendo cáries&lt;br /&gt;e o abismo tangente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seca&lt;br /&gt;a boca e o asfalto&lt;br /&gt;em silêncio&lt;br /&gt;à espera&lt;br /&gt;quase sinto remorso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre&lt;br /&gt;o balanço dos freios&lt;br /&gt;caminho desolado&lt;br /&gt;para perdida tarde&lt;br /&gt;sempre ao vento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sombras&lt;br /&gt;são ritmos&lt;br /&gt;cedentes ao tempo&lt;br /&gt;o perigo do passado&lt;br /&gt;imaginação ausente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho sofá&lt;br /&gt;a mesa o mármore&lt;br /&gt;de qualquer forma&lt;br /&gt;sempre tu&lt;br /&gt;enigma aceso&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3766495941585880213?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3766495941585880213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3766495941585880213&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3766495941585880213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3766495941585880213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2009/09/juventude.html' title='Juventude'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Sp2yR0G6X-I/AAAAAAAAAYY/Yrybx-MCAGY/s72-c/candle.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-5114023390588621644</id><published>2009-08-24T21:31:00.006-03:00</published><updated>2009-08-25T14:46:07.971-03:00</updated><title type='text'>Possibilidades perdidas II</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SpMxW6wvlgI/AAAAAAAAAYM/AMDi13pK1Z8/s1600-h/2046.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 241px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SpMxW6wvlgI/AAAAAAAAAYM/AMDi13pK1Z8/s320/2046.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373693050183718402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:13px;"&gt;"Call me morbid, call me pale&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/i&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;I've spent six years on your trail&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Six long years&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:13px;"&gt;On your trail"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/i&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passei a noite pensando em algo para te dizer. Eu sabia que ao nos encontrarmos nos cumprimentaríamos entre formal e amigavelmente, sentaríamo-nos à mesa, e você deixaria que eu falasse antes. Não pude dormir até criar um texto que começava engraçado e se tornava profundo. E acredite, apenas o amanhecer pode conhecê-lo completo. Você nunca me interrompe quando falo, por isso pensei em algo complexo e longo. Depois de tanto tempo não poderia deixar a conversa fluir ao acaso. Os parágrafos, se ligando entre passado e presente, as cores se misturando. Mas não, não era tão simples. Tão importante quanto ficar satisfeito com o que arquitetava para a fala era a preocupação com as sensações que cada uma daquelas frases poderia te causar. Eu não queria pouco. Não queria te comover apenas. Não queria apenas te divertir. Nem que me desculpasse, ou que se culpasse. Não. Era preciso que tudo se embaralhasse em sua mente. A cada parágrafo uma sensação que confundisse a anterior. A cada novo gole no copo, uma dúvida nova em sua mente: o que virá agora? E que no meio de tudo, você dissesse: "espere, preciso pensar um pouco, vou até o banheiro". E essas interrupções, as únicas que você faria, seriam a deixa para um novo caso engraçado. Ao te fazer rir, te desarmaria dos pensamentos que você teve sozinha, das possíveis contradições que me confundiriam, que tornariam tudo relativo. Enquanto você ria, eu emendaria a continuação do discurso. Mas não se preocupe, ele não era implacável apenas com você. Fui duro comigo também. Pontuava fato a fato minhas desatenções, minhas culpas, e não tentava explicá-las, senão pela própria natureza humana. E por que não, pelo acaso, pelas outras possibilidades, ou quem sabe, pela segurança. Sobre o quanto nos sentimos idiotas quando nos sentimos seguros. Ainda mais daquela idade. Duas crianças não sabem o que fazem. Dois adultos não podem carregar por toda uma vida o fardo causado por uma imaturidade, por coisas fora de ordem e de lugar. Adultos resolvem o erro das crianças, e era isso que estávamos fazendo aqui agora. Sobriamente, amigavelmente, sem comprimisso, sem medo de uma perda, como foi quando tentamos nos resolver daquela vez. Sim, o medo foi culpado de tudo. Talvez por medo de nos magoarmos, talvez por medo de perder algo que já estava perdido, não resolvemos nada, achamos melhor guardar as acusações. Agora não havia a quem acusar. Já cumprimos a pena. Já passamos da idade de sofrer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que eu queria com isso? Não existia a menor possibilidade de mudar tudo que aconteceu entre nós. Não, isso não seria possível de forma alguma. O que está escrito a caneta não se apaga com borracha. A minha intenção era apenas te fazer pensar sobre tudo isso tanto tempo quanto pensei. Como nunca mais nos falamos eu não fazia a menor idéia se um dia depois de tudo você chorava ou se arrancou minha foto da sua estante e a trocou por outra. Na dúvida meu discurso foi todo construído para que eu voltasse a ser um assunto recorrente. Minha foto não voltaria para a estante, não nos falaríamos diariamente, meu copo não estaria novamente defronte o seu. Mas todos esses anos de ausência voltariam a dar sentido a tudo que passou. E talvez esse meu egoísmo, essa minha mania de querer convencer as pessoas daquilo que acredito. E o meu orgulho, ferido pela incerteza? Como poderia passar essa oportunidade de mostrar toda minha versatilidade: engraçado, racional, consciente, preciso. Se eu passasse essa impressão você perceberia que o seu julgamento sobre mim havia sido completamente errado. Que mesmo sem volta, você havia cometido um erro. E ainda que não houvesse possibilidades em outro tempo, se me conhecesse agora, você teria certeza de que as coisas seriam diferentes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando, lá pela metade do discurso, tocasse uma música qualquer, eu pinçaria uma frase. Não, eu não te convidei àtoa para aquele lugar. Sabia o que tocava ali, e que hora ou outra uma frase seria útil. Diria que ouvir aquilo fazia sentido agora. E naquele contexto, com determinada melodia, talvez por dentro você desabasse. Eu me preparei para seguir firme em frente, mas quem sabe não desabasse também? E precisasse de um gole maior, ou de um tempo maior entre o copo e a fala? Em todo caso, estava preparado para utilizar todos os recursos para te impressionar. "Como deixei um cara desses pra trás?" E aí, lá pelo fim do monólogo, eu seguraria sua mão, perdida na mesa entre o copo e a garrafa. Seguraria sua mão e se tudo fosse conforme o planejado, você sentiria um arrepio. O meu toque chegaria a uma parte do seu cérebro que eu só consegui atingir quando te conheci. Mas esse toque viria acompanhado de uma amizade e uma benevolência que te confundiriam entre a vontade de me abraçar como amigo ou me beijar como outrora. E aí sim você sentiria um remorso incontrolável, por perceber a pureza das minhas ações e o perigo da minha carne. Essa mistura explosiva talvez conseguisse o intuito de fazer com que me desejasse agora como se nada tivesse acontecido entre nós: um momento apenas, pois a prolongação disso traria de volta todo o passado à tona. Mas claro, você e eu sabíamos que nada disso aconteceria, e então ficaríamos apenas naquela sensaçãozinha gostosa de recordar. Sem nada a dizer: rindo por dentro, olhando pro copo, vendo o passado; olhando pra frente, encarando o presente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas você mandou aquela mensagem e não foi. Talvez tenha sido melhor assim, eu sempre me enrolo quando falo por muito tempo. Me consolo pensando que a única coisa que perdi foi aquela noite de sono. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-5114023390588621644?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/5114023390588621644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=5114023390588621644&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5114023390588621644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5114023390588621644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2009/08/possibilidades-perdidas-ii.html' title='Possibilidades perdidas II'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SpMxW6wvlgI/AAAAAAAAAYM/AMDi13pK1Z8/s72-c/2046.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-368664939345796559</id><published>2009-08-04T16:55:00.005-03:00</published><updated>2011-07-29T14:26:10.722-03:00</updated><title type='text'>Possibilidades perdidas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SniZXQO3NhI/AAAAAAAAAYE/cikhmdrwrH8/s1600-h/14+street.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366207580785292818" src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SniZXQO3NhI/AAAAAAAAAYE/cikhmdrwrH8/s320/14+street.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 243px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 24px;"&gt;Saltou rápido do ônibus, impulsionado pelos que vinham atrás empurrando. Não fosse isso ficaria ali mesmo, vagando pela noite, observando pelo canto de olhos, apoiado na janela, a sombra do ônibus em movimento. Quando olhava para estas sombras sentia-se ligeiramente distante da realidade, sentia aquela velocidade como um motor da liberdade, a locomoção que lhe faltava. Sempre que olhava estas sombras a viagem lhe parecia mais rápida. Distraía-se em filosofias que se de nada serviam nem concluíam, o animavam. E durava até o momento em que tinha de descer. Entre a hesitação de sair ou ficar, era empurrado. No mesmo ponto de sempre, seguindo seu caminho de sempre, entrando em casa, sua cama com cheiro de mofo, sua solidão silenciosa. Em poucas horas recomeçaria o ciclo. Sua garganta estava apertada, o estômago embolado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 24px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 24px;"&gt;Esta noite, numa calma revolta, sentiu-se inundado por uma vontade insana de liberdade, mesmo que em níveis mais modestos: uma quebra de rotina. Ao menos uma noite precisava sentir algo vivo por dentro. Prazer, remorso, alegria, tristeza, dúvida. Não importava o que. O vazio, a monotonia, tudo havia atingido seu ápice, no fundo do poço precisava começar a escalada. Envelhecendo no trabalho, já quase não acreditava em possibilidades. Nele, nem em nada. Sem amigos, família distante e distinta, nem garotas, apenas sozinho. Mesmo seus prazeres solitários andavam perdidos: os almanaques, as palavras cruzadas, as revistas esportivas, livros, filmes. Cansava-se da sensação de liberdade alheia que sentia ao ver tudo isso. Era hora de ser uma história qualquer. Queria ser irresponsável. Sem saber como, lentamente se afastou da vida real. Ia sempre para casa, como um refugiado em tempos de guerra. Sentia que era hora de se entregar. Desejou imensamente que aparecesse alguém que o convidasse para tomar algo, um homem ou uma mulher. Algo forte, um porre em plena terça-feira. Acordar com a cabeça palpitando e atrasado no dia seguinte. Três doses de uísque e depois muitos chopes, cantar mal, deixar cair um copo, entrar numa confusão. Não, não precisava de ninguém, podia ir sozinho ao bar. Não, não podia. Não saberia como se comportar, nem o que dizer, nem o que fazer. Não estava acostumado a ser o culpado pelas coisas: “fulano me convidou, e não pude lhe fazer uma desfeita”, ao invés de: “qual o problema de tomar um porre- na terça? Faço o que quero da minha vida”. Um compromisso moral com o mundo que o próprio mundo desconhecia. Imaginou para qual botequim poderiam lhe convidar: aquele que cheirava a fumo de corda, onde os homens apostavam e se ofendiam em jogos de sinuca; aquele onde se servia uísque com guardanapo? Tinha algum dinheiro nos bolsos, podia pagar por uma boas doses de um escocês. Passou perto do prostíbulo, ainda fechado, e olhou com vergonha. Poderia voltar ali mais tarde, encontrando na carne o remédio para o cérebro. Nunca cogitara a hipótese de ir pra cama com uma prostituta. Como seria? O prostíbulo ia ficando para trás, e com ele, a idéia. Um caminhão passava. Uma placa distante. O desejo de uma carona. Para longe, muito longe. Quando voltasse sua vida seria outra: demitido seria mais fácil correr atrás da verdadeira vocação. Trabalhar numa escola de boxe, primeiro como sparring. Depois, quem sabe? A meta é sempre Las Vegas. “Um nariz quebrado faz parte da vida de um campeão”, e apalpou o nariz perfeito. Defronte o bar onde abafadamente se ouvia o ensaio de um violão vislumbrou outra possibilidade perdida: não fosse a desistência das aulas de violão quando criança. Tocando num bar escuro e aconchegante, onde pessoas tomavam Martini e traíam seus cônjuges. Seria sua a trilha sonora para destinos tão normais. Quase desesperado com o fim das alternativas, apelou para coisas negativas, que de qualquer forma o livrariam de mais uma noite monótona. Um cachorro que o mordia, a enfermeira cuidadosa, a noite no hospital. Licença médica, tempo para repensar a vida. Se tivesse um tempo assim tudo poderia se ajeitar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 24px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 24px;"&gt;Nem a calma da cidade, nem a violência do transito, nada interrompia sua caminhada. Sentiu-se protegido pelo acaso. Tristemente protegido de si mesmo, de sua natureza selvagem. Se alguém lhe perguntasse agora que horas eram, por certo que sua voz sairia engasgada, e sequer saberia interpretar os ponteiros. Era só perder a chave de casa, apenas ser preso injustamente, pegar o ônibus errado, mas nada saía dos eixos. Distraído em sua sina, atento a todas as possibilidades, boas ou ruins, parou de repente, confuso e estarrecido. Entrou numa rua sem saída, voltou, parou no cruzamento, depois numa praça, que ele nunca tinha visto na vida. Não restava dúvida: estava completamente perdido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-368664939345796559?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/368664939345796559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=368664939345796559&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/368664939345796559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/368664939345796559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2009/08/possibilidades-perdidas.html' title='Possibilidades perdidas'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SniZXQO3NhI/AAAAAAAAAYE/cikhmdrwrH8/s72-c/14+street.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-2530079941587354414</id><published>2009-07-27T16:53:00.006-03:00</published><updated>2009-07-27T17:30:58.779-03:00</updated><title type='text'>O circo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Sm4HnQRa0MI/AAAAAAAAAX8/uy8mCrErnms/s1600-h/freaks.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 255px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Sm4HnQRa0MI/AAAAAAAAAX8/uy8mCrErnms/s320/freaks.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363232577209159874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Johnny andava inquieto pela casa. Desde que saiu do circo naquela tarde, teve certeza: nasceu para fazer parte daquele espetáculo. Não se esquecia um segundo sequer das gêmeas siamesas que jogavam pingue-pongue contra um oriental; o homem que enfiava quatro bolas na boca; o garoto de três braços escalando um muro; a mulher barbada; da cabeça daquele velho, quatro vezes maior que o normal; do corcunda contorcionista; o hermafrodita; os dois palhaços sem membros, e tantos outros. Era um mundo completamente fascinante. Nada que houvesse visto em seus sete anos fazia tanto sentido quanto aquilo. Saiu hipnotizado do show, agarrado à saia da avó. Muitos circos haviam passado por ali, muita coisa mágica, engraçada, surpreendente. Mas eram pessoas normais, gente que treinava e realizava. No picadeira desta tarde tudo era diferente: o clima era envolvente, sombrio, marcante. Como se os artistas não fizessem parte da vida comum que todos levam. Pareciam ter vindo da lua, e todas as outras pessoas eram apenas sombras do talento deles. Não, não poderiam ter nascidos de mães como as nossas, não poderiam ter uma vida simples e normal, eram seres especiais. Johnny tinha certeza que eram superiores em tudo. A palavra freak só podia ser o mesmo que abençoado, sobrenatural, magnífico. Talvez isso fosse o mais próximo do deus que a avó tanto falava. Ele estava decidido, "quero ser um deles, preciso de uma habilidade sobrenatural". Imaginou como seria a vida fora do palco: enquanto nos circos normais os palhaços, malabaristas, mágicos e animais dormiam, gordos em suas habilidades, no freak show tudo era descoberta. Pessoas que não eram apenas pessoas conversavam e disputavam. Poderes além do imaginado: você nunca será assim, por mais que treine. Você nunca terá alguém grudado em suas costas, você nunca terá uma cabeça desse tamanho, mesmo que passe a vida toda tentando. O diferencial era esse. Em hipótese alguma esses artistas poderiam ser alcançados por pessoas comuns.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Johnny sempre foi um garoto esperto. Mesmo com pouca idade sabia que sonhos não caíam do céu. "O que você está tramando, moleque?". "Nada vó". Passava tardes rabiscando desenhos na terra úmida. Idéias, divagações, era preciso definir um modo de se tornar um deles. Driblar a genética injusta que lhe deu este corpo sem graça e normal. Entrar naquele circo era o maior desafio que um humano como ele poderia encarar. Teria de se superar, extrapolar os limites, e pior, antes disso, saber no que seria anormalmente bom. Qual aberração caberia em si. Tardes e tardes em vão, eis que numa delas então surge claro em sua mente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A bola era pouco maior que um ovo. Usavam-na para jogar taco. Com muito custo a primeira coube. Sentia seus maxilares próximos de uma distensão. O osso próximo à orelha lentamente deslocava-se. O homem que coloca bolas na boca está velho, e nada gera mais apreensão do que a expectativa do número de bolas que ele consiguirá enfiar ali. "Tenho certeza de que meus ossos são flexíveis, vou ser seu sucessor". A segunda era quase impossível. A expectiva eram três. Malandramente murchou um pouco a segunda, procurou um pequeno espaço no fundo, perto da garganta. A dor era grande, a bola não passava dos dentes. Apertava, murchava mais, e nada. O maxilar formado por ossos não tão resistentes travava e rangia. Não demoraram a cair as primeiras lágrimas. Um urro incontido veio da garganta. A segunda bola estava travada. A boca não abria nem fechava. A primeira estava sólida presa aos dentes. Desesperado, sem conseguir respirar, tentou levantar-se. Caiu, tentou cuspi-las, caiu de novo. O nariz parecia tapado. Garganta tapada.  Correu, batia as mãos na parede, ninguém podia ouvi-lo. Virou-se então bruscamente, em busca da avó, assustado chocou-se contra a parede próxima à porta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Que esse tipo de maluquice não se repita, senão serei obrigada a interná-lo". "Avós, sempre bondosas. Porém nada entendem da vida. Não posso mais ficar sem ar, não, isso não aguento. Preciso desenvolver outra forma. Alguma coisa externa. Tenho certeza que meu corpo pode aguentar qualquer coisa. Como aquelas irmãs". Não havia nascido grudado a ninguém. As irmãs faziam tremendo sucesso. Das muitas crianças da vila apenas uma, o filho autista de um pobre operário, aceitou tentar se prender definitivamente a ele. Precisavam simplesmente de algo que os colassem, e então treinar conjuntamente algum número. Parecia o mais fácil de ser parte do espetáculo, afinal as irmãs precisavam apenas jogar ping-pong. O garoto nunca dizia nada. Calado ele veio até a casa de Johnny. Seria simples grudá-los como siameses. Era só queimar borracha para fazer uma cola mais resistente, colocar nas costas de Arthur, e depois pular de costas nas costas dele. Estariam assim eternamente grudados. Poderiam fazer um número com uma bola de futebol. Rodariam o país todo, conhecendo coisas que esses corpos singulares e normais jamais poderiam lhes oferecer. A operação foi muito simples. Colocou a borracha numa panela da avó, no fogo, e depois de alguns minutos despejou-a sobre as costas do garoto, deitado de bruços, sem camisa. Agora viria a parte mais fácil, era só deitar e grudar. Mas antes disso ele saiu gritando e correndo até sumir no horizonte. Deixou até sua camisa. Johnny ficou desolado, aquela era sua chance mais clara. Ficou preocupado se ele contaria a alguém, seus planos poderiam ser desfeitos se alguém soubesse. A família do garoto, porém, nunca os procurou. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava claro que seguir os passos dos atuais participantes do circo não era o caminho. Como previa, eram inalcançáveis. Para ser parte do circo dos eternos era preciso mais. Além de adaptar o corpo, precisava ser original. Recriar-se. Andou dias pelos campos virgens, quebrando galhos, usando seu estilingue. Sua vida tinha que mudar. Ele não poderia ser mais daquela forma. Tinha que ser outra pessoa, nascer de novo, um talento inédito. O que faltava ali, qual lacuna poderia preencher? Fugiu da escola dias seguidos. Passou tardes no circo. Não entrava. Na porta, atento, ouvia conversas de adultos e crianças. O que faltava no circo? "Eu já vi um que tinha um homem-borracha, se esticava todo, aqui não tem nada disso", ouviu um dia. Correu empolgado pra casa. Maxilares fracos mas o corpo de sete anos se adaptaria facilmente a isso. Seria o homem-borracha. Não almoçou direito. Encontrou uma corda velha. Amarrou-a num galho alto de árvore. Esticaria ali membro a membro de seu corpo. Um homem elástico que do picadeiro puxaria o chapéu de uma senhora e o sorvete de uma criança. Sem se mover. A lacuna era perfeita. Seu espaço no mundo estava delimitado. Subiu na árvore, amarrou o pulso na árvore, e pulou. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois do estalo no cotovelo e da maior dor sentida em toda sua vida, ouviu da avó: "qual seu problema?". "Que maluquice é essa? Se quer um futuro, fazer algo da vida, vá à oficina do seu avô, aprenda a ser marceneiro, e viverá bem como ele, não está bom? Desse jeito acaba se matando, quantos ossos mais pretende quebrar?". O garoto não sabia quanto valia ser um marceneiro, mas não queria ser lembrado através de um móvel. Ser lembrado por alguém que sequer o viu, que apenas imagina-o através de uma cômoda. Ele queria o aplauso presente. O tête-à-tête. Só lhe interessavam os comentários sobre sua anormalidade, não suas habilidades humanas. Certa noite acordou assustado. Ouvira na escola histórias de monstros e um desses visitou-o em seus sonhos. Teve logo a idéia: um monstro sería um bom caminho. Dois parafusos na cabeça impressionariam. Enfiá-los nas orelhas poderia ser fácil, afinal tem um buraco ali. Ao acordar percebeu a avó agitada ao lado de sua cama. Ela falava freneticamente, e ele não ouvia quase nada. Quando contornou a cama e veio ao outro lado ele entendeu que se tratava de uma bronca. "Você ficou surdo desse ouvido, idiota? Eu te disse pra parar com essa maluquice, o que vai ser de você agora?". Mesmo tendo falhado começou a orgulhar-se, começava a não ser normal como todas as outras crianças.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sua última tentativa foi a derradeira e efeitva em seu intuito. Percebendo que um surdo seria de pouca utilidade no circo, desenvolveu outro plano de carreira. Começava a procurar o modo mais fácil de ser parte daquele mundo fantástico. E analisando quadro a quadro o que havia visto, concluiu que a vida mais fácil era do homem da cabeça gigante. Nada de anormal, era só ter uma cabeça gigante e ficar sentado ali. Tudo que precisava era ter uma cabeça diferente, e ficar sentado. Fazer a cabeça crescer seria impossível. Rodou pela dispensa do avô, na esperaça de ter alguma idéia. E teve. Se tivesse uma cabeça cheia de pregos seria único. Assim como o homem que deita na cama de pregos, e como o homem da cabeça grande. Uma mistura excêntrica de duas atrações. Era o que ele precisava: o homem que não nasceu excêntrico mas que com suas próprias mãos se tornou, o modelo das crianças, o super-herói freak. "Imaginem só, pedir dispensa da escola para partir com o circo". Era a última semana na cidade, apresentaria o número amanhã mesmo para pegar a estrada com eles. Queria ser parte do mundo anormal o mais rápido possível, e tinha que ser naquele circo, não havia tempo a perder. Mirou o prego no meio da testa, agarrou o martelo e bateu. Aquele era o melhor momento de sua vida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Minha senhora, com tristeza soubemos da história que se comenta hoje na cidade: seu neto se matou tentando entrar em nosso circo. Em retribuição gostaríamos de oferecer nosso palco para a realização do velório, será nossa homenagem. A propósito, ele ainda está com o prego na cabeça, não?". &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-2530079941587354414?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/2530079941587354414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=2530079941587354414&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2530079941587354414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2530079941587354414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2009/07/johnny-andava-inquieto-pela-casa.html' title='O circo'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Sm4HnQRa0MI/AAAAAAAAAX8/uy8mCrErnms/s72-c/freaks.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-8936269979376380990</id><published>2009-07-17T14:04:00.003-03:00</published><updated>2009-07-17T14:26:25.542-03:00</updated><title type='text'>Minuto no corner</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SmCwdNs1p_I/AAAAAAAAAX0/x0V5aZ0EJ_o/s1600-h/corner.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SmCwdNs1p_I/AAAAAAAAAX0/x0V5aZ0EJ_o/s320/corner.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359477572511311858" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais um round. É tudo que preciso aguentar. Apenas mais um. Toda essa dor, esse sangue, o rosto latejando. Tudo vai acabar em três minutos. Depois pego meus vinte mil dólares e vou pra casa. Esse último foi o pior, mal posso ficar de pé. Até o terceiro estava tudo bem. Eu devia ter prometido só quatro rounds inteiros. Subestimei esse porco achando que eu aguentaria cinco e cairia no sexto. Como ele conseguiu essa direita tão forte? Eu treinei sério uns quatro anos e não derrubava nem um magricela. Deve ser genético. Preciso de um trago. Preciso de um gole. Merda, minha perna tá tremendo. Se esse velho percebe vai me chamar de maricas. Vontade de quebrar a cara desse velho. Treinador fracassado. E esse outro filho da mãe. Com toda essa grana de empresários escrotos, até eu ficaria famoso. Essa direita é metade músculo metade dinheiro. Nunca tive a segunda metade. A culpa foi minha, de orgulhoso a mercenário. Não fiz minha carreira mas ajudo a desses bunda-moles. Devia ter pedido mais. Vinte mil pra aguentar essa humilhação. Minha honra não tem preço. Não, não posso pensar nessas coisas. Melhor dormir com remorso do que ouvindo as reclamações de sempre. "Água, preciso de água". "Não, não jogue no olho, tá inchado". "Tô, tô legal". Fico em pé mais esse round inteiro e no começo do sexto eu caio. Não vou esperar nada, no primeiro soco do sexto eu caio. Dane-se se vai ficar claro que to entregando, o trato foi no sexto, não importa quando. Quem diria que esse tonto precisaria disso. Direita boa. Será que ele precisa disso? São todos uns babacas que não conseguem nada sem a grana dos empresários. Aspira, respira. Aspira, respira. Preciso de ar. "Dá água, porra, mais água". A cara dele tá inteira. Só acertei os braços dele e uma no ombro. Será que ele sentiu? Deve ter doído. Que vontade de amassar a cara desse mauricinho. Se fossemos da mesma idade eu quebrava ele. Com essa grana ele acha que pode comprar uma carreira. Acha que pode comprar minha dor. "Tô, tô legal, consigo voltar sim". Na idade dele eu tava inteiro. Se eu não tivesse perdido aquela luta no natal. Dois empresários. Perdi os dois com aquele nocaute. No natal. Agora isso. Ainda bem que meu pai tá morto. Se visse isso ele morreria de novo. Dane-se meu pai, dane-se tudo isso. Vinte mil. É tudo que me importa aqui. Já desisti dessa carreira tem muito tempo mesmo. Lembra idiota, quando você apanhou tanto que ficou tonto uma semana? Achei que era só colocar a luva, criar músculo e bater. Boxe é pros bons e pros idiotas. Você é um idiota, filho-da-puta. Você é um idiota. Por isso tá aqui, apanhando por dinheiro. Toda vez tenho que ficar com esse remorso. Melhor ter pena de mim mesmo. Tenho pena da minha conta bancária. Ela vale cada soco desse. Preciso de vocês, dólares. Venham pra mim, eu dou toda minha cara a tapa por vocês. "Manda esse juiz pro inferno, já disse que tô bem, que vou voltar". Nunca ganhei nada batendo nas pessoas. Agora ganho pra apanhar. Ganha pra apanhar, seu maricas, como uma puta submissa. Uma puta submissa que apanha na frente de todo mundo. Tá vendo aquele velho, aquele moleque, aquele gordo? Eles pagaram pra te ver apanhar. Você tá feliz de apanhar na frente de todo mundo, vaquinha? Ah, eu vou quebrar a cara desse desgraçado. Dane-se os vinte mil, eu não nasci pra isso. Morro pobre mas não vou mais suportar isso. Você vai ser um desgraçado com a cara quebrada. "Gelo no nariz, mais". Calma, cara. Calma, esfria. A grana tá fácil. Só falta mais um round completo. No começo do sexto isso acaba. Dá pra administrar. Forte mas lento. Isso, ele é lento, se eu ficar longe das cordas eu escapo. Na idade dele eu ficaria um round inteiro sem levar nenhum. Porco, desgraçado. Eu te odeio. Eu vou estourar seu nariz. Vinte mil, vinte mil. Por trinta eu não teria tanto remorso. Vinte mil vai me servir por uns dois meses. Vou fazer alguma merda útil com esse dinheiro. Nunca mais vou apanhar desse jeito. Ninguém me bate desse jeito. Por dinheiro algum. A cara de mau que ele faz pra câmera. Deviam filmar a conta bancária do empresário dele. Ela que nocauteia os adversários. Eu preferia arrebentar a fuça do idiota e ser preso. Ter uma música feita pelo Bob Dylan. Se eu pudesse tomar uma dose. Será que ainda tem uma carreira na minha mochila? Droga, mais três minutos. Por vinte mil eu devia ter combinado um round a menos. Aquele empresário. Ainda compro uma 45 e mato ele e esse moleque com uma bala só. A outra fica pra esse velho. "Vai falar merda pra puta da tua mãe, seu desgraçado, treinador de merda". Mais um round. Eu sou homem, eu aguento mais um round. Um homem de verdade tem de saber apanhar. Saber apanhar. Sim, esses vinte mil. Depois chega. Mais um round. "Vou, vou voltar, vamo lá, porra, agora eu derrubo esse desgraçado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Soa o gongo)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-8936269979376380990?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/8936269979376380990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=8936269979376380990&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8936269979376380990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8936269979376380990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2009/07/minuto-no-corner.html' title='Minuto no corner'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SmCwdNs1p_I/AAAAAAAAAX0/x0V5aZ0EJ_o/s72-c/corner.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-7133467126784612297</id><published>2009-06-28T12:51:00.005-03:00</published><updated>2009-06-30T18:42:49.691-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário de viagem'/><title type='text'>Ponta cabeça</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SkeT5DrKs-I/AAAAAAAAAWs/6AYuzTsMKNY/s1600-h/old-town-stairs-big.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 313px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SkeT5DrKs-I/AAAAAAAAAWs/6AYuzTsMKNY/s320/old-town-stairs-big.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352409290601313250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Frio, chuva de granizo, noites bem-dormidas, fígado recomposto, muitos hqs lidos. Tempo demais à disposição. Sotaques, nomes conhecidos.&lt;br /&gt;Às vezes parece que vivo várias vidas em uma só.&lt;br /&gt;Que a mudança de latitude me faz viajar no tempo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-7133467126784612297?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/7133467126784612297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=7133467126784612297&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/7133467126784612297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/7133467126784612297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2009/06/ponta-cabeca.html' title='Ponta cabeça'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SkeT5DrKs-I/AAAAAAAAAWs/6AYuzTsMKNY/s72-c/old-town-stairs-big.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-1384601126387008462</id><published>2009-05-29T19:56:00.009-03:00</published><updated>2010-05-11T17:24:03.854-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>A demolição</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SiBo_hTGAZI/AAAAAAAAAWM/TvjUzX5VCtQ/s1600-h/demolish.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 369px; height: 354px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SiBo_hTGAZI/AAAAAAAAAWM/TvjUzX5VCtQ/s400/demolish.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341384598540910994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"- O que você quer aqui?&lt;br /&gt;- Nada, só vim olhar.&lt;br /&gt;- Não tem nada pra ver aqui."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram sete da manhã. Fazia um pouco de frio, resquício da madrugada gelada. Depois de muito caminhar pelo bairro, que mal conhecia, cheguei ao terreno disforme. Tirei o casaco e fiquei apenas com a camisa surrada. A grama estava alta, mas o espaço não era grande. Pensei que poderia resolver tudo aquilo com as mãos. Estava enganado, era um tipo de capim cortante. Logo encontrei uma enxada, naquele tempo os negócios eram mais simples, com um pouco de boa vontade se conseguia qualquer coisa. Não era dos piores lugares, só não o tinham descoberto ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira noite foi um martírio. Os cachorros latiam sem parar. O colchão velho parecia insuportável sobre a terra sem planagem, improvisada. Uma combinação desagradável que incomodaria até um insone. Para minha sorte havia o centro, os amigos, os rótulos dourados, as cartas marcadas. O coringa estava entre nós. "Hora de ir embora, ou só amanhã": após uma noite em cadeiras tão duras e pesadas sentia-se saudade de qualquer casa ou cama. Melhor, percebi o quanto fazia falta uma noite bem-dormida, e coloquei o piso e a cama como prioridades em minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez eu procurava seu rosto em meio à multidão. Durante todos aqueles anos creio que não tenha feito nada tão seriamente quanto buscar-te. A lógica era simples: em algum lugar do mundo tens que estar. Já não tinha mais certeza de como eram seus traços, pois parecia ver-te em olhos que não eram seus, em bocas que não havia beijado. Não era problema, sabia que se te achasse reconheceria prontamente. Assim como tinha certeza de que em tantos anos de busca seu rosto deixou de ser apenas isto e se transformou em um molde. Uma máscara que eu vestia nos rostos simples da multidão e que por segundos me enganava, como se houvesse servido em algum deles. Creio que desagradava ou intrigava as pessoas com meu olhar perturbado, quase mendicante, para que fossem quem não eram. Porém antes de qualquer palavra ou gesto necessário eu perdia o interesse naquele conjunto errado de olhos, narizes e bocas, e colocava-me novamente a perseguir-te até o infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as noites ao chegar em casa sentia tua presença e sorriso pela música repetida. Deitava-me contigo enquanto as ondas sonoras contornavam as mesmas curvas, e o silencioso intervalo entre as canções era o som de sua ausência. Assim até te esquecer, olhando as paredes que um dia supririam tua falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando perco a noção do caminhar da vida me pego sempre fazendo um grande esforço para recordar. Parece agora tão díficil simular estes movimentos que há certa altura eram como peixes n'água. Não confio nestas lembranças como deixei de confiar na casa, embora ambas sempre tenham sido ternas e acolhedoras. Mas agora estão mortos. É preciso fugir disso, assim como fugia sempre de casa. Era longe daquele teto, do piso desgarrado, dos móveis que para mim não tinham mais cheiro, que os fatos se sobrepunham. Bem como depois de ti todos os outros rostos me desinteressavam. Eu insisti: "Quero novas combinações: paredes de outra cor, uma boca mais vermelha, o piso, as pernas, tão lisas". E tendo ou não encontrado alguma que me agradasse, era para esta casa que eu voltava instantânea e instintivamente, cansado, moído, quando o mundo era demais pra mim. Estirava-me onde o meu corpo havia de caber e pensava em fatos distorcidos, como para me torturar com monstros feitos por mim mesmo."Deus, como pude deixar este cativeiro onde me sinto seguro. Afinal, foi aqui que te esqueci". Mas a segurança só é reconhecida pelos inseguros, e ao sair da ressaca fugia novamente: da casa, de mim e de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando terminei de construí-la, em tempos mais fáceis de serem contados, imaginei quantas lembranças aquele lugar me traria no futuro. E ao comparar hoje o que posso ter pensado do futuro daqueles tempos, tomo-me por idiota. Mas não deveria ser tão cruel comigo mesmo, isso não se faz com nenhum jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando pensei silenciosamente: "não preciso mexer em mais nada por uns dez anos", senti-me como Prometeu ao saber da extinção das aves. Passei o fim de semana em casa, torcendo para que chovesse. Apoiava as costas na parede e sentia uma espécie de carinho. Seu teto era como a presença dos pais adormecendo o filho recém-nascido. Creio que nada disso fosse pela casa em si, e muito mais por orgulho próprio, criador e criatura de tudo aquilo. Houve remorso ao enfiar o primeiro prego em suas paredes virgens. Porém não posso recordar o dia em que deixei de sentir o teu cheiro doce. De sentir-te como um abraço apenas por existir. De quando desejei estar longe de ti, e já não eras mais companhia, e sim solidão. Desejava desesperadamente ir a algum lugar onde estavam todos, algum lugar em que não fossemos mais só nós dois. Você não existia mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao te beijar pela primeira vez tudo que queria era te levar para casa. Sentir que não haveria fuga para nós dois senão no cômodo ao lado. Tinha que ser minha casa e não a sua. Eu havia de saber até onde poderias ir. Precisava saber qual cheiro era seu, meu, da casa. Quando você disse um dia, distraída, "aqui em casa", me reconciliei com todo aquele esforço de anos atrás, todo aquele emaranhado de canos, tijolos e telhas. Voltei a sentir uma mistura de cheiros agradáveis que eram tudo que eu havia feito de bom na vida: construí-la e conquistar-te. Você estava aqui, encostada nessa parede, formando uma quina que para mim era como se fosse toda a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me neste momento ingrato com cada um desses tijolos, empilhados no chão, por só lhes dar valor enquanto te envolviam. Ingrato mas não arrependido. De fato eles não fariam sentido de outra forma. Desde que vi teu rosto pela última vez tive minhas alegrias longe daquele lugar. Criei uma prisão da qual fui o carcereiro camarada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem da demolição estava certo, não havia nada para ver ali. Nada que pudessemos enxergar com os olhos do presente. A única coisa que eu gostaria de recuperar dali era a possibilidade de novamente poder te agregar àqueles escombros, e a tudo o mais que envolveu nosso triângulo. Gostaria que tudo voltasse a ser você na parede, e ruísse sob a desgastada e sonora marreta. Que fosse demolido contigo todo o caminho que percorremos. Enquanto derrubavam as paredes o cachorro do vizinho começou a latir insistentemente. Fiquei feliz por não me sentir mais parte disso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-1384601126387008462?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/1384601126387008462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=1384601126387008462&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1384601126387008462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1384601126387008462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2009/05/demolicao.html' title='A demolição'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SiBo_hTGAZI/AAAAAAAAAWM/TvjUzX5VCtQ/s72-c/demolish.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-5602399488718597075</id><published>2008-12-17T17:05:00.014-03:00</published><updated>2009-01-06T17:17:37.031-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colagens'/><title type='text'>A Brincadeira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SUldbvPzHpI/AAAAAAAAAUM/KDHNHgxdTx0/s1600-h/ostravajpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SUldbvPzHpI/AAAAAAAAAUM/KDHNHgxdTx0/s320/ostravajpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280854769189199506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quatro trechos do livro "A brincadeira", de Milan Kundera. Todas as partes são de capítulos do personagem Ludvik. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Independente dos trechos descritos, que soltos não dizem nada da história, o mote do livro me lembrou um pouco "A piada mortal", do Batman. A teoria de que um dia ruim pode mudar toda a vida de um homem.  (Aliás, o segundo lembrou o primeiro, já que este fora escrito mais de vinte anos antes).   E quando muita gente fala a mesma coisa, pode ser que seja verdade. Mesmo que o Batman não concorde.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Tomei um velho bonde de bitola estreita que percorria um caminho cheio de curvas, caminho esse que ligava entre si os distantes bairros de Ostrava, e deixei-me levar ao sabor do vento. (...) Toda essa periferia interminável de Ostrava, em que se misturaram estranhamente as fábricas e a natureza, os campos e os depósitos de lixo, os bosques de árvore e os entulhos, grandes prédios e casinhas campestres, me atraía e me perturbava de maneira extraodinária; tendo deixado definitivamente o bonde, comecei um longo caminho a pé: contemplava, quase com paixão, a estranha paisagem e esforçava-me por decifrar-lhe o sentido; procurava o nome daquilo que confere unidade e ordem a esse quadro tão disparatado; passando perto de uma casa idílica coberta de hera, percebi que ela estava em seu verdadeiro lugar aqui precisamente porque não combinava de maneira alguma com as altas fachadas repugnantes que se erguiam nas proximidades, nem tampouco com as silhuetas das escoras, das chaminés e dos altos fornos que lhe serviam de pano de fundo. (...) Essas incompatibilidades me perturbavam, não apenas porque elas me apareciam como o denominador da paisagem, mas, sobretudo, porque eu enxergava nelas a imagem de meu próprio destino, de meu exílio aqui; e, naturalmente, tal projeção de minha história pessoal na objetividade de uma cidade inteira me proporcionava uma espécie de consolação; eu compreendia que não pertencia a esse lugar, como a ele não pertenciam o chorão e a casinha coberta de hera, como a ele não pertenciam as ruas curtas que levavam a lugar nenhum, ruas compostas de construções disparatadas; eu também não pertencia a esse lugar, outrora alegremente rural, agora com essas horrendas quadras de barracos baixos, e me dava conta de que era porque eu não pertencia a esse lugar que meu verdadeiro lugar era aqui, nessa consternadora metrópole de incompatibilidades, nessa cidade cujo abraço implacável envolvia tudo o que era estranho em si." p. 71-72&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"É, agora eu via isso com clareza: a maioria das pessoas se entrega à miragem de uma dupla crença: acredita na perenidade da memória (dos homens, das coisas, dos atos, das nações) e na possibilidade de reparar (os atos, os erros, os pecados, as injustiças). Uma é tão falsa quanto a outra. A verdade se situa justamente no oposto: tudo será esquecido e nada será reparado. O papel da reparação (tanto pela vingança quanto pelo perdão) será representado pelo esquecimento. Ninguém ira reparar as injustiças cometidas, mas todas as injustiças serão esquecidas." p. 304&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"'Se as montanhas fossem de papel, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;se a água se transformasse em tinta &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e as estrelas em escribas, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;se todo o vasto mundo quisesse escrever, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ninguém chegaria ao fim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;do testamento do meu amor'&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;cantava Jaroslav, sem desgrudar o violino do peito, e eu estava feliz com essas canções (na cabine de vidro das canções), em que a tristeza não é superficial, o riso não é um rito, o amor não é risível, o ódio não é tímido, em que as pessoas amam de corpo e alma (sim, Lucie, de corpo e alma), em que a felicidade as faz dançar e o desespero faz com que se atirem no Danúbio (...). Parecia-me que no interior dessas canções se encontrava minha saída, minha marca original, o lar que eu traíra, mas que era mais ainda meu lar (já que o lamento mais pungente vem do lar traído); mas eu compreendia ao mesmo tempo que esse lar não era deste mundo (mas que lar é esse, se não é desse mundo?), que tudo o que cantávamos era apenas uma lembrança, um monumento, a conversa imaginária daquilo que não existe mais, e sentia que o chão desse lar fugia dos meus pés e que eu escorregava, com a clarineta nos lábios, na profundeza dos anos, dos séculos, numa profundeza sem fundo (onde amor é amor e dor é dor), e pensava com espanto que meu único lar era justamente essa descida, essa queda, indagadora e ávida, e abandonava-me a ela e à volúpia de minha vertigem." p. 324-325&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Compreendi que me era impossível anular minha própria brincadeira, quando eu mesmo e toda minha vida estamos incluídos numa brincadeira muito maior (que me suplanta) e totalmente irrevogável". p. 298-299&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;KUNDERA, Milan. A brincadeira. São Paulo: Círculo do Livro, [1988].&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-5602399488718597075?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/5602399488718597075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=5602399488718597075&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5602399488718597075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5602399488718597075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/12/resumo-de-livro-brincadeira.html' title='A Brincadeira'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SUldbvPzHpI/AAAAAAAAAUM/KDHNHgxdTx0/s72-c/ostravajpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-1972189373321405894</id><published>2008-12-11T16:58:00.002-03:00</published><updated>2008-12-11T17:18:10.749-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relatos'/><title type='text'>Nomadismo pt. II</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.psg.com/%7Ewalter/aracaju2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 261px; height: 170px;" src="http://www.psg.com/%7Ewalter/aracaju2.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O começo de toda experiência de convivência é uma mistura de sentimentos bons e ruins. A intensidade deve variar de acordo com cada personalidade, mas um pouco de ambos é provável que a maioria sinta. Em todo caso fico com dor na consciência ao fazer afirmações por terceiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  primeiro grande choque é causado pela falta de referências. Impressiona-me a necessidade de buscar sentido nas coisas. Nas ruas, na cor do asfalto, um nome na placa, uma árvore em uma esquina. Tudo aquilo que carrego como lembrança do que foi pano de fundo pra qualquer coisa, uma caminhada que seja, parece muito mais cheio de vida, portanto mais importante, do que o novo mundo que desperta (e justamente isso me faz pensar que o título "nomadismo" não é correto. Isso difere completamente do nômade, onde não há raiz alguma e não se pretende criar). Quando me lembro de um fato qualquer nem sempre presto a devida atenção à paisagem que o circunda, senão uma mistura de cores e formas como em segundo plano. Basta, no entanto, mudar o foco para que o lugar pareça o único culpado por tudo que vivemos. Essa necessidade de situação parece parte de um jogo. Uma disputa onde você tem de provar a si mesmo que se um novo lugar pode te oferecer algo, ou se você está ali por algum motivo, por sua vontade, é bom que valha a pena, pois você sempre terá um lugar (melhor) que lhe faz (mais) sentido - uma postura arrogante que mesmo combatida fica martelando, como se tivesse vida própria. A contradição - ao mesmo tempo o motor - reside justamente no fato de que essa necessidade de atribuir importância a algo que foge do sentido prático da vida é o que gera a constante expectativa por um novo horizonte. Uma nova medida, uma nova mistura, um novo preparo. E essa possibilidade de se criar sempre um novo particularismo em algum canto do mundo é o que dá toda a emoção. E o que faz tudo acontecer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-1972189373321405894?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/1972189373321405894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=1972189373321405894&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1972189373321405894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1972189373321405894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/12/nomadismo-pt-ii.html' title='Nomadismo pt. II'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-2272551242058247756</id><published>2008-12-09T15:33:00.006-03:00</published><updated>2008-12-09T18:02:10.144-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relatos'/><title type='text'>Lost in admiration - Happy birthday</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/ST66dGjVmKI/AAAAAAAAAQ0/CtBAsf5fscI/s1600-h/sg1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 313px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/ST66dGjVmKI/AAAAAAAAAQ0/CtBAsf5fscI/s320/sg1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277860822462601378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Ainda não comprei o presente)&lt;/span&gt; - Não era pra ser personalista. Nem pra ter nada sentimental por aqui (como sugere o nome do blog). Mas como não sou lá muito de seguir regras, nem as minhas, vai uma homenagem (mixuruca) à pessoa mais louca que eu poderia encontrar para dividir a maluquice que é viver essa vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: center;"&gt;When I see you sky as a kite&lt;br /&gt;As high as I might&lt;br /&gt;I can't get that high&lt;br /&gt;The how you move&lt;br /&gt;The way you burst the clouds&lt;br /&gt;It makes me want to try&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When I see you sticky as lips&lt;br /&gt;As licky as trips&lt;br /&gt;I can't lick that far&lt;br /&gt;But when you pout&lt;br /&gt;The way you shout out loud&lt;br /&gt;It makes me want to start&lt;br /&gt;And when I see you happy as a girl&lt;br /&gt;That swims in a world of magic show&lt;br /&gt;It makes me bite my fingers through&lt;br /&gt;To think I could've let you go&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And when I see you&lt;br /&gt;Take the same sweet steps&lt;br /&gt;You used to take&lt;br /&gt;I say I'll keep on holding you&lt;br /&gt;My arms so tight&lt;br /&gt;I'll never let you slip away&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And when I see you kitten as a cat&lt;br /&gt;Yeah as smitten as that&lt;br /&gt;I can't get that small&lt;br /&gt;Tthe way you fur&lt;br /&gt;The how you purr&lt;br /&gt;It makes me want to paw you all&lt;br /&gt;And when I see you happy as a girl&lt;br /&gt;That lives in a world of make-believe&lt;br /&gt;It makes me pull my hair all out&lt;br /&gt;To think I could've let you leave&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And when I see you&lt;br /&gt;Take the same sweet steps&lt;br /&gt;You used to take&lt;br /&gt;I know I'll keep on holding you&lt;br /&gt;In arms so tight&lt;br /&gt;They'll never let you go&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: left;"&gt;The Cure - High. Que é como ela me deixa. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-2272551242058247756?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/2272551242058247756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=2272551242058247756&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2272551242058247756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2272551242058247756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/12/lost-in-admiration-happy-birthday-im.html' title='Lost in admiration - Happy birthday'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/ST66dGjVmKI/AAAAAAAAAQ0/CtBAsf5fscI/s72-c/sg1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-7175865574280688392</id><published>2008-12-05T16:56:00.007-03:00</published><updated>2008-12-05T19:46:58.005-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relatos'/><title type='text'>Nomadismo cartesiano</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://tbn0.google.com/hosted/images/c?q=f06e39675b562203_landing"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 411px; height: 600px;" src="http://tbn0.google.com/hosted/images/c?q=f06e39675b562203_landing" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Primeiro foi a cidade entrecortada pelo tímido ribeirão. Depois outra, cortada por dois grandes rios. Na primeira, tudo era surpresa. Pela manhã a vida parecia fazer algum sentido. O esboço de cores começou a ser perceptível e o gosto era quase familiar. Os quarteirões eram grandes, gigantes, quase inimagináveis. O mundo. Rapidamento, no entanto, foram diminuindo, diminuindo. Até que eu já não os via mais, apenas o horizonte. A segunda cidade foi o lugar de viver. Ali, tudo foi colocado a prova. Percebi que os gostos e as cores não eram bem assim, mas talvez não tenha descoberto o que poderiam ser. Quando eu olhava para os lados, pra cima, pra baixo, havia sempre algo. Não havia mais horizonte apenas a lembrança e a esperança. A cidade do pequeno ribeirão foi a manhã e a dos dois rios foi a noite. Chegou então a hora de viver a tarde, ver o pôr-do-sol, e para isso eu precisava do mar como paisagem. Agora é a vez da cidade abaixo do nível das águas. Onde os rios desembocam, onde nenhum ribeirão poderia chegar, embora nasça para que suas águas, ainda poucas, alcancem, um dia, o oceano onde se perderão e mudarão de sabor. Tomarão a força das ondas, conhecerão o mundo todo sem se preocupar com o tempo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A primeira era a cidade da descoberta. A gênese da consciência. O nascimento biológico da espécie. A segunda era a cidade do conhecimento. O choque das idéias desconhecidas. O nascimento do homem. A revolta e a amargura. O amanhecer sem lembranças. O frio. Solto nas noites de possibilidades quase infinitas, travei comigo mesmo a busca pelo equilíbrio entre corpo e alma, e percebi que apenas o primeiro sobreviveria. Não havia então nada mais a procurar, pois não existiam segredos. Tudo era vida e tudo era possível. Depois da vida e do conhecimento, chegou a hora de buscar o amor. Existe sempre uma razão exata - ou seria desculpa? - para mover as engrenagens de minhas perspectivas, rodar o motor do destino. Traçado por linhas que faço de acordo com idéias, mais ou menos concebidas, em momentos que não se sabem até quando vão durar. O que consola é haver o futuro. Como se depois do primeiro passo soubesse que posso andar até o fim da linha ou quebrar o pé no segundo movimento, mas que independente disso, algo sempre vai acontecer. Se a linha é reta ou curva também não sei. Ando olhando para baixo. O que sei é que de alguma forma, mudando de uma hora pra outra, eu vou rodando, girando, sem cair. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Irônico que do âmago de todas as mudanças meio desordenadas surge um movimento quase cartesiano. Um esquema de classificação que pareceria óbvio, se houvesse uma raiz: a vida; a consciência; o conhecimento; a dúvida; o amor; e uma nova consciência. Não sei quais serão os próximos atos. Nessa peça, assim como um espectador, só dou notícias daquilo que passou. Se vou aplaudir ou vaiar, prefiro aguardar o fim do espetáculo. O importante, no entanto, não é a reação. É ter vindo e encontrado um bom lugar onde possa admirar, com um pouco de contemplação e alguma distração, todo o desenrolar dessa trama desordenada que parece ter sido escrita por um iniciante, e dirigida por um experimentalista não muito sóbrio.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-7175865574280688392?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/7175865574280688392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=7175865574280688392&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/7175865574280688392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/7175865574280688392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/12/nomadismo-cartesiano.html' title='Nomadismo cartesiano'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4480105311379529098</id><published>2008-11-20T13:50:00.010-03:00</published><updated>2008-11-21T17:05:11.466-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relatos'/><title type='text'>Porto novo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SSWXkIbOSdI/AAAAAAAAAQc/tDLghogTQvE/s1600-h/desert1_OPT.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 133px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SSWXkIbOSdI/AAAAAAAAAQc/tDLghogTQvE/s200/desert1_OPT.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270785585899784658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;TRÂNSITO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e quando tudo ficou claro&lt;br /&gt;à minha frente&lt;br /&gt;um certo momento, de repente&lt;br /&gt;estava mudo o Mar&lt;br /&gt;jovem como o tempo&lt;br /&gt;em que tudo era&lt;br /&gt;liberdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SSWYJjNFEjI/AAAAAAAAAQk/Mto5rJgZ-qU/s1600-h/Pass.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 131px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SSWYJjNFEjI/AAAAAAAAAQk/Mto5rJgZ-qU/s200/Pass.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270786228743377458" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;OUTRO DIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;seu tempo era outro&lt;br /&gt;não sabia que chegava&lt;br /&gt;a partida&lt;br /&gt;o que fica: do tamanho&lt;br /&gt;do Oceano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SSWYuuL3u-I/AAAAAAAAAQs/DtJ3z3WpYBs/s1600-h/Bike_Sea_L2.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 120px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SSWYuuL3u-I/AAAAAAAAAQs/DtJ3z3WpYBs/s200/Bike_Sea_L2.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270786867346258914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;SUPERTIÇÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pode ser que dê azar&lt;br /&gt;correr sempre&lt;br /&gt;na direção do vento&lt;br /&gt;se a sorte está do outro lado&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4480105311379529098?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4480105311379529098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4480105311379529098&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4480105311379529098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4480105311379529098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/11/porto-novo.html' title='Porto novo'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SSWXkIbOSdI/AAAAAAAAAQc/tDLghogTQvE/s72-c/desert1_OPT.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-179236103008340037</id><published>2008-10-29T22:25:00.005-03:00</published><updated>2008-10-29T23:13:40.497-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relatos'/><title type='text'>Orange Colored Sky</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SQkN0cK9ryI/AAAAAAAAAP8/tMQ7hNLMWwA/s1600-h/1183532520.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 284px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SQkN0cK9ryI/AAAAAAAAAP8/tMQ7hNLMWwA/s400/1183532520.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262752834125672226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que eu mais gostava em São Paulo? Os bares. A profusão deles, os azuleijos, o fato de serem quase todos iguais - porque não há nada pior do que entrar em um bar sem saber muito bem como ele funciona, se o garçom vem na mesa, se você pede no balcão, que horário tem comida, etc. Sendo todos iguais não tinha erro, você sempre estava em casa em qualquer um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não gostava? Principalmente de fatores ligados a locomoção. Os motoristas que não dão seta nunca, o trânsito dos pedrestres vagarosos no centro, a impossibilidade de se ir a pé a muitos lugares - o que eu geralmente ignorava. Mas na boa, nada tão sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, valeu a todo mundo. Vocês me ajudaram a construir nesses sete anos uma vida, no mínimo, mais eclética do que eu poderia imaginar quando cheguei aqui. E foi foda pra caralho.&lt;br /&gt;Boa sorte pra todos vocês.&lt;br /&gt;Ah, e dêem notícias, seus putos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-179236103008340037?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/179236103008340037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=179236103008340037&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/179236103008340037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/179236103008340037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/10/orange-colored-sky.html' title='Orange Colored Sky'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SQkN0cK9ryI/AAAAAAAAAP8/tMQ7hNLMWwA/s72-c/1183532520.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4461335557465232769</id><published>2008-08-26T20:57:00.005-03:00</published><updated>2008-08-26T22:02:25.707-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amorfos'/><title type='text'>A descoberta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SLSlUcio-_I/AAAAAAAAAN4/6LWDtqo2EPU/s1600-h/02-01-07_2121.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SLSlUcio-_I/AAAAAAAAAN4/6LWDtqo2EPU/s320/02-01-07_2121.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238994037216181234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subiu um cheiro de enxofre.&lt;br /&gt;Pelos meus pés passava larva e fogo.&lt;br /&gt;Mas ainda não fazia sentido.&lt;br /&gt;Via tridentes, abismos, crânios.&lt;br /&gt;Tudo ficava cada vez mais confuso.&lt;br /&gt;Então fugi e fiquei só.&lt;br /&gt;Passei muito tempo comigo mesmo.&lt;br /&gt;E aí eu tive certeza: estava no inferno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4461335557465232769?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4461335557465232769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4461335557465232769&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4461335557465232769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4461335557465232769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/08/descoberta.html' title='A descoberta'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SLSlUcio-_I/AAAAAAAAAN4/6LWDtqo2EPU/s72-c/02-01-07_2121.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4498271673544083822</id><published>2008-08-05T23:13:00.005-03:00</published><updated>2010-10-18T17:43:39.378-03:00</updated><title type='text'>A competição</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SJkKXFgZITI/AAAAAAAAANQ/5t51ghzYaBo/s1600-h/0187+City+Streets.preview.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231223833898852658" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SJkKXFgZITI/AAAAAAAAANQ/5t51ghzYaBo/s320/0187+City+Streets.preview.jpg" style="cursor: pointer; float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caminhada esbaforida, passos atropelados, porém medidos e precisos. A jornada matinal para o trabalho era sempre assim. Uma maratona contra si mesmo. Reflexos apurados para evitar pequenas colisões. Atenção dobrada. Buracos no trajeto calculadamente ignorados. Não era atleta nem revoltado. Essa era sua mania, e mal via uma calçada, colocava-se em marcha ininterrupta e acelerada até que a jornada chegasse ao fim. Perto ou longe, era o de menos. A prontidão para a pressa dos passos era indiferente à distância. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tensos e emocionantes eram os dias em que encontrava maníaco semelhante ou orgulhoso à altura. A jornada triunfante contra pedestres lentos e estabanados, facilmente esquecidos à poeira do passado, era interrompida quando se dava conta de que depois de um ou dois quarteirões ainda via a mesma silhueta no soslaio do olhar. A primeira atitude era a de desconfiança das qualidades do estranho. Fosse apenas bom de arrancada ou impulsão não agüentaria poucos metros depois de aberto o sinal, e seria não mais que um fácil divertimento, abatido com a destreza profissional do caminhante veloz. Tal fato muitas vezes se realizava. Noutras transformava-se num equívoco. Aconteciam casos em que além de bom largador, o oponente tinha um ritmo forte e compassado. Era como ele, e então dado sinal verde estavam ambos imersos em uma competição particular, silenciosa e sem limites pré-estabelecidos, obedecendo a regras inconscientemente coletivas, como não correr nem pegar atalhos. Constantemente se separavam em diferentes guias para que a competição não corresse o risco do corpo a corpo. Não se olhavam diretamente e não conheciam o rosto do oponente. Apenas um referencial mantinha a disputa sob controle. Em geral, a roupa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nem sempre era possível andar nesse ritmo olhando para o lado, a melhor forma de controlar o passo alheio eram os semáforos. Mas diferentemente dos ralis, onde quem chega antes a um ponto determinado acumula tempo em crédito, nesta disputa não se ganhava nada chegando primeiro à parada obrigatória. Ao contrário, chegar depois poderia ser parte da estratégia. O que importava de fato era o destino final, desconhecido pelo oponente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não raro, por estarem em guias paralelas, saíam do campo visual do outro. Eram momentos de apreensão, pois qualquer um poderia desistir em tal circunstância, sob o falso argumento de ter chegado ao ponto final. A surpresa do reencontro era um daqueles momentos em que, oprimidos por fatores externos, oponentes e até rivais se unem, se admiram, e mantém certa dose de companheirismo. Todavia, os nobres sentimentos não diminuíam o ritmo dos passos. O caminho fechado por pedestres lentos e estabanados era motivo de raiva, exaltação, porém nunca de protesto. Afinal era parte do jogo, e tal infortúnio era proporcionalmente suscetível a ambos, sendo, portanto, ditado pela sorte. A sorte, condição inerente a qualquer competição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chegada podia tanto ser um momento de apreensão, êxtase, e adrenalina, como a imersão em uma injustiça e uma incerteza. Caso nosso passante chegasse ao trabalho, ou visse o desafiante entrando antes em um estabelecimento qualquer, dissipava-se aquela tensão de músculos, e o estado de alerta e atenção. Era como uma pequena morte. Faltando, em ambas situações, alguns ou muitos passos, os músculos relaxavam e o andar se tornava lento e preguiçoso. A meta estava cumprida e ganhar ou perder , doloroso que fosse, não era tão recompensante quanto chegar ao fim. Noutros casos o infortúnio os levava por diferentes vias. Esse era o pecado do acaso. Tudo havia sido em vão, e nada poderia ser mudado. O sentimento de algo inacabado corroia o cérebro e a carne. Uma perplexidade consumia-o, fazendo com que diante das injustiças do destino, acelerasse ainda mais o passo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4498271673544083822?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4498271673544083822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4498271673544083822&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4498271673544083822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4498271673544083822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/08/competio.html' title='A competição'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SJkKXFgZITI/AAAAAAAAANQ/5t51ghzYaBo/s72-c/0187+City+Streets.preview.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-5827739368953612975</id><published>2008-06-30T21:09:00.008-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:43.400-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Éden</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SGl5oE4pNsI/AAAAAAAAAL4/0SDAZ0_CWmc/s1600-h/Eden.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 267px; height: 276px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SGl5oE4pNsI/AAAAAAAAAL4/0SDAZ0_CWmc/s400/Eden.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217835372698482370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sua casa ficava no alto da colina, um lugar onde a grama sempre amanhecia molhada e verde, mesmo no inverno mais rigoroso. Era uma casa branca, um pouco gasta pelo tempo, o que lhe conferia um aspecto levemente amarelado nas áreas próximas ao chão. Nada que a inutilizasse. Nada que fizesse de seus moradores pessoas infelizes. Mas Alcides, morador no singular, apesar de não se considerar totalmente infeliz, considerava-se no lugar errado. Depois de uma vida absurdamente mediana e mais pra tediosa do que aventureira, uma esposa abandonada e outra perdida, encontrou-se sozinho no alto da colina. Nos primeiros tempos, reclamava da falta de quem cozinhasse, e isso era a única coisa negativa que saía de sua boca de viúvo. A cidade crescia a passos largos, e cada vez menos gente conhecia Alcides, outrora amigo de todos. Na velhice se reservou a seu exílio no alto da colina. Até o dia que se convenceu que precisava sair dali.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O "Amigos da Tristeza" ficava em um prédio há muito cedido pela prefeitura, onde outrora era o matadouro da cidade. Fizeram algumas reformas, instalaram banheiros e paredes. Apesar de sua estrutura questionável, recebia gente de todas as cidades próximas, já que na redondeza não havia muitas casas de repouso como aquela. Em resumo, cabia muita gente, por isso ia muita gente pra lá. Em tempos mais remotos, quando as crianças eram livres e tinham o diabo no corpo, era comum vê-las escalando os muros, não tão altos, para insutar ou jogar pedras nos pouco queridos moradores. Foi na administração Alcides como diretor do manicômio que os muros cresceram, que alguns quartos ganharam grades, e o banho de sol manteve sol apenas o nome, já que este não mais entrava no pátio de cimento e bancos de escola que não eram mais aproveitados. Tudo, segundo dizem, pela segurança dos moradores. Não se sabe exatamente de quais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa quarta de manhã, quando o sol ardia e fazia brilhar o asfalto, Alcides fez as malas. Não pegou muita coisa, somente algumas roupas mais aproveitáveis, e se dirigiu à porta do Amigos da Tristeza. Entrou e foi saudado pela secretária, que apesar de não ser de sua época, o conhecia pelo quadro de antigos diretores. Deixou a mala sobre a cadeira, e pediu que chamassem a equipe de inspeção, enquanto abria a mala para mostrar que tal atitude seria mera formalidade. A secretária ficou confusa, nunca havia acontecido até então um caso de internação voluntária. Ela tentou destitui-lo da idéia, mas perdeu a paciência e mandou me chamar. Eu era o médico responsável por aquele turno e já tinha visto Alcides pessoalmente em um ou outro evento na cidade. Ele me disse que estava louco e que exigia ser internado. Expliquei-lhe questões administrativas, que não poderíamos aceitar alguém naquelas condições (de sanidade), que sofríamos com falta de vagas, etc. Mandou que me calasse, pois ninguém melhor que ele conhecia as regras da instituição, muitas delas instituídas pelo próprio. Era um argumento inquestionável, o que não mudava a resposta. Disse que não, e pedi que saísse dali antes que eu fosse obrigado a pedir que alguém o retirasse. Em um gesto que provava sua perfeita saúde mental, fechou a mala e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo era dia de visitas. Formava-se uma tímida fila na porta do manicômio, onde se verificava a cesta ou sacola de cada pessoa. Mera burocracia. Alcides apareceu, de óculos escuro e chapéu. Disse ao segurança que queria visitar José da Silva. Por certo, imagino eu, deve ter pensado que havia alguém com um nome tão comum. Não havia, e como tinha certeza de seu plano, insistiu ao segurança que o deixasse entrar, que ele o encontraria. Essa era outra cena inédita, e sem saber o que fazer perante um senhor inofensivo, o segurança mandou confirmar se havia algum José da Silva. No meio da confusão, Alcides entrou. Correu ao quarto 42, um daqueles que ele tinha colocado grades, deitou-se, e ali ficou. Só deram conta de que havia um intruso quando o dono da cama foi reclamar que não tinha onde dormir. Mandaram novamente me chamar. Entrei no quarto e o encontrei na cama. Fingia que dormia, mas fingia mal. Coloquei a mão em seu ombro e disse: O que o senhor está fazendo?/ Eu estou louco, logo, aqui é meu lugar./  O senhor não está louco, está perfeitamente são. Essa cama é de outra pessoa, e ele precisa descansar./ Pois que arrume outro lugar para ficar. A partir de agora, este é meu./ Seu Alcides, eu compreendo que o senhor seja solitário, que passar a velhice numa casa isolada no alto da colina não seja ideal, mas o não pode ficar aqui. Por que não procura uma casa no centro, ou visita alguns parentes?/ E quem é que está falando de solidão? Eu não me importo com isso, e nada disso que você disse é problema. Eu só estou louco, tenho certeza disso, e portanto aqui é o meu lugar./ O senhor nunca ouviu dizer que um louco sempre acha que não está louco?/ E que culpa tenho eu se esses loucos por aí são todos loucos? Eu tenho certeza de minha loucura. Aqui é o meu lugar./ Tive que chamar a segurança, e ao vê-los, levantou e foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormi pouco nas noites seguintes. Chegava sempre cedo ao trabalho, pois sabia que Alcides estaria na porta, esperando que abrissem para que ele fosse internado. E eu preferia lidar pessoalmente com a situação a expor meus empregados, que poderiam se exaltar ou chamar a polícia. Dia sim, dia não, ele estava lá. "E então senhor, será que posso exercer nesta ensolarada manhã o meu direito de internação?". Pois com uma ou duas palavras minhas, geralmente "fique louco primeiro", ele desistia de insistir e ia embora. Num sábado a noite me encontrava no centro da cidade. Havia saído para tomar algo, quando da mesa em que me encontrava, vi Alcides. Ele havia adotado outra tática. Passava por estabelecimentos cheios de gente, pedia a atenção de todos, dizia então algo como "Atenção, senhoras e senhores. Peço por favor um minuto da atenção dos senhores. Gostaria de denunciar aqui uma situação de insjutiça à qual tenho sido submetido. Encontro-me, como pode saltar a vista de todos, em pleno estado de demência mental. A loucura crônica domina-me o cérebro. Não posso mais conviver pacificamente com isto. Quando, no entanto, procuro ajuda em nosso renomado manicômio, o qual trabalhei e dediquei boa parte de minha vida, não sou aceito. É como ser rejeitado por um filho". As pessoas faziam troça, chamavam-no de louco, o que o enchia de orgulho. Pedia que assinassem um documento para sua internação, o qual submeteria à prefeitura. As mesmas pessoas que o chamavam de louco, no entanto, se recusavam a assinar, e ele saía cabisbaixo e triste. Logo chegava a outro local, se enchia novamente de ânimo, e repetia o discurso. Acompanhei-o de longe por toda a noite. Vi quando, já tarde da noite, com a cidade vazia, guardou os papéis na mala. Andou até o manicômio, parou, e ficou olhando por quase meia hora. Imóvel. Tirou então da mala um casaco, vestiu, e dirigiu-se a sua casa. Pensei em abordá-lo antes de entrar, mas achei que não era a situação apropriada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, um domingo calmo e silencioso, fui até sua casa. Não sei bem o que me levou a isto, era como ir atrás do problema, mas a situação estava se tornando cansativa, e eu precisava resolvê-la. Bati à porta e ele me atendeu. Estava muito bem vestido, como quem pretendia sair. "Quando Maomé não vai até a montanha...", foi o que ele disse ao entrar. Me ofereceu um café, o qual aceitei e me espantou a maestria com que havia sido preparado. Perguntei se ele mesmo havia feito, ele disse que sim.  Parabenizei-o, ele corou um pouco e disse que era uma de suas especialidades. Fui então direto ao assunto: O que o senhor pretende com tudo isso?/ Meu filho, você trabalha com isso a pouco tempo, ainda não sabe diagnosticar um louco./ Por favor, o senhor sabe melhor que ninguém que não está louco, por quê quer entrar naquele inferno de onde todos querem sair?/ Pois se tem alguém que quer sair, tire-o, e me coloque no lugar./ Muita gente teme que o senhor volte achando que ao invés de interno, ainda é o diretor./ Não me tomem como um tirano em busca de poder. Não é isso que quero. Só quero me instalar no lugar que acho devido, a vida toda lutei para que os loucos ficassem no manicômio, e agora é a minha vez./ Mas o senhor sabe que não está louco. Acredito que no máximo esteja sozinho./ Sozinho eu sempre fui, isso não é problema. Estou louco mesmo. Sei disso. Já não penso como antes, as coisas já não me fazem sentido./ Se isso fosse motivo, todos nós deveríamos ser internados./ Ah, meu filho, mas quem sou eu para julgar a loucura dos outros?/ O ex-diretor./ Não, eu não julgava nada. Eu acatava papéis, e tentava fazer as coisas ficarem boas para todos os lados. Claro que sempre tinha alguém insatisfeito./ Sim, sua administração foi muito contestada, mas isso não vem ao caso./ Não, não vem. Mas todos me tomavam como repressor, e existe maior repressão do que se sentir louco e não poder exercer esse direito?/ O que o senhor propõe é uma liberdade utópica, a liberdade de ser preso, e nós sequer resolvemos o problema da liberdade real./ Meu jovem, eu acordo toda manhã e sinto que a única coisa que tenho a fazer é esperar a morte. Você não acha que alguém que vive nesse estado está com algum problema?/ Sim, é um problema, mas isso não é nosso problema. Tratamos pessoas em dificuldades, que não se inserem mais na sociedade./ E qual é a sociedade em que eu me insiro. No máximo poderia jogar cartas na praça, fingindo ser uma criança irresponsável. Não há escapatória para mim nem para eles, estamos todos num barco só./ Está confundindo loucura com velhice./ Não estou confundindo. É uma justaposição apenas: sou um velho louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante mais de uma semana não recebemos visita alguma de Alcides, o que me deixou ao mesmo tempo aliviado e preocupado. Não sabia se era melhor deixar a situação como estava, calma, ou se mais uma vez deveria ir atrás dele para ver o que aconteceu, correndo o risco de ter que ouvir toda aquela conversa sobre sua loucura novamente. Conhecendo as coisas terríveis que passam pela cabeça humana, achei melhor procurá-lo, aquele sumiço era demasiadamente suspeito, e a essa altura era como se tivéssemos um compromisso. Fui até sua casa pela manhã, bati a porta, e nada. Voltei pela tarde, idem. À noite, mais do mesmo. Na manhã seguinte comuniquei a polícia, e pedi que entrassem na casa, pois temia que ele pudesse estar lá dentro, sem poder responder. Acompanharam-me dois homens e uma ambulância. Arrombaram facilmente a porta com um chute. Vasculhamos a casa, e nada havia. Faltavam algumas peças de roupa no armário, o que dava a idéia de que ele tinha partido com a mala que fizera tanto tempo antes. Nada mais poderíamos fazer, já que as autoridades me disseram que não poderiam começar buscas sem que alguém as solicitasse. Disse-lhes que solicitava então eu. Mas havia de ser alguém da família e eram necessárias provas concretas de um desaparecimento, como por exemplo, incapacidade mental do procurado. Nada pude fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meses depois, o inverno já ia alto. A casa no alto da colina continuava abandonada, mas a grama ainda amanhecia molhada e verde. Rolava inclusive na prefeitura um processo para desapropriação, ao que me consta. Pois eis que nesta manhã fria, chega a minha mesa um papel, carimbo do manicômio de outra cidade, do qual recebíamos pacientes vez ou outra. Estranhei um pouco o fato, pois em geral essas questões são resolvidas por outras pessoas que não eu, mas com naturalidade abri o envelope. Era um pedido de transferência. O mesmo texto padrão de sempre, mas quem o leu antes de mim circulou o nome, para que eu evitasse perder tempo. Alcides. Sua nova cartada era, de fato, a melhor de todas. Digna de quem conhecia como ninguém os trâmites burocráticos das instituições. Dificilmente se rejeita uma trasnferência, quando feita em determinados períodos. Mas ainda não era o suficiente. Falei sozinho um "me desculpe, meu caro", e recusei. Chegaram ainda três ou quatro pedidos, uma freqüência aproximada de dois por ano. Todos negados por mim, até o dia que não vieram mais. Não soube o motivo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-5827739368953612975?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/5827739368953612975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=5827739368953612975&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5827739368953612975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5827739368953612975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/06/den.html' title='Éden'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/SGl5oE4pNsI/AAAAAAAAAL4/0SDAZ0_CWmc/s72-c/Eden.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-5622208358550425197</id><published>2008-06-23T12:31:00.005-03:00</published><updated>2008-06-23T12:39:26.647-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colagens'/><title type='text'>Revolução Francesa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.primeiralinha.org/imagens5/paris2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px;" src="http://www.primeiralinha.org/imagens5/paris2.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;OS OLHOS DOS POBRES&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quer saber por que a odeio hoje? Sem dúvida lhe será menos fácil compreendê-lo do que a mim explicá-lo; pois acho que você é o mais belo exemplo da impermeabilidade feminina que se possa encontrar. Tínhamos passado juntos um longo dia, que a mim me pareceu curto. Tínhamos nos prometido que todos os nossos pensamentos seriam comuns, que nossas almas, daqui por diante, seriam uma só; sonho que nada tem de original, no fim das contas, salvo o fato de que, se os homens o sonharam, nenhum o realizou. De noite, um pouco cansada, você quis se sentar num café novo na esquina de um bulevar novo, todo sujo ainda de entulho e já mostrando gloriosamente seus esplendores inacabados. O café resplandecia. O próprio gás disseminava ali todo o ardor de uma estréia e iluminava com todas as suas forças as paredes ofuscantes de brancura, as superfícies faiscantes dos espelhos, os ouros das madeiras e cornijas, os pajens de caras rechonchudas puxados por coleiras de cães, as damas rindo para o falcão em suas mãos, as ninfas e deusas portando frutos na cabeça, os patês e a caça, as Hebes e os Ganimedes estendendo a pequena ânfora de bavarezas, o obelisco bicolor dos sorvetes matizados; toda a história e toda a mitologia a serviço da comilança. Plantado diante de nós, na calçada, um bravo homem dos seus quarenta anos, de rosto cansado, barba grisalha, trazia pela mão um menino e no outro braço um pequeno ser ainda muito frágil para andar. Ele desempenhava o ofício de empregada e levava as crianças para tomarem o ar da tarde. Todos em farrapos. Estes três rostos eram extraordinariamente sérios e os seis olhos contemplavam fixamente o novo café com idêntica admiração, mas diversamente nuançada pela idade. Os olhos do pai diziam: "Como é bonito! Como é bonito! Parece que todo o ouro do pobre mundo veio parar nessas paredes." Os olhos do menino: "Como é bonito, como é bonito, mas é uma casa onde só entra gente que não é como nós." Quanto aos olhos do menor, estavam fascinados demais para exprimir outra coisa que não uma alegria estúpida e profunda. Dizem os cancionistas que o prazer torna a alma boa e amolece o coração. Não somente essa família de olhos me enternecia, mas ainda me sentia um tanto envergonhado de nossas garrafas e copos, maiores que nossa sede. Voltei os olhos para os seus, querido amor, para ler neles meu pensamento; mergulhava em seus olhos tão belos e tão estranhamente doces, nos seus olhos verdes habitados pelo Capricho e inspirados pela Lua, quando você me disse: "Essa gente é insuportável, com seus olhos abertos como portas de cocheira! Não poderia pedir ao maître para os tirar daqui?" Como é difícil nos entendermos, querido anjo, e o quanto o pensamento é incomunicável, mesmo entre pessoas que se amam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nesse frio, só Baudelaire)&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://br.geocities.com/edterranova/baudelapoesias4.htm" style="text-decoration: none;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);font-size:85%;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-5622208358550425197?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/5622208358550425197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=5622208358550425197&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5622208358550425197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5622208358550425197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/06/revoluo-francesa.html' title='Revolução Francesa'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3578016022167483237</id><published>2008-06-23T10:25:00.004-03:00</published><updated>2008-06-23T12:31:43.843-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colagens'/><title type='text'>A Freakin' Cliché</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://assets.wwf.ch/img/01_wanderalbatross_15484.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px;" src="http://assets.wwf.ch/img/01_wanderalbatross_15484.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(128, 128, 128);font-size:85%;" &gt;O ALBATROZ&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, por prazer, os homens da equipagem&lt;br /&gt;Pegam um albatroz, imensa ave dos mares,&lt;br /&gt;Que acompanha, indolente parceiro de viagem,&lt;br /&gt;O navio a singrar por glaucos patamares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão logo o estendem sobre as tábuas do convés,&lt;br /&gt;O monarca do azul, canhestro e envergonhado,&lt;br /&gt;Deixa pender, qual par de remos junto aos pés,&lt;br /&gt;As asas em que fulge um branco imaculado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes tão belo, como é feio na desgraça&lt;br /&gt;Esse viajante agora flácido e acanhado!&lt;br /&gt;Um, com cachimbo, lhe enche o bico de fumaça,&lt;br /&gt;Outro, a coxear, imita o enfermo outrora alado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Poeta se compara ao príncipe da altura&lt;br /&gt;Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar;&lt;br /&gt;Exilado ao chão, em meio à turba obscura,&lt;br /&gt;As asas de gigante impedem-no de andar.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Baudelaire, não tem jeito)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3578016022167483237?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3578016022167483237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3578016022167483237&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3578016022167483237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3578016022167483237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/06/freakin-clich.html' title='A Freakin&apos; Cliché'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-937378862267358942</id><published>2008-05-10T15:54:00.003-03:00</published><updated>2008-05-10T21:35:57.687-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Crooked Teeth</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qAHVQKD_zqU&amp;amp;hl=en"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/qAHVQKD_zqU&amp;amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Cause I built you a home in my heart,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;With rotten wood, it decayed from the start."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou em casa por volta da meia-noite, um pouco embriagado. Andou nas pontas dos pés e acendeu a luz do corredor ao invés da principal. Logo percebeu que estava sozinho em casa. Ainda não tinha se acostumado com isso. Sentou-se e acendeu um cigarro. Não fumava na sala há muito tempo. Sentiu uma espécie de liberdade vazia. Uma liberdade que não importava, que não levaria a lugar algum. De que adiantava fumar um cigarro na sala ou fazê-lo na varanda? A fumaça agora o sufocava. Abriu as janelas e olhou fundo nos olhos da cidade. Percebeu que dormia, e resmungava. Ele era o resto que ficou acordado. Como o intestino que trabalha enquanto dormimos, digerindo a comida do dia anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava sem sono, e isso estava se tornando freqüente. Tomou um sal de frutas, e assim que o estômago melhorou, pegou outra cerveja. Acendeu outro cigarro, agora sem remorso, e ficou tentando não se lembrar de certas coisas. Predominava a recordação daqueles passeios de carro em dias chuvosos, que tanto gostavam de fazer. A discussão bem-humorada sobre a música que melhor combinava com a chuva. Na falta do acordo, ia rodando o cd que estivesse no som. Era uma mistura de realidade com ficção, criou passeios que nunca existiram, mas que poderiam perfeitamente ter sido daquela maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelo terceiro quarto da cerveja começaram a lhe ocorrer alguns clichês terriveis, dos quais não conseguiu se livrar. Primeiro tomou-lhe a mente a conclusão de que não existe sorte no amor. Um rápido filme de algumas de suas histórias lhe mostrou, sem muito esforço, que existia uma porção de coisas: acaso, companheirismo, sofrimento, prazer. Tudo, menos sorte. Um relacionamento era um amálgama de coisas a serem controladas e organizadas, ao mesmo tempo em que uma anarquia de pensamentos e sentimentos se amontoavam desornadamente no dia-a-dia. E por trás de tudo estava uma vontade carnal de estar sempre perto a um corpo cheio de idéias e vontade própria. Depois, junto aos últimos tragos da cerveja, lhe ocorreu a pior das idéias, à qual tentou atribuir ao estado de embriaguez. Que a vida era como um video-game. Cheia de fases, desafios, atalhos, macetes. Percebeu então que havia perdido vidas demais na primeira fase, e agora precisaria passar pelo resto com uma mistura de cautela e pressa, se quisesse se livrar desse tipo de sentimento que o tomava agora. Mas diante da perplexidade que sentiu ao passar a madrugada pensando coisas tão idiotas foi dormir. Apagou o cérebro enquanto o fígado absorvia todo aquele álcool pro dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-937378862267358942?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/937378862267358942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=937378862267358942&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/937378862267358942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/937378862267358942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/05/crooked-teeth.html' title='Crooked Teeth'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-1123235517437948207</id><published>2008-04-29T20:04:00.000-03:00</published><updated>2008-04-29T20:05:58.842-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relatos'/><title type='text'>Pode ficar com a casa</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Yb_juTPQJUc&amp;amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Yb_juTPQJUc&amp;amp;hl=en" 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href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/04/pode-ficar-com-casa.html' title='Pode ficar com a casa'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-1628859148157474744</id><published>2008-04-07T22:27:00.002-03:00</published><updated>2008-04-07T23:05:24.436-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/TFP7ZbateUU&amp;amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/TFP7ZbateUU&amp;amp;hl=en" 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href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/04/blog-post.html' title=''/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3254888733705649745</id><published>2008-03-09T16:16:00.011-03:00</published><updated>2008-03-12T19:05:54.000-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Periódico</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.4to40.com/images/story/trojanhorse/trojan_horse.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://www.4to40.com/images/story/trojanhorse/trojan_horse.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhei um relógio dela. Não tem nada a ver comigo, mas tanto faz. Relógios são sempre iguais. Só mudam as horas. As vezes adianta, as vezes não. O telefone tocou no meio da madrugada. Era ela. Que horas são? Eu sei lá. Não está dormindo com o relógio? Prefiro dormir com o travesseiro. Então dá próxima vez te dou um travesseiro. E vai me cobrar quando me encontrar na rua e não estiver com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo pai deve ser complexado. Pensando que tudo que ensinar vai ter um reflexo posterior na personalidade. Eu não tinha esse problema. Quando perguntava algo embraçoso: é coisa de adulto. Quero ser adulto. Eu também. Não me incomodava cuidar dele à noite. Incomodava o olhar pidão querendo saber que gosto tem cerveja. Concordamos que algumas coisas que só se aprendem na prática. Ainda bem que não gostava de cheiro de cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tava muito quente aquela noite. Ela começou a falar do passado e lembrei do meu. Entrei em outro mundo e fiquei completamente sozinho. Só voltei quando ouvi um, ai, desculpa, não quis dizer isso. Tudo bem, não se preocupe. Mas estava curioso. Tentei voltar ao assunto, mas nada fazia com que repetisse. Explique melhor. Não tem o que explicar, o que você não entendeu? Deixa pra lá. Tem um monte de coisas na vida que nunca saberemos mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma Brahma. Não gosto de Brahma. E eu de Skol. Pede uma Original então. Você paga? Pago. Original. É, as vezes um real vale muito. Quanto você acha que eu valho? Como assim? Ah, você sabe, se fosse pagar por mim. Depende de onde você tivesse. Han? É, depende do ponto. Filho da mãe. E eu? Não sei o preço médio dessas coisas. Eu valeria a média? Um pouco menos. Por que, sou feio? Não, mas não é muito engraçado. Então você não quer sexo, quer companhia. Entre 8 e 80 existem 72 números. Tá certo. Deixou ele com sua mãe? Ahan. Coitado. Por que não te calas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil agradar gregos e troianos. Mas num dado momento os troianos estavam felizes com o cavalo que ganharam e os gregos felizes pela entrada do cavalo em Tróia. Sim, um momento, e logo tudo mudou. Só os gregos são felizes. Nem isso. Tróia nem existe. Nada é eterno. A Grécia ainda tá lá. Até quando? Até o Euro quebrar todo o leste europeu. Estamos desviando o assunto. Eu sei, é que é complicado. Deixa, tá calor demais. Eu vou nessa, não sei se volto. E eu não sei se estarei aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto tempo. Pois é. O que você disse aquela noite? Que noite? Aquela. Você não ouviu? Não. E eu pensei que fosse tudo por causa daquilo. Nem sei o que era. Não era nada. Olha, o relógio que te dei, é a sua cara. É, estou sempre com ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3254888733705649745?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3254888733705649745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3254888733705649745&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3254888733705649745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3254888733705649745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/03/peridico.html' title='Periódico'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4839176305851988575</id><published>2008-02-26T19:01:00.001-03:00</published><updated>2008-02-26T19:04:16.040-03:00</updated><title type='text'>FRAMMY Awards</title><content type='html'>Melhor clipe de rooock&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/io49sQnk1wU&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/io49sQnk1wU&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Documento emitido pelos jurados: Sair do Entombed por vontade própria, em qualquer circunstância, é algo completamente sem-noção. Exceto pra entrar numa banda que faça um clipe tão foda!!!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4839176305851988575?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4839176305851988575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4839176305851988575&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4839176305851988575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4839176305851988575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/02/frammy-awards_26.html' title='FRAMMY Awards'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-8713078062398597305</id><published>2008-02-20T20:56:00.002-03:00</published><updated>2008-02-20T21:39:57.839-03:00</updated><title type='text'>FRAMMY Awards</title><content type='html'>E o prêmio de melhor banda de rock'n roll vai para:  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/EHnDSTSy6N8&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/EHnDSTSy6N8&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; Documento emitido pelos jurados: Esses 4 filhos da puta foram a porcaria mais criativa que já vimos. Eram tão bons que mesmo se vestindo como idiotas ninguém ligava. Esse prêmio é mais um daqueles reconhecimentos históricos que a Academia adora conceber, para ficar com cara de benfeitora. Poderiam ter sido grandes como Zeppelin, Purple, ou qualquer outro bando de cabeludos que tenha ganhado mais dinheiro que eles. Mas é só ver as músicas horríveis que escolhiam pra gravar clipes, ou o fato de colocarem as melhores músicas em b-sides e gravações raras pra constatar que: a) eram burros, b) desorganizados, c) não estavam nem aí pro dinheiro. O mais provável, no entanto, é que tenham deixado algum empresário gordinho dono de gravadora que não entendia nada de rock cuidar da carreira deles. Mas tudo bem,&lt;i&gt;  justitia quae sera tamen&lt;/i&gt; é o lema dessa renomada instituição, e agora os rapazes não precisarão mais ser conhecidos através de covers de bandas dos anos 80.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-8713078062398597305?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/8713078062398597305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=8713078062398597305&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8713078062398597305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8713078062398597305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/02/frammy-awards.html' title='FRAMMY Awards'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-6842607750423291071</id><published>2008-01-31T21:42:00.000-03:00</published><updated>2008-01-31T21:44:57.356-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Qualquer coisa que eu fizesse aqui atualmente seria falso. Uma história, um poema, um relato auto-biográfico. Soaria falso e não seria eu. Não seria revolta, não seria tensão, seria no máximo perplexidade. Não que me sinta conformado, só me sinto distraído. Distraído para coisas que sempre me foram caras - e ainda me são. Mas é como se as velas estivessem se apagando, e ainda não tivessem trazido as novas. Preciso reencontrar aos poucos as luzes, as músicas, o excesso. Assim as palavras não precisariam de uma armadilha para serem pegas. O esforço talvez causasse um ou outro lampejo, algumas boas articulações. Não, isso não interessa. É preciso estar imerso nessa lógica absurda que se pensa vivendo. É preciso apertar no peito e nos braços o que se diz. Sinto-me como o punhal de Borges, ou como se encostasse numa panela quente e não tivesse reação, ao invés de virá-la com toda a comida sobre o fogão. Talvez ainda um tigre que fica na espreita de seus inimigos, mas ao invés de atacá-los, continua escondido, sentindo uma espécie de raiva inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justifico o que não é necessário, não como consolo. Um passo. Não de bebê, que está aprendendo, mas como um recém-acidentado, que está aprendendo o que julgava saber. E aí descobre o óbvio, que não se sabe nada, apenas se faz. Se alguma coisa entra em seu caminho, e isso é tudo, empaca. Empaca como um porco na lama, vítima do seu próprio peso. Mas não é vomitando a gordura que ele sai de lá, é usando a força que ela proporciona. Auto-ajuda barata. Foda-se.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-6842607750423291071?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/6842607750423291071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=6842607750423291071&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6842607750423291071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6842607750423291071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/01/qualquer-coisa-que-eu-fizesse-aqui.html' title=''/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4298832967586767602</id><published>2008-01-27T13:38:00.000-03:00</published><updated>2008-01-27T13:49:12.384-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colagens'/><title type='text'>O punhal</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg"&gt;&lt;img src="http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;Numa gaveta há um punhal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi forjado em Toledo, em fins do século passado; Luis Melián Lafinur deu-o a meu pai, que o trouxe do Uruguai; Evaristo Carriego teve-o uma vez na mão.&lt;br /&gt;Os que o vêem tem de brincar um pouco com ele; percebe-se que há muito o buscavam; a mão se apressa em apertar o punho que a espera; a lâmina obediente e poderosa folga com precisão na bainha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O punhal outra coisa quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais que uma estrutura feita de metais. Os homens o pensaram e o formaram para um fim muito preciso; é, de algum modo, eterno, o punhal que na noite passada matou um homem em Tacuarembó, e os punhais que mataram César. Quer matar, quer derramar brusco sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa gaveta da secretária, entre borradores e cartas, interminavelmente sonha o punhal seu singelo sonho de tigre, e a mão se anima quando o dirige porque o metal se anima, o metal que em cada contato pressente o homicida para quem os homens o criaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, dá-me pena. Tanta dureza, tanta fé, tanta impassível ou inocente soberba, e os anos passam, inúteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Jorge Luís Borges, autor que, junto com Kafka, pego emprestado e não devolvo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4298832967586767602?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4298832967586767602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4298832967586767602&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4298832967586767602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4298832967586767602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/01/o-punhal.html' title='O punhal'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-2567526505338657484</id><published>2008-01-19T23:00:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:44.020-03:00</updated><title type='text'>É mesmo!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/R5KsB1Q8krI/AAAAAAAAAIk/UV0b9u-4TlU/s1600-h/thosefukkin.jpg"&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/R5KsB1Q8krI/AAAAAAAAAIk/UV0b9u-4TlU/s400/thosefukkin.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5157373670770643634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FF diz:&lt;br /&gt;qnd vc esta tipo&lt;br /&gt;FF diz:&lt;br /&gt;andando na rua&lt;br /&gt;FF diz:&lt;br /&gt;ai vc olha praquele monte de predio&lt;br /&gt;FF diz:&lt;br /&gt;amontoado&lt;br /&gt;FF diz:&lt;br /&gt;e escolhe uma janela&lt;br /&gt;FF diz:&lt;br /&gt;uma daquelas, com roupa pendurada&lt;br /&gt;FF diz:&lt;br /&gt;sol batendo&lt;br /&gt;FF diz:&lt;br /&gt;vc acha mesmo q alguem pode ser feliz ali/&lt;br /&gt;FF diz:&lt;br /&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando - diz:&lt;br /&gt;você acha que noites estreladas são amis interessantes&lt;br /&gt;que noites sem estrelas?&lt;br /&gt;Fernando - diz:&lt;br /&gt;*mais&lt;br /&gt;FF diz:&lt;br /&gt;de certa forma sim&lt;br /&gt;FF diz:&lt;br /&gt;mas eu tb gosto das chuvosas&lt;br /&gt;FF diz:&lt;br /&gt;e essas tem nuvens&lt;br /&gt;FF diz:&lt;br /&gt;e vc?&lt;br /&gt;Fernando - diz:&lt;br /&gt;parece que quando não há estrelas falta algo&lt;br /&gt;Fernando - diz:&lt;br /&gt;mas isso tudo é besteira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-2567526505338657484?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/2567526505338657484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=2567526505338657484&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2567526505338657484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2567526505338657484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/01/mesmo.html' title='É mesmo!'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/R5KsB1Q8krI/AAAAAAAAAIk/UV0b9u-4TlU/s72-c/thosefukkin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-6844753635635799878</id><published>2008-01-13T20:41:00.000-03:00</published><updated>2008-01-13T20:46:18.912-03:00</updated><title type='text'>London 90's</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/AqaPl5M77gE&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/AqaPl5M77gE&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse post deveria ser assinado pelo Gil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-6844753635635799878?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/6844753635635799878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=6844753635635799878&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6844753635635799878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6844753635635799878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/01/london-90s.html' title='London 90&apos;s'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3465900121927821179</id><published>2008-01-06T14:40:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:44.120-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>A 8 horas de lá</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/R4ESwFQ8kpI/AAAAAAAAAH8/EB_6IBB7TWI/s1600-h/sdfsdg.jpg"&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/R4ESwFQ8kpI/AAAAAAAAAH8/EB_6IBB7TWI/s400/sdfsdg.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152420065944834706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria achar um poema velho&lt;br /&gt;pra ver que não era poeta&lt;br /&gt;e nem triste&lt;br /&gt;Que tudo não passou de engano&lt;br /&gt;Uma bala de festim&lt;br /&gt;o tiro feito para sair pela culatra&lt;br /&gt;Daquelas brincadeira de mau gosto&lt;br /&gt;que tanto divertem os jovens&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3465900121927821179?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3465900121927821179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3465900121927821179&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3465900121927821179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3465900121927821179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2008/01/8-horas-de-l.html' title='A 8 horas de lá'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-590495907888977804?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/590495907888977804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=590495907888977804&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/590495907888977804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/590495907888977804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/12/fim-de-ano.html' title='Fim de ano'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3004783180900616070</id><published>2007-12-02T23:08:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:44.306-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Domingo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/R1NmNpwZKII/AAAAAAAAAH0/smnZyOwlAt8/s1600-R/lero_lero.jpg"&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/R1NmNpwZKII/AAAAAAAAAH0/6B9Gl_4vKyw/s320/lero_lero.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139563984493029506" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando chegar o ponto crítico&lt;br /&gt;volte ao começo&lt;br /&gt;ou acabe consigo novamente&lt;br /&gt;pela primeira vez&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3004783180900616070?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3004783180900616070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3004783180900616070&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3004783180900616070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3004783180900616070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/12/domingo.html' title='Domingo'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/R1NmNpwZKII/AAAAAAAAAH0/6B9Gl_4vKyw/s72-c/lero_lero.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-1257365957253806188</id><published>2007-11-30T20:45:00.000-03:00</published><updated>2007-12-04T17:43:38.146-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relatos'/><title type='text'>Jogos de azar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.historicimpressions.com/CatGargoyleL.jpg"&gt;&lt;img src="http://www.historicimpressions.com/CatGargoyleL.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era uma tarde ensolarada. Férias, sábado, ou algo assim. Jogávamos bola na rua como sempre. Mas tudo mudou quando um garoto passou por ali e nos disse: "a velha da rua de cima está dando gatos. tem uns oito lá". Instântaneamente chutamos a bola pro alto e saímos correndo. Contornamos o quarteirão e não demoramos a encontrar a casa que ele descreveu. Fomos lá por pura e simples curiosidade. Só queríamos ver um monte de gatos amontados. Era algo diferente, afinal.&lt;br /&gt;Não tocamos a campainha. Ninguém leva a sério dois garotos descalços de 6 ou 7 anos. Escoramos a cabeça no muro e ficamos tentando ver algo. Nessa época quase tudo que fazíamos era meio clandestino. Foi quando ouvimos a voz de uma senhora perguntando se estávamos ali pelos gatos. Ficamos acuados, aquela pergunta era quase como uma acusação. Mas era um flagrante, não havia o que fazer, então tivemos que confessar. Esperávamos a reprimenda, "tirem esses pés sujos do meu muro", ou algo pior. Porém, estranhamente ela nos fez entrar, e nos levou até o ninho que a gata tinha feito. Não eram oito, mas eram muitos. Todos pretos, do nariz ao rabo, o que nos impossibilitava a contagem. Ficamos um tempo olhando, mas não chegamos perto. A  senhora fez então a fatídica pergunta: Querem algum? Meu vizinho foi rápido e direto, disse que sua mãe não o deixava ter animais. Eu fiquei um pouco engasgado. Querer, claro. Mas nessa época nem tudo na minha vida dependia de mim. A senhora então demonstrou sua sabedoria, e me deu uma ótima solução: "leve, se sua mãe não quiser, você trás de volta". Acho que era um truque, pois ela conhecia o poder de sedução deles. Foi até lá, pegou um que escolhi - eram todos iguais - e me entregou. Voltamos correndo pra casa, brigando pra ver quem o carregava. Ao chegarmos, pedi que ficassem na calçada, enquanto eu chamava minha mãe. Fiz mistério, disse que havia algo muito importante na rua, que ela devia ver. Esse argumento não funcionou, então teve que ser na força bruta. Arrastei-a pelo braço sob protestos e ameaças de que se não fosse mesmo algo sério, eu ia ver. Não me lembro qual foi a primeira reação dela. Acho que estava muito nervoso para preliminares e me concentrei apenas na resposta final. Ela foi seca, mas concedente "tá bom, mas é responsabilidade sua". Acredito que um clichê nunca foi tão bem vindo em minha vida. Mesmo com pouca idade já havia passado por algumas situações complexas. O primeiro dia de aula, a primeira briga, amar a professora. Ter ou não ter o gato parecia ter sido a mais fácil delas. Mas as coisas nunca vem sozinhas, e essa foi outra lição que aprendi. A decisão agora era sobre o nome. Perguntei pra minha mãe se ela tinha algum em mente. Não tinha. Meu vizinho queria palpitar, mas o gato era meu, não poderia deixá-lo decidir sobre isso. Pensei umas duas horas, enquanto tentava fazê-lo engordar em tempo recorde (o gato). Ele era preto, ágil, e tinha certa habilidade em fugir da minha marcação. Só podia ser então: Pelezinho (do latim Pelé). Todos aprovaram o nome, e assim se chamou o meu primeiro gato. Já estava levando o Pelezinho pro quarto quando fui barrado pela patrulha vigilante. "Dentro de casa não". Teria de deixá-lo fora, sob todos os perigos da misteriosa noite frutalense - nem todas se vence. Então que ficasse em segurança, ao menos - se na época alguém me dissesse que isso se assemelhava a algum tipo de senso materno, eu daria uma estilingada na cabeça. Arrumei uma caixa, peguei todos os panos que consegui achar, e fiz pra ele uma cama com todo o conforto que tapetes e panos em desuso podem oferecer. Coloquei-o lá dentro, orgulhoso de mim mesmo e fomos todos dormir. Eu, satisfeitíssimo com a possibilidade de acordar e ter algo diferente pra cuidar. Dormi pouco e antes de qualquer coisa fui correndo até a caixa para ver como ele estava. Mas ele não estava mais lá, nem em lugar algum. Foi então que me dei conta de que o muro estava todo esburacado. Pelezinho nunca mais foi visto por aquelas bandas. E talvez essa tenha sido a minha primeira perda significativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias seguintes foram um pouco vazios para mim. Me senti como um dos dois porquinhos que não fizeram fizeram a casa de tijolo. Um boxeador que se prepara meses para a luta de sua vida, e cai no primeiro round. Ainda não sei se o que me chateou foi a perda em si ou se foi a minha incompetência. Falhei quando precisaram de mim, quando eu era responsável por algo. As coisas não eram tão óbvias quanto pareciam, e aprender isso doeu um pouco. Talvez por comoção, ou prêmio de consolação, minha mãe me lembrou: "você não disse que tinha uma porção deles? Vá até lá e pegue outro". Isso poderia ter me feito pensar várias coisas: que era uma nova chance, que tudo tem volta, mas o bom dessa fase é que os reflexos são mais apurados que o pensamento, e a única coisa que fiz foi sair correndo novamente até a casa da senhora. Dessa vez toquei a campainha, e mal ela abriu, despejei: "tem outro gato?". Ela perguntou o que tinha sido daquele. Hesitei, mas ela tinha me pego novamente, e só me restava mais uma vez dizer a verdade. Ouvi um aconchegante "acontece". Foi até lá e pegou outro. Assim que cheguei em casa, deixei-o preso dentro de uma caixa e tampei todos os buracos dos muros. Eu sabia que dessa vez não poderia falhar, e que boas intenções apenas não eram suficientes. Todos os detalhes deveriam ser pensados. A vida era um grande jogo de estratégia. Agora ele não teria por onde sair, pelo menos até ter idade de pular os muros. O próximo desafio era velho, e parecia fácil, arrumar outro nome. Mas foi então que um outro vizinho mais velho o complicou: "é fêmea". Até então eu só havia tido animais machos. E provavelmente pelo fato de serem machos, era mais fácil projetar neles algo que eu gostaria de ser, ou tirar um sarro da cara deles. Mas nunca havia escolhido o nome de uma garota. Não poderia dar um nome afeminado, nem meigo, pois seria um belo motivo para se transformar em chacota. Tinha que ser algo neutro, mas no feminino. Talvez eu tenha exagerado, mas depois de alguma meditação, o único consenso comigo mesmo foi "Bruxinha". Para a sorte dela esse nome durou poucos dias. Logo alguém que entendia um pouco mais de gatos nos disse que estávamos enganados, que era macho mesmo. Bruxinha então virou Slash.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Slash não fugiu, não se rebelou, nem esboçou qualquer reação contra o mundo. Depois de todos contratempos houve apenas calma e silêncio. Foi o gato mais contido que tive - talvez porque todo Slash, para ser feliz, precise de uma guitarra e uma garrafa de uisque, e ele não tinha nada disso. Passou uns quatro anos comigo, e a única coisa que me lembro bem é dele dormindo no quintal. Gostava do dormir no sol. Esticava os braços e as pernas e ficava de lado, ocupando o máximo de espaço que conseguisse. Algumas vezes era obrigado pelo acaso ou por uma bolada a mudar de lugar, mas parecia não se incomodar muito com isso, nem com nada. Aprendi algumas coisas com ele, como o fato de que enquanto os cachorros entendem que mudaram de casa reconhecendo as pessoas, os gatos o entendem sentindo os móveis. Sua textura, seu cheiro, sua maciez. E me agradava essa percepção física do mundo. Passava alguns dias fora de casa também. Chegava a sumir por até uma semana, e numa dessas simplesmente não voltou. Demoramos um pouco para nos dar conta que tempo demais havia passado, e quando demos por sacramentada sua perda, não houve dor ou drama. Aquele gato era tão sóbrio que por certo saberia onde ir. Que caminhos seguir para uma vida tranquila, como ele gostava. Não dava pra imaginar que ele não voltaria se não tivesse encontrado algo melhor pra fazer. E assim, confiando no caráter dele, não se falou mais no assunto. Dizem que os gatos, quando pressentem a morte, costumam sair do lugar onde vivem, e ir para longe. Já apareceram mesmo alguns gatos mortos no meu quintal, em buracos que aparentemente eles cavaram. Durante um tempo pensei que podia ter sido esse o destino de Slash, mas logo percebi que não. Ele ainda era jovem, forte, e afinal, qual o problema em sair de casa? Muita gente faz isso. Muitos gatos também. Não posso dizer que fiquei feliz, afinal, ele estava comigo há alguns anos. Mas eu acho que talvez eu tenha sentido o que não senti com Pelezinho, a sensação de que algo chegou ao fim na hora certa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-1257365957253806188?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/1257365957253806188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=1257365957253806188&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1257365957253806188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1257365957253806188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/11/jogos-de-azar.html' title='Jogos de azar'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-6509654846228345888</id><published>2007-11-13T09:21:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:44.508-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RzmXDnv5sRI/AAAAAAAAAHk/utZAVIsMkXk/s1600-h/end_of_line.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RzmXDnv5sRI/AAAAAAAAAHk/utZAVIsMkXk/s400/end_of_line.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5132299338830688530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-6509654846228345888?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/6509654846228345888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=6509654846228345888&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6509654846228345888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6509654846228345888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/11/blog-post.html' title=''/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RzmXDnv5sRI/AAAAAAAAAHk/utZAVIsMkXk/s72-c/end_of_line.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-800851712777557371</id><published>2007-11-04T21:00:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:44.690-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Saideira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Ry57zdAb0bI/AAAAAAAAAHc/ZNYQgsGqxJ4/s1600-h/BrokenBottle.jpg"&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Ry57zdAb0bI/AAAAAAAAAHc/ZNYQgsGqxJ4/s200/BrokenBottle.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129173149511569842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O jantar foi bruscamente interrompido pelo barulho de algo adentrando a sala e caindo sobre os móveis.&lt;br /&gt;Assustados, foram todos até lá ver o que acontecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apoiando-se debilmente no sofá, o homem jogou no teto a garrafa que carregava, e rolou para cima dos cacos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligaram para a polícia, mas quando chegaram ele já tinha se diluído em meio ao álcool e o vidro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-800851712777557371?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/800851712777557371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=800851712777557371&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/800851712777557371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/800851712777557371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/11/saideira.html' title='Saideira'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-1784128312035693576</id><published>2007-10-13T19:07:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:44.872-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Cronologia anacrônica</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RxFCjckP4PI/AAAAAAAAAG0/j3zoUtnOl50/s1600-h/0181.jpg"&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RxFCjckP4PI/AAAAAAAAAG0/j3zoUtnOl50/s400/0181.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120947428028047602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia em volta de mim&lt;br /&gt;um rio vermelho, que refletia uma estrela&lt;br /&gt;Não sei se ela um dia já foi vista&lt;br /&gt;por alguém que não eu&lt;br /&gt;E em nome do egoísmo infantil&lt;br /&gt;guardei-a em segredo na lembrança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem tentei encontrá-la&lt;br /&gt;mas só havia pedras e peixes&lt;br /&gt;A estrela se afogou&lt;br /&gt;e o céu estava limpo como se fosse segunda&lt;br /&gt;Pensei quantos anos viveria uma estrela&lt;br /&gt;Descobri que tanto ela quanto todas as coisas&lt;br /&gt;que encantaram meus olhos&lt;br /&gt;Vivem os dias necessários,&lt;br /&gt;e não adiam a hora de partir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-1784128312035693576?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/1784128312035693576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=1784128312035693576&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1784128312035693576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1784128312035693576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/10/cronologia-anacrnica.html' title='Cronologia anacrônica'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' 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A abordagem, a troca de olhares, as primeiras palavras, as primeiras impressões, talvez isso. Mas no fundo, as nossas personalidades continuariam sendo as mesmas. Os seus vícios diferentes dos meus, e cada pedaço de nossas galáxias continuariam existindo completamente independentes, e tão estranhamente coincidentes. Sim, você pode dizer que se tivesse me irritado nos daríamos as costas e nunca mais nos veríamos. Mas eu acredito que exista um tipo de contato que é um pouco maior que isso. Alguma coisa que fica presa na minha carne, talvez o seu cheiro, não sei bem. Eu nunca morri de amores por ninguém na primeira vez em que os vi, nem mesmo pelos meus melhores amigos, mas quando existe esse tipo de ligação oculta, sempre sobra algo: um telefone, um e-mail, uma reticência. E depois tudo vai se desenhando de uma forma meio incontrolável, por mais estéril que possa parecer. Não poderia acabar com o ponto final ou com a hora de trabalhar.  Trairíamos nossas juras de solidão quando estivéssemos sozinhos e desiludidos. Ficaríamos pensando "e aquela garota correndo da chuva. Apesar de ser meio metida, até que ela foi simpática, poderia escrever pra ela", ou "droga, outro fim de semana sem nada pra fazer, acho que vou responder o e-mail daquele carinha, e vamos ver se arranjamos um lugar interessante pra ir". Não haveria como o acaso não conspirar a nosso favor. E depois de tudo isso, acho que faríamos tudo do mesmo jeito: nos conheceríamos minuciosamente, cometeríamos excessos pra chegar logo onde queríamos, tentaríamos ser elegantes e charmosos em situações corriqueiras. E aos poucos nos interessaríamos por cada detalhe estranho na personalidade do outro, e o máximo que mudaria é que isso poderia demorar um pouco mais ou um pouco menos de tempo.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-6553512538071274316?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/6553512538071274316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=6553512538071274316&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6553512538071274316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6553512538071274316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/09/encontros.html' title='Encontros'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rv2H1wskavI/AAAAAAAAAGU/ghHI6Gr-T9s/s72-c/lit.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-5745347076341980107</id><published>2007-09-26T18:06:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:45.220-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colagens'/><title type='text'>Day is done</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RvrP0AskauI/AAAAAAAAAGM/NfJXatek96k/s1600-h/nick-drake.jpg"&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RvrP0AskauI/AAAAAAAAAGM/NfJXatek96k/s400/nick-drake.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5114628819279702754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When the day is done&lt;br /&gt;Down to earth then sinks the sun&lt;br /&gt;Along with everything that was lost and won&lt;br /&gt;When the day is done.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When the day is done&lt;br /&gt;Hope so much your race will be all run&lt;br /&gt;Then you find you jumped the gun&lt;br /&gt;Have to go back where you began&lt;br /&gt;When the day is done.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When the night is cold&lt;br /&gt;Some get by but some get old&lt;br /&gt;Just to show life's not made of gold&lt;br /&gt;When the night is cold.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When the bird has flown&lt;br /&gt;Got no-one to call your own&lt;br /&gt;Got no place to call your home&lt;br /&gt;When the bird has flown.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When the game's been fought&lt;br /&gt;You speed the ball across the court&lt;br /&gt;Lost much sooner than you would have thought&lt;br /&gt;Now the game's been fought.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When the party's through&lt;br /&gt;Seems so very sad for you&lt;br /&gt;Didn't do the things you meant to do&lt;br /&gt;Now there's no time to start anew&lt;br /&gt;Now the party's through.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When the day is done&lt;br /&gt;Down to earth then sinks the sun&lt;br /&gt;Along with everything that was lost and won&lt;br /&gt;When the day is done.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nick Drake - Day is done. Album: Five Leaves Left) &lt;br /&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-5745347076341980107?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/5745347076341980107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=5745347076341980107&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5745347076341980107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5745347076341980107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/09/day-is-done.html' title='Day is done'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RvrP0AskauI/AAAAAAAAAGM/NfJXatek96k/s72-c/nick-drake.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3299888200121967264</id><published>2007-09-21T21:48:00.001-03:00</published><updated>2010-10-18T17:37:38.401-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Diário de classe</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RvRxeAskasI/AAAAAAAAAF8/0Hr__xtZovc/s1600-h/GGNH_6_L.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5112836237369305794" src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RvRxeAskasI/AAAAAAAAAF8/0Hr__xtZovc/s400/GGNH_6_L.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O jardim escuro não era um grande problema. A única coisa a fazer era se lembrar exatamente de cada detalhe observado tantas vezes durante o dia, e suas possíveis variações. Nenhuma pedra ou arbusto escapava de sua memória. Seu único rastro era sua faca, que sempre brilhava ao luar. Um raio prateado em forma de lâmina que cortava o silêncio da noite. Sua fraqueza, no entanto, o fascinava, e acabou adotando isso como um símbolo, por isso nunca guardava a faca na bainha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costumava dizer que ninguém nunca está seguro em lugar algum. Que apenas nos vendem a ilusão da segurança, um placebo que mostra sua ineficiência se alguém um dia quiser te matar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com muita ou pouca dificuldade, chegava sempre até onde precisava. Nesse caso, foi bem fácil. Como era sempre madrugada alta, estavam geralmente dormindo. Acendia o isqueiro a certa distância e chegava perto até poder ver todos os detalhes do rosto. Conhecer a face da vítima era algo de que ele quase nunca abria mão. Tinha alguns argumentos pra isso. O mais forte era o de que olhando os traços do rosto saberia a reação da pessoa ao ser abordada pela morte. Pra mim isso era apenas mais uma de suas tentativas de se tornar uma lenda. Falava-nos essas coisas sempre com um olhar distante e messiânico. Não queria deixar como legado somente a eficiência do aluno, mas também uma impressão quase mítica de si mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apagava o isqueiro e tirava do bolso a tira de pano, sempre vermelho. Contornava a cabeça da vítima adormecida e num puxão dava um nó, que invariavelmente acordava a pessoa. Como estava sempre zonza, era facilmente dominada com uma chave de braço e ficava com a faca no pescoço em questão de frações de segundo, enquanto tentava inutilmente gritar. Ele pedia ao aprendiz que acendesse a luz. Sussurrava algo inaudível, que sempre fazia com que esbugalhassem os olhos, deixando à mostra todas as veias da retina. Tirava então a faca do pescoço, virava ela 180º em suas mãos, e a cravava invertida no coração. Soltava-a, deixando ali por alguns segundos. Depois posicionava-se defronte, pegava a faca com a outra mão, e girava lentamente, enquanto a retirava. Tudo isso demorava aproximadamente um minuto. Saia da frente da pessoa antes de retirá-la completamente, e saia do local sem uma gota de sangue. Só então a pessoa caía morta. Ele a cobria e deixava exatamente como ela estava antes de chegarmos. Pergunta-me se restou alguma dúvida, e perante a minha negativa, sorri. Reitera para que tenha cuidado com a altura da janela, e marca a próxima e última aula para dois meses adiante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3299888200121967264?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3299888200121967264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3299888200121967264&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3299888200121967264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3299888200121967264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/09/o-jardim-escuro-no-era-um-grande.html' title='Diário de classe'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RvRxeAskasI/AAAAAAAAAF8/0Hr__xtZovc/s72-c/GGNH_6_L.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-2482243356896900310</id><published>2007-09-04T13:40:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:46.057-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amorfos'/><title type='text'>Referências</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rt2K8lrIAgI/AAAAAAAAAF0/6kuQUFdf_NQ/s1600-h/sealake.jpg"&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rt2K8lrIAgI/AAAAAAAAAF0/6kuQUFdf_NQ/s400/sealake.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106390326017786370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu procuro por um tipo de liberdade que não seja como um retângulo. Uma liberdade sem uma medida exata e sem uma definição precisa. Algo que me assuste a cada manhã e me faça sentir o frio no estômago de quem desce uma montanha russa. Um rótulo de cerveja com seus símbolos secretos, uma representação que não se associe com a primeira memória que me ocorre. Liberdade que não se configurasse necessariamente em fuga, e sim um co-existir entre o impreciso e o inacabado, mas pleno em si mesmo. Em resumo, algo como o solo de Ritchie Blackmore em Burn.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-2482243356896900310?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/2482243356896900310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=2482243356896900310&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2482243356896900310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2482243356896900310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/09/referncias.html' title='Referências'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rt2K8lrIAgI/AAAAAAAAAF0/6kuQUFdf_NQ/s72-c/sealake.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-7711721184091363723</id><published>2007-09-03T10:11:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:46.179-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colagens'/><title type='text'>Sunshine on my shoulder</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RtwJ7lrIAfI/AAAAAAAAAFs/WUJh4n79FjM/s1600-h/madden1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RtwJ7lrIAfI/AAAAAAAAAFs/WUJh4n79FjM/s400/madden1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5105966996861223410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;                   &lt;p style="line-height: 130%;"&gt;&lt;span style="font-family:Book Antiqua;"&gt;Se ao                    menos fôssemos um índio, ao mesmo tempo vigilante e montado a                    cavalo, inclinando-nos contra o vento, continuando palpitantes                    a agitar-nos sobre o solo trepidante até abandonarmos as                    esporas pois delas não precisávamos; largando as rédeas,                    porquanto não eram necessárias; e mal percebêssemos que a                    terra à frente já estava despojada de vegetação, o pescoço e a                    cabeça do cavalo já teriam desaparecido...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                   &lt;p style="line-height: 130%;"&gt;&lt;span style=";font-family:Book Antiqua;font-size:85%;"  &gt;[Franz Kafka,&lt;i&gt; &lt;/i&gt;A colõnia penal]                &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-7711721184091363723?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/7711721184091363723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=7711721184091363723&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/7711721184091363723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/7711721184091363723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/09/sunshine-on-my-shoulder.html' title='Sunshine on my shoulder'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RtwJ7lrIAfI/AAAAAAAAAFs/WUJh4n79FjM/s72-c/madden1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-778097702501998033</id><published>2007-08-27T10:18:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:46.437-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>O fugitivo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RtLPgVrIAeI/AAAAAAAAAFk/XLpDGxb-9nw/s1600-h/Vresta+taverna.jpg"&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RtLPgVrIAeI/AAAAAAAAAFk/XLpDGxb-9nw/s400/Vresta+taverna.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103369482244981218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você quer aqui?&lt;br /&gt;- Algo para beber, que me alegre um pouco.&lt;br /&gt;- Aqui não há nada bom para a alma.&lt;br /&gt;- Então estamos bem, pois para sorrir eu preciso matá-la.&lt;br /&gt;- De onde vem?&lt;br /&gt;- De onde vem o vento.&lt;br /&gt;- Para onde vai?&lt;br /&gt;- Em direção àquela montanha.&lt;br /&gt;- Sabe o que tem lá?&lt;br /&gt;- O mesmo que aqui.&lt;br /&gt;- Sim, então por que vai até lá?&lt;br /&gt;- Igual por igual, eu prefiro o diferente. &lt;br /&gt;- Aqui está o seu copo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-778097702501998033?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/778097702501998033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=778097702501998033&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/778097702501998033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/778097702501998033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/08/o-fugitivo.html' title='O fugitivo'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RtLPgVrIAeI/AAAAAAAAAFk/XLpDGxb-9nw/s72-c/Vresta+taverna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-2394212306892332753</id><published>2007-08-14T00:05:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:46.624-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Uma lua entre os dois sóis</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RsGh60UYUSI/AAAAAAAAAFc/aIobYPatXqk/s1600-h/kimDP_01.jpg"&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RsGh60UYUSI/AAAAAAAAAFc/aIobYPatXqk/s400/kimDP_01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098534285008720162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava em dúvida se gostava mais do amanhecer ou do pôr-do-sol. Hoje quis resolver isso, e fiquei aqui do último ao primeiro raio de luz. Assim que vi o poente, tive certeza que a decisão já estava tomada. Voltei a ficar em dúvida exatamente agora, ao vê-lo renascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra ser sincero, essas coisas nunca me fizeram sentido. O que me importavam a chuva, o sol, as nuvens, o céu, o verde? Acreditava mais naquela velha história de que as pessoas fazem o lugar, etc. Mas de repente a gente começa a se cansar de certas verdades. O primeiro pensamento, talvez mais lógico, ou o mais simples, é inverter tudo. Então eu comecei a tentar enxergar como os lugares faziam as pessoas. No caso, a pessoa. No caso, eu. E resolvi então prestar atenção nesses detalhes. É bonito, mas não serve pra nada. Mais uma desculpa para fugir das efemérides de sábado à noite. Mais uma desculpa para romper a barreira entre o ócio e o progresso, e encontrar um meio termo onde eu pudesse deslocar algumas sensações para um pouco das verdades do senso comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não dormi esta noite. Mas tenho dormido por tanto tempo que não me faz falta. Sentia falta justamente de um pouco de vento nas costas. Aqui a brisa vem de todos os lados, já percebeu? Gostaria de poder ver como o vento se encontra em todas as direções. Deve ser meio caótico, mas é gostoso. Afinal, não dizem que todo fim é um novo começo? Eu tinha um amigo pessimista que dizia que todo começo era um novo fim. Eu não sei que fim ele levou, mas deve estar terminando tudo a essa altura. Pensando assim era só onde ele poderia chegar. Eu prefiro não pensar nem em um nem em outro, sabe. Chega de polarizar as coisas, porque diabos temos de fazer isso desde que nascemos? Não procuro criar momentos para que um dia eles virem saudade. Se isso acontece, eu deveria ficar feliz de ter o que me lembrar. É como eu disse, estou tentando virar essas coisas de cabeça pra baixo. Ou melhor, deixá-las como numa cadeira de praia, um pouco curvadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei porque você diz que minhas palavras são tristes. Acho que você deve estar com sono. Não, eu não estou. Mas não há nada de triste nisso, por favor. Eu acho engraçado essa associação entre reflexão e tristeza. Deve ser aquela velha mania de só buscar o resultado depois de estar perdendo. E se ainda assim as coisas pioram? Aí você está com problemas, mas são possibilidades. Eu não quero te dar conselhos, não sou bom nisso. Mas se você não está entendendo, eu tenho a solução: acho que nós simplesmente deveríamos nos levantar e comer um pastel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, no fim das contas, acho que o momento mais bonito sequer foram os sóis, mas a lua quando refletiu na água.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-2394212306892332753?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/2394212306892332753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=2394212306892332753&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2394212306892332753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2394212306892332753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/08/uma-lua-entre-o-dia-e-o-dia.html' title='Uma lua entre os dois sóis'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RsGh60UYUSI/AAAAAAAAAFc/aIobYPatXqk/s72-c/kimDP_01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3185067248598031495</id><published>2007-08-07T23:17:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:46.819-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amorfos'/><title type='text'>Maybe someday</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RrkoR0UYURI/AAAAAAAAAFU/bM02jLRogRs/s1600-h/dsrt.jpg"&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RrkoR0UYURI/AAAAAAAAAFU/bM02jLRogRs/s400/dsrt.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5096148739913437458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3185067248598031495?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3185067248598031495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3185067248598031495&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3185067248598031495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3185067248598031495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/08/maybe-someday.html' title='Maybe someday'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RrkoR0UYURI/AAAAAAAAAFU/bM02jLRogRs/s72-c/dsrt.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-5157874747417640922</id><published>2007-08-07T00:24:00.002-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:46.972-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amorfos'/><title type='text'>If you see her...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rrfm2kUYUQI/AAAAAAAAAFM/_BksKSHt7_4/s1600-h/snowsea.jpg"&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rrfm2kUYUQI/AAAAAAAAAFM/_BksKSHt7_4/s400/snowsea.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095795328529486082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-5157874747417640922?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/5157874747417640922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=5157874747417640922&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5157874747417640922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5157874747417640922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/08/if-you-see-her.html' title='If you see her...'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095789899690823890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4949773771495672611?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4949773771495672611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4949773771495672611&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4949773771495672611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4949773771495672611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/08/por-aqui-senhor.html' title='Por aqui, senhor'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rrfh6kUYUNI/AAAAAAAAAE0/p2ZKiUdLGB8/s72-c/theotherway.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4638948224349448085</id><published>2007-08-01T18:51:00.000-03:00</published><updated>2007-08-01T18:53:24.131-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nocautes históricos'/><title type='text'>Nocautes históricos: Tyson x Johnson</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" 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href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4638948224349448085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4638948224349448085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/08/nocautes-histricos-tyson-x-johnson.html' title='Nocautes históricos: Tyson x Johnson'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-6174067279978724540</id><published>2007-07-28T16:36:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:47.644-03:00</updated><title type='text'>...!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rqua5kUYULI/AAAAAAAAAEk/oqj2MNzReQM/s1600-h/lips+eyes.jpg"&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rqua5kUYULI/AAAAAAAAAEk/oqj2MNzReQM/s320/lips+eyes.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5092334117464854706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;you can feel my lips undress your eyes&lt;br /&gt;undress your eyes undress your eyes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-6174067279978724540?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/6174067279978724540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=6174067279978724540&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6174067279978724540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6174067279978724540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/07/blog-post.html' title='...!'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rqua5kUYULI/AAAAAAAAAEk/oqj2MNzReQM/s72-c/lips+eyes.jpg' height='72' 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/&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;“Conheci Cara de Cavalo pessoalmente e posso dizer que era meu amigo, mas para a sociedade ele era um inimigo público nº 1, procurado por crimes audaciosos e assaltos – o que me deixava perplexo era o contraste entre o que eu conhecia dele como amigo, alguém com quem eu conversava no contexto cotidiano tal como fazemos com qualquer pessoa, e a imagem feita pela sociedade, ou a maneira como seu comportamento atuava na sociedade e em todo mundo mais. Esta homenagem é uma atitude anárquica contra todos os tipos de Forças Armadas: polícia, Exército etc. Eu faço poemas-protestos (em Capas e Caixas) que têm mais um sentido social, mas este para Cara de Cavalo reflete um importante momento ético, decisivo para mim, pois que reflete uma revolta individual contra cada tipo de um condicionamento social. Em outras palavras: violência é justificada como sentido de revolta, mas nunca como o de opressão”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Texto publicado por Hélio Oiticica no Catálogo da exposição Whitechapel Experience.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:Verdana,Helvetica,Arial,Sans-Serif;font-size:85%;"  &gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4778008043699301993?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4778008043699301993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4778008043699301993&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4778008043699301993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4778008043699301993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/07/em.html' title='E.M.'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-5627393191883597040</id><published>2007-07-20T21:02:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:47.838-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nocautes históricos'/><title type='text'>The infinite sadness</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RqFPIkUYUJI/AAAAAAAAAEU/kqwZdNPLoNg/s1600-h/my+favorite+fuck+off.jpg"&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RqFPIkUYUJI/AAAAAAAAAEU/kqwZdNPLoNg/s320/my+favorite+fuck+off.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5089436062512074898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toninho Malvadeza murió.&lt;br /&gt;E a Bahia está alguns quilos mais leve!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-5627393191883597040?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/5627393191883597040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=5627393191883597040&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5627393191883597040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5627393191883597040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/07/infinite-sadness.html' title='The infinite sadness'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RqFPIkUYUJI/AAAAAAAAAEU/kqwZdNPLoNg/s72-c/my+favorite+fuck+off.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3631017265592988672</id><published>2007-07-19T15:38:00.000-03:00</published><updated>2007-07-19T17:32:00.320-03:00</updated><title type='text'>O profeta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://antesdelfin.com/fotografias/waltermercado.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px;" src="http://antesdelfin.com/fotografias/waltermercado.JPG" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso que vejo:&lt;br /&gt;o destino sem dono&lt;br /&gt;e um prato de queijo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3631017265592988672?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3631017265592988672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3631017265592988672&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3631017265592988672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3631017265592988672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/07/o-profeta.html' title='O profeta'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3821877007006634881</id><published>2007-07-16T16:16:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:48.246-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amorfos'/><title type='text'>Cartas finais</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RpvGEGWuY2I/AAAAAAAAAEE/k8KSagJXzrE/s1600-h/hangman.gif"&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RpvGEGWuY2I/AAAAAAAAAEE/k8KSagJXzrE/s320/hangman.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5087877977772811106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando me matei, deixei algumas cartas de despedida às pessoas mais próximas. Perante a curiosidade geral da nação, publico-as agora, em caráter exclusivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Para Fernanda&lt;/span&gt;: A crise aérea era parte da conspiração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Para Gil&lt;/span&gt;: Pague os cd´s pra minha mãe, e vamos pra Buenos Aires na próxima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Para Fernando&lt;/span&gt;: Plante um pé de acerola no meu túmulo e joguem war lá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Para Fabiana&lt;/span&gt;: Parpite? ááá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Para Lúcia&lt;/span&gt;: Se deus e o diabo forem capitalistas eu estou ferrado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Para Joanita&lt;/span&gt;: Nao se preocupe, ficarei bem, Fernando Alonso é meu pastor e nada me faltará&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Para Gabriel&lt;/span&gt;: Mano, se der vontade eu me mato em qualquer lugar&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3821877007006634881?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3821877007006634881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3821877007006634881&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3821877007006634881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3821877007006634881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/07/cartas-finais.html' title='Cartas finais'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RpvGEGWuY2I/AAAAAAAAAEE/k8KSagJXzrE/s72-c/hangman.gif' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-911702790958048671</id><published>2007-07-03T22:53:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:48.373-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Perseguindo o Sheriff</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Ror-DGFipOI/AAAAAAAAAD0/rsEMnobb4qw/s1600-h/gtrstr.jpg"&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Ror-DGFipOI/AAAAAAAAAD0/rsEMnobb4qw/s400/gtrstr.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083154458567943394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sempre tenho a impressão de que será a última noite que ele vem. Não errei muitas vezes, pois não faz tempo que começou a vir, e sempre parece que será a última. Quando a gente é orgulhoso não é fácil se expor assim, mas o que o homem vai fazer? Acharia muito bom se ele viesse todas as noites enquanto eu estiver vivo. Trabalhar com essa melodia até me faz esquecer um pouco o cansaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tinha tido muita paciência pra apreciar blues até esse cara começar a trazer sua guitarra com seu amplificador e tocar no meio da praça por uns trocados. Traz com ele uns acompanhamentos gravados de bateria e baixo, que também são muito bem feitos. Cheguei a pensar que eram aquelas basesinhas pré-fabricadas que vêm programadas em teclados, ou coisas do tipo, mas o homem quase ma bateu quando perguntei isso a ele. Não, era coisa fina, as bases que ele tinha gravado com sua última banda, numa época em que as coisas iam um pouco melhor. Acabou brigando com os outros dois caras e mandou eles pro inferno. Acho que deve ter perdido as contas de quantos mandou pra lá, dá pra ver que é bem pavio curto. Mas guardou as bases, que sempre podem servir pra alguma coisa. Me contou que usava elas pra ensaiar, e que muitas vezes quem chegava na casa achava que a banda inteira estava ensaiando ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas pra mim também não vão nenhuma maravilha, mas sempre dou uma dose de old eight de cortesia pra ele no fim da noite. Até pra beber uísque o filho da mãe tem estilo de bluesman. Entorta um pouco a aba do chapéu, mantém o copo sempre no ar, e um cigarro sempre aceso, as vezes na mesma mão do copo. Quando a conversa está boa, dou duas, três, quatro doses.. confesso, quantas ele quiser. Se eu pudesse, colocava ele pra tocar aqui, pagava alguma coisa, dividia o couvert da noite, sei lá... mas nessa joça mal cabem as mesas, e aqui não tem ninguém que sabe apreciar esse tipo de música, só cabeça de bagre mesmo. Vontade mesmo eu tenho é de voltar algumas décadas e ter conhecido esse cara. Pelas histórias que conta, aquilo sim era vida. Época em que se tomava vodka no café da manhã, garotas a vontade, shows sempre com público fiel, "nunca lotado, mas era até melhor assim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou umas boas risadas quando passa algum moleque, e entre uma música e outra, grita no meio dos pedestres, rock´n roll!!. Percebo a cara de insatisfação do homem. É quase sempre nessa hora que ele dá uma cuspida no chão e limpa o suor. Fico, porém, com uma impressão ainda mais  forte de que será a última vez que ele vem. Aliás, o próprio sempre diz que não sabe se volta. Não sei se essa idéia está dando grana, mas deve ser a última alternativa. "Isso que dá não ter tido filhos pra me sustentarem". Aprendi até algumas músicas, que sempre peço pra ele tocar no dia seguinte. A melhor delas é Mary had a little lamb, Stevie Ray Vaughan. "Não é das piores, mas é mais manjada que pentatônica em Lá maior". Se ele ficar aí mais uns meses acho que refino um pouco meu gosto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-911702790958048671?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/911702790958048671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=911702790958048671&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/911702790958048671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/911702790958048671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/07/perseguindo-o-sheriff.html' title='Perseguindo o Sheriff'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Ror-DGFipOI/AAAAAAAAAD0/rsEMnobb4qw/s72-c/gtrstr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4493597000470051064</id><published>2007-06-17T21:07:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:48.435-03:00</updated><title type='text'>suicídio culposo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RnXOMopMvqI/AAAAAAAAADo/FlR5AYfaiKM/s1600-h/1A.jpg"&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RnXOMopMvqI/AAAAAAAAADo/FlR5AYfaiKM/s400/1A.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5077190871394074274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;... e no instante seguinte, enquanto ainda procuro algo no criado, você apaga a luz, sem reparar no que faço. vai até o seu lado da cama, com o cuidado de não se encostar mais demoradamente em mim, e despende algum tempo arrumando o travesseiro. respira um pouco mais alto, claramente desapontada. Quase me salva pensar que sua insatisfação não passa de uma rabugice por eu ter arrumado tão mal a cama. me engano e me animo. digo entao aquelas palavras que você costumava gostar de ouvir. não tenho resposta alguma, e mesmo assim toco levemente - e com um pouco de insegurança - a ponta de seus dedos. prossigo falando, seu silêncio agora me agride, e começo a perder o equilíbrio. torno-me completamente incoerente, e as frases como que brigam em meu cérebro. estouram os portões da fala, e invadem o ambiente numa desordem, enquanto sinto seus dedos com uma certa educação se desprendendo dos meus. retraio-me fisica e mentalmente. no mesmo momento, tudo se dissolve em cinzas que te fazem espirrar e ardem teus olhos. então você deixa sua mão a uma distância confortável da minha, diz duas ou três palavras. sinto-as secas, como se saíssem de um deserto que se criou entre nós. se fosse eu que o tivesse criado, poderia agora regá-lo. seria o deus desse terreno seco. mas sou apenas ilhado por ele, mais uma vez sem controle de nada. ao dizer coisas, procura o assunto que menos compreendo. me impossibilita a réplica, ou mesmo a malandragem de levar a conversa para onde me interessa. e sinto pontos finais que se arrastam e se prolongam. eu havia dito as mesmas coisas que dizia antigamente, e que tanto te fizeram prestar atenção em mim. que me fizeram, ao menos num momento, parecer um pouco diferente da multidão. e eu imagino se me tornei enfadonho, repetitivo, ou se aos poucos tudo em mim foi se tornando estranho e incompreensível. a lógica do absurdo, inconstetável e constante, agora parece infantil. cotas, fases, remendos. já usei de tudo. costurei meia dúzia de caminhos tortos durante o trajeto e agora você brinca de labirinto comigo. nao sei se quer voltar ao ponto inicial. o passado é cada vez mais uma lembrança. parece até que ontem mesmo está virando passado na sua cabeça. não tenho certeza se neste momento você dorme ou está acordada. tenho certeza que não pensa em mim. não pensa em mim, ao menos, como aquele velho porto onde você costumava se ancorar e descansar entre uma viagem cansativa e outra. jogava-se exausta nos meus braços, e se entregava com uma dose suficientemente grande de confiança. e assim que meus olhos começam a se acostumar com a escuridão, vejo com pouca nitidez o desenho do teu corpo. ali, do meu lado, e guardo esta visão antecipando o temor de que também isto, em breve, se torne uma lembrança. não sei se você já dormiu, não sei se digo boa noite. passam talvez horas entre o não dito e o dito, até que sussurro algo e a voz ainda me falta. você não responde, mas ouço que encolhe as pernas. tenho sede, mas não levanto para não te acordar. tento preservar ao menos o resto de saúde de nossa presença. será que vou acordar e confundir isto com um sonho ruim? não é que eu tenha medo de ser covarde. tenho medo é de ter medos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4493597000470051064?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4493597000470051064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4493597000470051064&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4493597000470051064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4493597000470051064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/06/suicdio-culposo_17.html' title='suicídio culposo'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RnXOMopMvqI/AAAAAAAAADo/FlR5AYfaiKM/s72-c/1A.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-8944380182599636150</id><published>2007-06-04T10:41:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:48.767-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colagens'/><title type='text'>Cap. 7</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RmcIAopMvoI/AAAAAAAAADQ/sMkW4koXKSI/s1600-h/asdfsdg.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RmcIAopMvoI/AAAAAAAAADQ/sMkW4koXKSI/s400/asdfsdg.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5073032312259395202" border="0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, e que por um acaso que não procuro compreender coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Júlio Cortazar. O jogo da Amarelinha)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-8944380182599636150?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/8944380182599636150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=8944380182599636150&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8944380182599636150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8944380182599636150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/06/cap-7.html' title='Cap. 7'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RmcIAopMvoI/AAAAAAAAADQ/sMkW4koXKSI/s72-c/asdfsdg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-1773732351885383671</id><published>2007-05-22T10:17:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:48.936-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amorfos'/><title type='text'>Country roads</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RlLtmnEKohI/AAAAAAAAADA/Y0ikm1Ta88I/s1600-h/roads.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RlLtmnEKohI/AAAAAAAAADA/Y0ikm1Ta88I/s400/roads.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5067373778322498066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;As estradas que me levam pra casa&lt;br /&gt;é que são minha casa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-1773732351885383671?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/1773732351885383671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=1773732351885383671&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1773732351885383671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1773732351885383671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/05/country-roads.html' title='Country roads'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RlLtmnEKohI/AAAAAAAAADA/Y0ikm1Ta88I/s72-c/roads.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3187809981322690449</id><published>2007-05-21T14:35:00.000-03:00</published><updated>2007-05-22T09:51:44.069-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Outono em Madri</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://graphicssoft.about.com/library/uc/g/spanishdancer.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px;" src="http://graphicssoft.about.com/library/uc/g/spanishdancer.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em Madri umas cinco da manhã. Péssimo horário. Fazia muito frio, e por certo ninguém estaria  acordado pra me receber àquela hora. Seria prudente esperar pelo menos até as oito. Ainda mais em um sábado. Em Madri se trabalha sábado? Não sei. Café, cigarro. Não pode fumar aqui, não pode fumar ali. Ta bom, eu levo o café pra fora, coloca num copo descartável. Coisa de americano, mas eu quero tomar café e fumar. Mais café. ¿Puedo fumar acá? No. Oito horas, finalmente. Pego um táxi, e no caminho admiro as novidades como um turista qualquer. Tudo parece belo, e ao mesmo tempo, pouca coisa surpreende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia algum tempo que, de tanto ouvir falar em Madri, já me parecia mais uma terra imaginária do que a capital espanhola. O velho sempre nos descrevia como as curvas e os muros de pedra tinham um ar atemporal, quando olhados de cima, em alta velocidade. Era engraçado, e ao mesmo tempo esgotava um pouco a paciência. Pelo menos em metade da manhã ou da tarde ele sempre se dedicava a falar sobre o tal carro helicóptero que comprara em Madri. "O carro faz isso, faz aquilo. Madri é perfeita para os vôos." Às vezes eu achava que era esclerose, mas não tinha como não ficar curioso. Não sei se esse carro existe em algum outro lugar do mundo, mas o do velho estava aqui, e por isso eu tinha que vir. Ele sempre dizia, prevendo a morte próxima, que seria uma pena se não morresse dentro do troço. Essa hipótese sempre lhe dava um ar meio autista, e deixava a todos meio sem graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase nove da manhã, aqui estou eu. Pensei que o trambolho ocupasse a rua toda, mas não vejo nada. O endereço está certo, e esta casa tem uma bela de uma garagem. Toquei a campainha e um sujeito gordo de uns quarenta anos me atendeu. ¿Señor Raul? Sim, era ele. Sinceramente pensei que fosse encontrar outro velho meio esclerosado. Sempre tive a impressão de que fossem dois gagás babando e brigando por um brinquedo, mas não. Era um senhor muito polido, de poucas palavras, o que me fez entender o motivo principal das desavenças. Um sujeito desses, sócio de um velho escandaloso, não daria certo em lugar nenhum do mundo. Disse-me algumas coisas sobre estar contente de eu ter ido ver o carro helicóptero, que desde que o velho havia morrido ele não havia andado mais, e me convidou para tomar café com a família. Apenas algumas perguntas sobre o Brasil, futebol, o velho. Disse-lhes que ele morreu falando no carro helicóptero. Deram uma risada discreta, apenas. Enquanto isso,  eu pensava, enquanto comia aquela torrada com café amargo, como era ridículo estar ali naquele momento. Por mais que o velho insistisse pra eu conhecer o carro avião, só teria sentido se tivesse vindo com ele. Dando-me aquelas explicações furadas, inventando metade das coisas, recorrendo à memória fraca e se irritando consigo mesmo. Agora era eu, aquele senhor gordo, e aquelas pessoas, falando sobre um monte de coisas inúteis, em outro país, em outro continente. Mas fazer o que, eu já estava lá. Ir do outro lado do mundo pra ver uma coisa que pra mim nunca fez o menor sentido. O jeito era tomar café e ir lá ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui na frente, esperando no vão defronte a casa. Fiquei olhando o céu. Caía uma chuva de folhas secas. Que outono bonito, pensei. Aquelas pedras, aquelas folhas, tudo meio morto, meio seco, laranja quase opaco. De certa forma estava feliz de conhecer a Espanha. Já conhecia Buenos Aires, agora Madri. Acho que gostei mais de Buenos Aires, mas por certo isso era um sentimento de companheirismo sul-americano. Ele me falou como aquele carro helicóptero era bem mais importante para o velho do que para ele. Contou-me sobre quando compraram aquilo, os dois brigando no leilão, até que resolveram se juntar. O velho queria muito levar pro Brasil, mas não pôde. O homem abriu a porta da garagem, e estava muito escuro, mas vi que era aproximadamente do tamanho de um carro. Ele tirou da garagem, e não tinha nada do trambolho que eu imaginei. Vendo pela primeira vez, era notável que ele deixaria boquiaberto qualquer apaixonado por máquinas, pois era ao mesmo tempo robusto, ousado, sem deixar de ter graça (aquele nariz arrebitado típico dos helicópteros). Coloquei a mão no teto do lado de fora. Estava empoeirado, e Raul repetiu que não o tirava da garagem desde que o velho havia morrido. Não disse nada, e comecei a imaginar o velho passeando naquilo. Pude ver perfeitamente, porque era de fato como ele nos descrevia. Propôs que déssemos um passeio, mas não respondi de imediato, queria apreciar um pouco mais, isso daria mais emoção ao entrar, e também queria acabar o cigarro. Joguei o cigarro na rua, com um olhar de desaprovação da esposa, mas antes que ela dissesse algo eu já estava entrando no carro helicóptero. Realmente era bastante confortável. Acomodei-me e descobri que não era possível abaixar o vidro, o que me deixou um pouco incomodado. Mas, ao entrar, Raul abriu o teto. Gostei. Abriram o portão, e lá fomos nós. O filho dele, um pouco mais jovem que eu, pegou a bicicleta e veio nos acompanhando. Era bem vivo, às vezes nos perdia, às vezes ia por outro caminho, mas sempre nos encontrávamos em algum cruzamento ou alguma esquina. Estávamos andando no chão, como carro. Ele estava me mostrando Madri. Que belo outono, era só o que eu pensava na maior parte do tempo. Tínhamos entrado por umas ruas meio desertas, o que era melhor, pra evitar um pouco os olhares curiosos. Mas, em certo lugar, havia um grupo de jovens, ouvindo música e bebendo. Até aí tudo normal, mas começaram a fazer chacota do nosso carro.Fiquei revoltado com aquilo, acho que, na verdade, eu havia me apegado àquele carro rápido demais. Irônico, pois o que eu já havia feito de chacota ao carro... acontece, mas agora eu estava do outro lado. Coloquei o braço no vão do teto e mandei os caras pro inferno. Um deles, mais invocado, pegou a moto e começou a nos acompanhar. Gritava algo que eu não entendia, mas que pela cara dele não devia ser nenhum elogio. Raul, a meu lado, parecia não gostar muito daquela situação, comedido que era. Mas não falava nada, e se concentrava em dirigir. Eu me incomodei, e muito. Levantei, fiquei com metade do corpo pra fora, pelo vão. O cara ficou olhando pra mim e xingando. Ele estava sem capacete, então eu tirei o chiclete da boca e joguei no cabelo dele. O rapaz parou na hora, ficou apalpando o cabelo pra achar (não sei se achou), e depois veio em disparada atrás de nós. Raul perdeu a paciência, e com uma cara de poucos amigos, fez o carro virar helicóptero. Subimos, deixando o embasbacado motoqueiro a simplesmente nos admirar lá de baixo. Rimos de canto de boca e nos olhamos discretamente. Não falamos absolutamente nada sobre o ocorrido, apenas ficamos admirando Madri lá de cima. Neste momento, o filho de Raul apareceu com sua bicicleta. O garoto parou, olhou para cima e começou a fazer um sinal, para que descêssemos, apontando para algo que tinha encontrado. Descemos na outra pista, fizemos o retorno, e fomos lá. Não era nada importante, o garoto era meio bobo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3187809981322690449?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3187809981322690449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3187809981322690449&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3187809981322690449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3187809981322690449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/05/outono-em-madri.html' title='Outono em Madri'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3223679398460543003</id><published>2007-05-15T12:06:00.000-03:00</published><updated>2007-05-15T11:15:58.832-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>FUNDAÇÃO MÍTICA DE FRUTAL</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.fructal.com.br/imagens/Frutal3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px;" src="http://www.fructal.com.br/imagens/Frutal3.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E foi por este rio bosteiro em que pescavas&lt;br /&gt;que as proas arriaram para afundar a pária?&lt;br /&gt;Iriam às frutas as vaquinhas pintadas&lt;br /&gt;por entre os aguapés da correnteza arisca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem a coisa, supomos que o corguinho&lt;br /&gt;era marrom então como a terra doce&lt;br /&gt;com sua estradinha velha para marcar o latifúndio&lt;br /&gt;em que esbanjou um general e os índios sumiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O certo é que dez homens e outros dez arriaram&lt;br /&gt;por um pomar que de largo tinha uns cinco pés&lt;br /&gt;ainda de laranjas e abacaxis povoado&lt;br /&gt;e pedras doloridas que enlouqueciam a cambada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fincaram algumas calçadas trêmulas pelo centro,&lt;br /&gt;e dormiram abraçados. Dizem que na matriz,&lt;br /&gt;mas estes são boatos que forjaram no Estudantil.&lt;br /&gt;Um quarteirão inteiro e em meu bairro: Ipê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um quarteirão inteiro é o Polivalente,&lt;br /&gt;exposto às alvoradas, aabb´s e contadores.&lt;br /&gt;A quadra similar que persiste em meu bairro:&lt;br /&gt;Claiton Brito, Buraco Fundo e Marretão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um armazém rosado como as costas de um pêssego&lt;br /&gt;brilhou e lá no fundo um mameluco gritava;&lt;br /&gt;no armazém cor-de-rosa defloraram o compadre,&lt;br /&gt;rainha da esquina agora, e ressentido e duro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no primeiro realejo saudavam os bóias frias&lt;br /&gt;com seus rostos baixos, sua marmita e pirajubanos.&lt;br /&gt;Por certo o barracão já ostentava na Vila,&lt;br /&gt;alguma viola mandava sertanejos de Goiás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma praça suja e verde surgiu defronte&lt;br /&gt;a igreja. Seus bancos desmoronavam em ontens,&lt;br /&gt;e os homens caiam em um passado ilusório.&lt;br /&gt;Só faltou uma coisa: o fumo Fulgor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim só na lenda começou Frutal:&lt;br /&gt;entendo-o tão passageiro como a fruta: verde, madura, perdida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3223679398460543003?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3223679398460543003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3223679398460543003&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3223679398460543003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3223679398460543003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/05/fundao-mtica-de-frutal.html' title='FUNDAÇÃO MÍTICA DE FRUTAL'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-633166042359073551</id><published>2007-05-08T17:04:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:49.117-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Deriva</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RkDcX7QaJYI/AAAAAAAAACg/oKTPzKXRPlg/s1600-h/p-23b+Fish+w+corals.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RkDcX7QaJYI/AAAAAAAAACg/oKTPzKXRPlg/s400/p-23b+Fish+w+corals.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062288284766053762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro que não era só aquilo. Olhos meio fechados, a lua brilhando no céu. Por trás de tudo, havia aquele sentido de que as coisas não poderiam ser como eram. De que algo meio secreto, meio revelado, estravazasse as persianas e se perdesse na loucura das horas. O abraço ou o beijo podiam ser puros, mas suas intenções não eram. A ponte desenhada ferozmente e desalinhada com o rio. Como se quando ela sorrisse, ele a enxergasse chorando. Quando ele acenava saudando o dia, ela pensava que fosse o adeus. As formas fechadas da cama não podiam deixar que tudo isso fosse derramado e irrestritamente se perdesse pelas escadas, mundo abaixo. Os peixes do aquário, observadores secretos e atentos, fixavam considerações acerca daquela noite: um pouco de oportunidade perdida, a vida mal-interpretada, o beijo desgarrado do amor. Enquanto ele se levantava para ir até a sacada tomar um punhado de vento na cara, ela se cobria debaixo das cobertas, e olhava os peixes. A sinalização visual era precária, e eles não conseguiam, delatores que eram, dizer a ela que ele estava agora com uma expressão triste, de quem ama mas não sabe. As cores confusas não deixavam mensagem alguma passar pelas ondas invisíveis da água do aquário. E o que ele disse a si mesmo era relacionado à dor da qual não se pode fugir. A dor é incondicional, na presença ou na ausência. Não se pode imaginar um modo em que não haja. Imagina-se qual das escolhas é mais agradável. Ao corpo, ou a alma? Parecia um homem do corpo, a julgar seu olhar triste, focado em algum prédio distante que não o via. Se fosse da alma ele, por certo, fecharia os olhos, e não teria ido sentir a brisa nas costas nuas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando disseram pela primeira ou segunda vez, nós, e tiveram a exata noção de que respiravam um o ar do outro, uma calçada de pedras e paralelepípedos ficou levemente envergada para o lado, pela visão de canto de olho entre os cabelos lavados e descoloridos dela. Ele sentiu-se novamente um rei e ao mesmo tempo um súdito. Ambos na mesma medida, cruéis e prazerosos. A calçada foi se alongando até que chegou neste andar perdido no alto da cidade. A falta de um chão de terra não tirou o norte de cada um. A inexistência dele continuou a mesma de antes. Qualquer que fosse o desenho pintado na parede, do lado dele ou dela da cama, eram quase traços contínuos sempre. Para trás e para frente, para os lados, em espiral. Traços que não chegavam nem saiam de lugar algum, mas que eram belos em sua pureza. Quando olhavam um no olho do outro, ambos voltados para o centro, os desenhos eram imperceptíveis, e sequer reluziam, como as estrelas. Então, não havia mesmo onde chegar. O fim, o centro, era ali. O ponto de convergência diluído no calor da madrugada. No olhar dos peixes, e nas bolhas do aquário. Sobretudo, no abraço e no cheiro de cabelo. Toda noite dormiam assim, disso sabiam. Só não tinham certeza se acordariam, nunca, do mesmo jeito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-633166042359073551?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/633166042359073551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=633166042359073551&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/633166042359073551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/633166042359073551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/05/deriva.html' title='Deriva'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RkDcX7QaJYI/AAAAAAAAACg/oKTPzKXRPlg/s72-c/p-23b+Fish+w+corals.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-2322698186145427977</id><published>2007-05-07T09:24:00.000-03:00</published><updated>2007-05-07T09:39:21.395-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colagens'/><title type='text'>Causa perdida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://northstargallery.com/Aircraft/B17/historicalphoto/vkf2_1944.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://northstargallery.com/Aircraft/B17/historicalphoto/vkf2_1944.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Meu avô francês foi feito prisioneiro pelos prussianos em 1870; meu pai alemão foi feito prisioneiro pelos franceses em 1918; eu, francês, fui feito prisioneiro pelos alemães em junho de 1940, e depois, recrutado a força pela Wehrmacht em 1943, fui feito prisioneiro pelos russos em 1945. Veja o senhor que nós temos um sentido da história muito particular. Estamos sempre do lado errado da história, sistematicamente: sempre acabamos as guerras com o uniforme do prisioneiro, o nosso único uniforme permanente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;pre&gt;Michel Pollak. Memória, esquecimento, silêncio. &lt;/pre&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-2322698186145427977?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/2322698186145427977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=2322698186145427977&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2322698186145427977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/2322698186145427977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/05/causa-perdida.html' title='Causa perdida'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-5870605002650220582</id><published>2007-04-25T00:36:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:49.273-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>A cidade te observa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RjKWurQaJVI/AAAAAAAAACI/rexsx7zvFmE/s1600-h/IMG_3417.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RjKWurQaJVI/AAAAAAAAACI/rexsx7zvFmE/s400/IMG_3417.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5058271060120184146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saiu de casa bem cedo. Não precisava chegar a lugar algum, e isso tirava seu descaso com o tempo. Degustou o café meio amargo e mordeu em pequenos pedaços o pão de queijo, que fazia a vida parecer menos cruel. Esticou os pés, escorregou na cadeira, e espreguiçou-se lentamente, estalando os ossos. Acometia-o um sono justamente depois de tomar café, o que lhe causava certa estranheza. Não levantou imediatamente. Ficou pensando, já que era também após o café que lembranças levemente doloridas apareciam. E aceitou um copo de leite. Sentia um conforto na garganta e no estômago ao tomar um copo frio de leite. Parecia livrá-lo de todas as substâncias tóxicas ingeridas na noite anterior. O costume acabou por extinguir a ressaca. A água gelada ajudava. O sol da manhã era refrescante e pálido. A caminhada lenta, a brisa fria, ainda com resquícios da madrugada cheia de garoa, impunha-se sobre todos os poros e eram aceitos. Parou no viaduto, apoiou os braços na grade e observou. O fluxo único dos carros lhe dizia muita coisa. Sentiu ao mesmo tempo vontade de morrer e de viver. Num momento os carros, apesar de entrarem na retina, sumiram da visão. Na verdade não existia ali nenhum carro, existia apenas a anti-fuga de todos eles, que anulava qualquer espécie de individualidade. Nao existiam sequer cores, apenas uma profusão. Mas ali, apoiado nas grades do viaduto, sentia-se único. Quantos, dentro dos carros, não estariam olhando pra cima, e invejando-o por estar ali, àtoa, a observar. Sem pressa, sem preocupação, sem medo. Imaginou o quanto lhe imputariam características que sequer poderia sonhar. Bandido esperando uma vítima, vagabundo, turista. Por aí afora. Agora, então, era tantos em um só. Diferente daqueles lá de baixo, que eram um só em tantos. Não queria estar no lugar dos outros, mas sentia-se deslocado. Imaginou que o mais natural seria que alguns daqueles deviam também estar em um viaduto, observando. Tanto espaço aqui em cima. &lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","\u003cbr\&gt;Quando o sol se fortaleceu, e sua pele começou a suavemente se queimar, saiu dali. \u003cbr\&gt;Após alguns quarteirões andados, e algum tempo despendido em um ou outro estabelecimento - com conversas esparsas e um ou outro real gasto - resolveu que almoçaria. A tarde quente propiciava a reflexão que era invariavelmente levada ao sono profundo. Adormeceu vagarosamente, com um rosto sumindo ponto a ponto de sua vista . Acordou sem saber que horas eram. Uma confusão preguiçosa, transgressão de fusos, escravidões, relógios tortos e disformes. \n\u003cbr\&gt;A noite ainda começava, e ele já havia cumprido sua obrigação de dormir, o que lhe dava agora todo o tempo para se manter num ritmo urbano cardíaco de altas pressões. Saiu sob o som frenético de uma noite que se inicia. As cores saiam do baixo do viaduto e subiam às fachadas, onde também lutavam por espaço, e com mastria não se esbarravam. Sentia-se minimamente zonzo, devido ao sono prolongado da tarde. Tomou chá quente como entrada para algo um pouco mais forte, que o acordaria por certo. Depois comeu novamente e pediu cerveja. O movimento nas ruas era cada vez menor conforme o tempo passava. Quanto menos pessoas vagando, mais ele se sentia seguro e com menos necessidade de um lar. A noite, a solidão, tudo aquilo lhe fazia bem. No fundo, em contraponto, sentia uma falta dolorida de alguém que não estava naquela mesa a seu lado nem estaria em casa lhe esperando. Mas não podia se entregar sempre e somente aos lamentos. Havia ainda este outro lado, que lhe salvava um pouco da paz de espírito. Olhou pessoas jogando. Ganhando e perdendo, e reconheceu uma outra forma em que o espírito poderia ser salvo. Lamentou de certa forma, pelas implicações que aqueles jogos poderiam ter em suas vidas, mas no mesmo momento um homem ganhou um bom dinheiro. Quando já bem tarde, esboçaram-se os primeiros bocejos, decidiu que era hora de ir pra casa. As portas já estavam apenas entreabertas, e o estabelecimento todo já adquiria um clima sonolento. Abaixou-se para passar pela porta, e foi lentamente caminhando pela noite, quando começavam os primeiros pingos de chuva. \n",1] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;Quando o sol se fortaleceu, e sua pele começou a suavemente se queimar, saiu dali.&lt;br /&gt;Após alguns quarteirões andados, e algum tempo despendido em um ou outro estabelecimento - com conversas esparsas e algusn reais gastos - resolveu que almoçaria. A tarde quente propiciava a reflexão que era invariavelmente levada ao sono profundo. Adormeceu vagarosamente, com um rosto sumindo ponto a ponto de sua vista . Acordou sem saber que horas eram. Uma confusão preguiçosa, transgressão de fusos, escravidões, relógios tortos e disformes.&lt;br /&gt;A noite ainda começava, e ele já havia cumprido sua obrigação de dormir, o que lhe dava agora todo o tempo para se manter num ritmo urbano cardíaco de altas pressões. Saiu sob o som frenético de uma noite que se inicia. As cores saiam do baixo do viaduto e subiam às fachadas, onde também lutavam por espaço, e com mastria não se esbarravam. Sentia-se minimamente zonzo, devido ao sono prolongado da tarde. Tomou chá quente como entrada para algo um pouco mais forte, que o acordaria por certo. Depois comeu novamente e pediu cerveja. O movimento nas ruas era cada vez menor conforme o tempo passava. Quanto menos pessoas vagando, mais ele se sentia seguro e com menos necessidade de um lar. A noite, a solidão, tudo aquilo lhe fazia bem. No fundo, em contraponto, sentia uma falta dolorida de alguém que não estava naquela mesa a seu lado nem estaria em casa lhe esperando. Mas não podia se entregar sempre e somente aos lamentos. Havia ainda este outro lado, que lhe salvava um pouco da paz de espírito. Olhou pessoas jogando. Ganhando e perdendo, e reconheceu uma outra forma em que o espírito poderia ser salvo. Lamentou de certa forma, pelas implicações que aqueles jogos poderiam ter em suas vidas, mas no mesmo momento um homem ganhou um bom dinheiro. Quando já bem tarde, esboçaram-se os primeiros bocejos, decidiu que era hora de ir pra casa. As portas já estavam apenas entreabertas, e o estabelecimento todo já adquiria um clima sonolento. Abaixou-se para passar pela porta, e foi lentamente caminhando pela noite. Começavam os primeiros pingos de chuva.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-5870605002650220582?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/5870605002650220582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=5870605002650220582&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5870605002650220582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/5870605002650220582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/04/cidade-te-observa.html' title='A cidade te observa'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RjKWurQaJVI/AAAAAAAAACI/rexsx7zvFmE/s72-c/IMG_3417.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-6159689608498440655</id><published>2007-04-21T23:29:00.000-03:00</published><updated>2007-04-22T13:11:56.375-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.capmarine.com/cap/graphics/Ace-1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://www.capmarine.com/cap/graphics/Ace-1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era como aquilo (não sei o nome) "é proibidio proibir" "uma guerra para acabar com as guerras". Milhões de paradigmas, até engraçados e cruéis. Uma folia de folhas foleadas a ouro. No meio da rua, com todo mundo louco, varrendo-as para dentro de casa. Como sou azarado, não existem árvores mais altas que meu apartamento, e o elevador estava congestionado. Até o meu cigarro caiu lá embaixo.. queria ficar rico, e morreu. Existia uma garota, e ela jurava ser a rainha do Egito. Somente conversava com seus súditos quando precisava de algo. Aliás, conversava não, seu tolo... mandava. Um dia ela estava chegando em casa e tropeçou nos própios cadarços. Bateu a cabeça e ficou louca. Começou a dizer que tinha um nome comum e trabalhava perto da Sé. Comeu até churrasco grego comigo numa quarta feira sem sol nem chuva. Chegou então um telegrama do Egito, num barquinho escrito N.I.L.O. Express. Ela tinha sido deserdada. Eu achei que sabia de um segredo, mas o maldito contava de um jeito diferente pra cada pessoa. Muitos se mataram em busca da verdade, que de fato não interessava a ninguém. O meu totem perfeito seria o anti-totemismo. Obviamente, não existira então o totem, e o que não existe não pode ser perfeito. E se eu disser que "a menos que nada seja tudo" eu mereço ser enforcado em praça pública. E eu não tenho um apelido pra entrar pra história. Dia de Fabio Farias não seria respeitado nem lá em casa. Liberem logo a porcaria do aborto e parem de frescura, pelo amor de deus. Falam milhares de baboseiras sobre quando de fato a vida começa.. deviam se preocupar com quando a vida termina. Entrei numa cortina de fumaça. Tudo era sombrio e cheirava a mofo. Tateei e nada me parecia familiar. Apenas uma estranha mistura de sensações e cores do passado. Meio corpo jogado num canto. Pessoas se abraçando pelos corredores. Um cachorro atropelado, um gato envenenado, cigarros de menta me fazendo vomitar, gritos, facas, cavalos, bebidas, decepções. Até que tudo ficava completamente vazio. Havia apenas uma mesa e um baralho. Sentei-me. Um Royal Staight Flush. Não havia ninguém com quem jogar. Voltei até lá, mas só haviam carcaças. Sacudi-os, eles começaram a chorar e foram embora. Queimei as cartas com a ponta do cigarro, e joguei fora o dinheiro das apostas. Comecei a contar, mas era muito. Ferguson é técnico do Manchester desde 86. Dizem que ele ganhou tudo que podia ganhar e continua ganhando. Existe um motivo melhor para demiti-lo? Isso é só retórica, eu não demitiria. Mas eu mandaria embora Christiano Ronaldo. Aliás, trocaria pelo Henry, assíduo torcedor do Vasco da Gama mas boa pessoa. Ou seja, ele é o Gil. Depois da rainha do egito surgiu a princesa da grã-bretanha. Não ficou louca, mas morreu. Poderia ser mais digno, mas não foi. Salut Gilles! Na verdade não existe insônia, existem pessoas adaptadas ao fuso-horário russo sem nunca ter saído do Brasil. É tudo uma questão de onde se joga a pedra. Quanto mais se consegue, mais difícil fica. Ser o rei do very easy ou apanhar no hard? E quando o hard já for como o novice, aí é hora de crescer. O churrasco grego causou desinteria na ex-rainha do egito, mas fez platão escrever a república. Todos os músculos de meu corpo se repuxaram e minha cabeça explodiu. Era o súbito despertar para  a descida até o céu. Sim, descobri que ele fica lá em baixo. No fundo, todo mundo sabe disso. Quem vai pro céu entra num tobogã. Que nunca acaba. Agora vem a melhor parte, de quando algumas pessoas resolveram que quatro mais dois eram quarenta e dois. A explicação deles era simples. Algo como "num sistema numérico complexo em que as representações arábicas lógicas se designam por signos metafísicos - logo não palpáveis - de justaposição e sem a interferencia de fatores externos e questionáveis, quatro mais dois é quatro e dois, logo...". Segundo um desses caras, eu e você é a mesma coisa que eu mais você. Aí um matemático disse que eles eram burros, e todos se mataram. Inclusive o matemático. Sorte que nunca acreditei neles. Aliás, nunca acreditei em nada, nem duvidei de nada. Só de quem disse essa frase idiota.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-6159689608498440655?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/6159689608498440655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=6159689608498440655&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6159689608498440655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6159689608498440655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/04/era-como-aquilo-no-sei-o-nome-proibidio.html' title=''/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4701619773085260859</id><published>2007-04-17T13:18:00.000-03:00</published><updated>2007-04-17T13:21:31.117-03:00</updated><title type='text'>Tired</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://archive.mauitime.com/v08/v08_27/images/OLD-MACHINE.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://archive.mauitime.com/v08/v08_27/images/OLD-MACHINE.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Maybe I am the man with those mystic two heads&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;one facing down, the other facing back&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;but I don't know who I am&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;and you still don't know who I am&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="font-weight: bold;"&gt;Maybe I am the man with the legendary four hands&lt;br /&gt;To finger, to heal, crave and strangulate&lt;br /&gt;but I don't know who I am&lt;br /&gt;and you still don't know who I am&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I am exhausted of returning to a place I've never been&lt;br /&gt;I am exhausted of returning from a place I've never been&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maybe I am the man of the universal two words&lt;br /&gt;The lie and the lie, the scorn and the scorn&lt;br /&gt;You want to know how I am&lt;br /&gt;To forgive me what I am&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I am exhausted of returning to a place I've never been&lt;br /&gt;I am exhausted of returning from a place I've never been&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I forgot who I am but I am too tired to be it&lt;br /&gt;I forgot who I am but I am too tired to live/leave it&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I am exhausted of returning to a place I've never been&lt;br /&gt;I am exhausted of returning from a place I've never been&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Tired - Moonspell&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4701619773085260859?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4701619773085260859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4701619773085260859&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4701619773085260859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4701619773085260859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/04/tired.html' title='Tired'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4956959241273815849</id><published>2007-04-12T10:04:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:49.417-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Reflexos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rh5vfDUbr8I/AAAAAAAAACA/DvudVMkFe7k/s1600-h/269.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rh5vfDUbr8I/AAAAAAAAACA/DvudVMkFe7k/s400/269.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5052598411213909954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia um tempo em que a + b eram c, e isso não mudava nada. Havia um tempo em que as palmeiras eram altas, mas não importava o que havia lá em cima. A chuva caia, o sol nascia, e a conseqüência era somente a hora de acordar . Sair de casa era não estar em casa, estar em casa era querer ir para a rua. Um jogo do qual logo se cansa. Sentia-me invadido por uma necessidade de ter algo a resolver. De ser necessário, ou ainda mais, imprescindível. Existia um certo desapontamento na simplicidade das coisas, no azul do céu ou nas pichações apaixonadas dos muros. Sempre percebi qualquer coisa de inútil nos diálogos. Muito cedo me frustrei com o mundo. Me calei para fugir da auto-crítica. Refugiei-me na metafísica, no abstrato, no platonismo. Qualquer fuga, por menor que fosse, me parecia um exílio para a realidade em guerra surda e cega. Não posso dizer que me sentia feliz, mas me sentia seguro. Era como se eu vivesse cercado num deserto inabitado. Quando quis me arriscar, estava sozinho e não havia perigos. Sempre um vai e vém inútil, uma precipitação na interpretação de minha própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora não  há mais  do que fugir, embora fugir seja sempre uma opção. Esse cheiro de mofo que impregna até mesmo as paisagens de meus sonhos. As palavras sempre ríspidas e corrompedoras. Não há argumentos contra nada nem ninguém, só o silêncio. Minha cela é pequena, e de um cinza árido que não me incomoda. Não me agrada apenas o sol que adentra pela manhã, até a hora de comer, faz arderem meus olhos. Durante a tarde, e a noite, é quase como se fosse noite, sempre. Consigo um cigarro proibido e me sinto razoavelmente traquilo. Apago-o na metade, e acabo de fumá-lo ao acordar ou quando tenho insônia. Sempre que o acendo, imagino o que o acaso poderia ter me reservado, se não tivesse puxado o gatilho naquela noite de embriaguez. Lembro-me do rosto de Jane, aterrorizada perante o cadáver, e da minha satisfação de imaginar que agora não haveria mais ninguém entre nós. Construí, naqueles poucos segundos, o nosso mundo de sonhos, a liberdade de Jane, e tudo dependia apenas de um gesto meu. E o gatilho era tão macio. Mas assim que o estouro eclodiu nas paredes e na noite agitada, ela não quis me abraçar. Correu, e nunca mais a vi. Nada pude fazer senão sentar-me ao lado de seu algoz e balbuciar o nome dela. Depois, não me lembro de muita coisa. Já estava aqui, comendo essa massa sem gosto e tomando banhos frios. Sempre me perguntam a causa de meu ato. Era a minha chance. Jane estaria livre. Ela era a primeira, talvez a última, a precisar de mim, e eu não poderia falhar. O castigo e o crime não podem se misturar. Chegou o dia em que eu tive de subir a palmeira. Que eu tive de resolver uma equação maior. Cair ou não chegar ao resultado era parte do processo. Podia acontecer, mas não invalidava nada. Agora não me sinto seguro, mas talvez seja o mais próximo que possa chegar da felicidade. O amor que nunca vivi com Jane me absolveu de mim mesmo. Penso muito nela, mas jamais no homem em quem atirei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4956959241273815849?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4956959241273815849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4956959241273815849&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4956959241273815849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4956959241273815849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/04/reflexos.html' title='Reflexos'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rh5vfDUbr8I/AAAAAAAAACA/DvudVMkFe7k/s72-c/269.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-6396976140240453549</id><published>2007-04-11T15:59:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:49.575-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amorfos'/><title type='text'>um momento no tempo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rh0xejUbr7I/AAAAAAAAAB4/JIHQfLGpA4s/s1600-h/9045.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rh0xejUbr7I/AAAAAAAAAB4/JIHQfLGpA4s/s320/9045.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5052248757926342578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sentindo, como uma martelada, os segundos passarem (entre um cigarro e outro), esperava silencioso e angustiado por uma resposta, que não vinha. a eternidade existe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-6396976140240453549?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/6396976140240453549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=6396976140240453549&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6396976140240453549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/6396976140240453549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/04/um-momento-no-tempo.html' title='um momento no tempo'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rh0xejUbr7I/AAAAAAAAAB4/JIHQfLGpA4s/s72-c/9045.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-7238910001740607574</id><published>2007-04-04T19:12:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:49.763-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário de viagem'/><title type='text'>Buenos Aires: um domingo antigo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RhQnBfqltVI/AAAAAAAAABw/exTtz_KTcVI/s1600-h/IMG_3439.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RhQnBfqltVI/AAAAAAAAABw/exTtz_KTcVI/s400/IMG_3439.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5049703988822652242" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Buenos Aires, 03 de setembro de 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nada como saborear a derrota do inimigo estando próximo a ele. Quando se vence em meio aos seus pares, todos são tomados por uma fraternidade, que nos traz a acomodação fácil de quem não pode ser mais atingido. O confronto acaba, e você está seguro. Quando se está em meio ao inimigo, e é o vencedor, há, sobretudo, um desejo secreto de anunciar aos quatro cantos sua supremacia. Contenta-se, entretanto, com uma silenciosa admiração da dor alheia, e uma discreta contenção de explosão em cada trunfo. Apesar disso, me parece uma alegria mais equilibrada, e, ao mesmo tempo, extremamente sádica. Brasil 3, Argentina 0. O churrasco e a Quilmes descendo lentamente pela garganta dos que dividiam o restaurante conosco, enquanto resmungavam e movimentavam os braços. Alguns iam embora, outros chegavam. O que não mudava era a feição de velório ao olharem para os números mágicos no canto da tela. E nós dois ali, falando o bom português sem nenhum pudor, tomando docemente quilmes com fogazzas. Sentindo que existiam conquistadores e conquistados, como nós, e eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso a cidade se calou, e tomada por uma nostalgia (talvez dos tempos em que tinham Maradona) foi toda para a feira de antiguidades de San Telmo. Havia muita coisa, mas confesso que nao me prendi a quase nada. Só me chamaram a atenção alguns casacos. Havia neles qualquer coisa de rústico, um selvagem indígena, com o toque refinado de Buenos Aires. Não, não caberia na mala, melhor sair logo daqui. Minhas pretensões, afinal, eram outras naquele domingo de sol. As ladeiras, com seus paralelepídos  - cravados há 100 anos por homens que vieram do norte, e chegaram pelo que hoje é o Puerto Madeiro - , ajudavam consideravelmente a amenizar a temperatura. As barracas, a quantidade de pessoas, a subida. Quase me sentia incomodado. Mas de fato tudo isso não passava de desculpa. A verdade é que  depois de tomar uma Quilmes, tudo que eu queria era tomar outra. E rumamos em busca de um lugar qualquer. Encontramos, por sorte, um bar vazio e agradável. Apoiavam os cotovelos no balcão dois senhores de idade um pouco avançada, bastante corteses. Serviram-nos sanduiches e algumas cervejas. Era um lugar escuro, numa esquina da Avenida Independência. Talvez pela quantidade de pessoas de alta idade, pela decoração, não sei ao certo, mas algo de antigo pairava no ar que respirávamos naquele ambiente, o que me fez imaginar que neste domingo não poderia fugir do saudosismo e das antiguidades. Entretanto não havia o sol, e sim as Quilmes.&lt;br /&gt;Domingo, em qualquer lugar do planeta, é o dia sagrado do futebol, e apesar do providencial clássico da manhã, ainda havia Estudiantes contra alguém e River contra outro alguém. O bar logo se encheu para assistir os jogos. A atmosfera era tão simpática que nem mesmo as crianças me incomodavam. Cheguei até a achar um ou outro engraçado. Perdi levemente a noção de que a Quilmes tem um litro, e tomei aproximadamente o número de garrafas que tomaria se ela fosse do tamanho das cervejas que estou acostumado. Então, entre um copo vazio e um cheio,  descobri o segredo daquele bar. Ali as horas passavam mais rápido. O tempo fluía por uma fenda própria no tempo, e nos levava com ele. Os assuntos, os gestos, os copos, certeiros e voadores, como uma bala. Tudo escorregava com agilidade entre as mesas apertadas e a meia luz. Aquela calma era justamente isso: o referencial da velocidade, a rápida leveza contra o peso que tanto dificultava a caminhada do mundo. Tão rápido que quando estava prestes a pedir talvez minha nona Quilmes, vimos o senhor levantando as cadeiras e limpando o chão. O pior, ainda era cedo. Cedo no meu relógio, e no tempo dos mortais, ali dentro já era tarde, embora eu quisesse permanecer naquela mesa por talvez uma parte da eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez pela grande quantidade de cerveja, não me lembro de mais nada desta noite.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-7238910001740607574?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/7238910001740607574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=7238910001740607574&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/7238910001740607574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/7238910001740607574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/04/buenos-aires-um-domingo-antigo.html' title='Buenos Aires: um domingo antigo'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RhQnBfqltVI/AAAAAAAAABw/exTtz_KTcVI/s72-c/IMG_3439.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3759390201911468830</id><published>2007-03-31T13:40:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:49.981-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário de viagem'/><title type='text'>Buenos Aires: jazz portenho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RhFSCYhAcNI/AAAAAAAAABg/4qDyomc4bpg/s1600-h/Plaza+de+Mayo.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RhFSCYhAcNI/AAAAAAAAABg/4qDyomc4bpg/s320/Plaza+de+Mayo.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5048906858153144530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Buenos Aires, 02 de setembro de 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma leve diferença arquitetônica, toques pitorescos de antiguidade. Cafés que mesmo ao sol do meio dia pareciam escuros e sombrios. O vento frio que balançava o cachecol, peça que nunca havia usado. Tudo europeu demais. O pior é que não posso negar que gostei. Um ambiente propício para cigarros tão fortes e fumados incessantemente. A fumaça no rosto, o calor no céu da boca. Talvez eu pudesse me perder, e não conseguir me fazer entender. Talvez chegasse a algum lugar de onde não saísse, tomado por uma força magnética. Talvez odiasse tudo, ou ficasse entediado. Essa era a sensação ao me aproximar de cada esquina no primeiro passeio a pé por esta cidade. Embora no fundo eu soubesse o máximo e o mínimo que poderia encontrar. Me entregava ao que estivesse entre isto. Em geral, as simples calçadas e esquinas de um sábado frio. Era o que eu precisava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem aproximadamente cinco pessoas que eu traria a Buenos Aires. Ao menos uma estava comigo. E dividir a experiência de chegar à Praça de Maio era necessário. Subia daquela praça, como de uma ilha avistada ao longe, um cheiro de esperança, misturado com uma sensação de sofrimento. As placas, as pixações, abraçavam-nos ao mesmo tempo que nos olhavam com os olhos transtornados de ódio. Uma sedução arriscada. Como uma vontade quase incontrolável de se jogar de uma ponte, um sorriso macabro perante a idéia da morte rápida e inesperada. Pombas, mendingos, bancos. Uma praça cravada no sul da América do Sul, me trazendo memórias que não vivi. Relembrando fatos que não conheço. Tensionando meus músculos ao ponto de me sentir argentino e fazer aqui, nesta praça, uma vigília incessante. Depor quem for contra meus irmãos, quem quiser tomar minha terra. Senti-me parte de algo que sabia não ser. Repugnavam-me os turistas tirando fotos, os grupos de pessoas sorrindo e falando português ou ingles. Incitava-me uma força interna e violenta a algum atentado. A Casa Rosada, exibindo seus guardas emplumados e estáticos. Sentei-me. Olhei com indiferença para os imponentes prédios ao redor. Vi bandeiras tremulando, e senti o orgulho de quem trabalhava ou vivia com janelas virada para o símbolo máximo de seu país. Senti-me então traído por nacionalismos que não existem em mim. Monumentalizaram a pátria através do orgulho de ricos e pobres. Juntaram num mesmo saco todas as bandeiras, todos os interesses, todas as angústias, e disseram "esta é Argentina". O país parecia de fato estar acima de todos. Ou melhor, o país era todos. A maneira de falar o espanhol. As propagandas não tão hipócritas quanto as do resto do mundo (a una amiga nunca se deja sola - cigarrillos philip morris).&lt;br /&gt;Levantamo-nos e pegamos o metrô. Havia o silêncio, e o apito do guarda. O silêncio, reprimido. As portas então, fecham-se. O silêncio, o apito do guarda, as portas fechadas. Rumamos para Palermo Viejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espaço. É tudo que posso dizer sobre esse bairro. Também tem verde, zoologico, praças, mas tudo se insere de maneira quase milimétrica na exatidão dos grandes espaços. Os grandes espaços onde é impossível se perder, mas é muito fácil errar. Erramos, não era a Palermo Viejo que tinhamos que ter vindo. A rua que procuramos fica no centro. Impressionou-me como os argentinos (selecionados) de Palermo pareciam sentir-se bem nessa imensidão vasta de Argentina. Eram simpáticos e prestativos. Os cavalos enfeitados que levavam crianças também felizes a um passeio por 25 pesos. Tudo aqui sorria. Vamos ao centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Centros são, quase sempre, efusivos e radiantes. Fábricas de extâse coletivo, materializados pelas luzes e vitrines aglutinadas, atiradas ferozmente em retinas sem aviso. Corpos andando num ritmo como o dos peixes, milhares, sem se tocar. Todos olhando aos pontos fixos, e o mundo se diminui, ou aumenta. Entramos nessa, já que o centro de Buenos Aires não fugia à regra. Eu querendo toda a coleção dos livros de Cortazar (baratíssimos), e minha amiga selecionando um ou outro filme nos cartazes (e querendo os livros do Cortazar). A rua Corrientes, um mar de água doce e quente. Infelizmente um pequeno contratempo nos aconteceu, e precisamos deixá-la. Desfrutamos dos serviços públicos, e para amenizar, fomos a um bar onde acontecia um show de jazz. À noite em San Telmo, todos os bares sao pardos. O unico critério para entrar ou não seria cara ou coroa. Por mais que andássemos, víamos sempre os mesmos rostos, nas mesmas mesas, etc. Esse etc. tornava a simples busca um enorme cansaço. Até que a sorte nos trouxe o jazz, e uma pizza de mussarela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3759390201911468830?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3759390201911468830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3759390201911468830&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3759390201911468830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3759390201911468830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/03/buenos-aires-da-primeira-esquina-ao.html' title='Buenos Aires: jazz portenho'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RhFSCYhAcNI/AAAAAAAAABg/4qDyomc4bpg/s72-c/Plaza+de+Mayo.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3838658824983649743</id><published>2007-03-26T17:19:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:50.196-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário de viagem'/><title type='text'>Buenos Aires: a chegada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RgkqDmf98oI/AAAAAAAAABU/yvFrXhJO-3w/s1600-h/0257557.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RgkqDmf98oI/AAAAAAAAABU/yvFrXhJO-3w/s320/0257557.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046611098807956098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Buenos Aires, 02 de setembro de 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegar até aqui nao foi nada fácil. Nao me refiro unicamente às 33h preso na condução. Não.  Apesar da distância e da demora, havia sempre a janela, e algo novo. Paisagens, nada excepcional, mas em todo caso, paisagens que ainda não havia visto, possibilidades de surpresa a cada quilômetro rodado. Esse instinto de curiosidade sempre me repele qualquer sensação de tédio ou de insegurança. Refiro-me, mais que tudo, ao longo caminho entre a vontade de estar em Buenos Aires e de fato estar em Buenos Aires. Muitos de meus planos apenas nascem e morrem, nunca crescem ou frutificam. Este não. Circunstancias foram me levando a cada vez mais quere-lo, e mesmo quando não pensava necessariamente nesta cidade, ela se encaixava perfeitamente ao desejo de uma fuga planejada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de uns três anos atrás, quando Fernando,  Gil, e eu, programamos ir a Buenos Aires. A vontade maior era estar com meus amigos, mas Buenos Aires me pareceu, além de tudo, um destino agradável e pitoresco para este feito. Não fomos, mas a vontade não morreu. A literatura ajudou: primeiro Borges, e depois Horácio Oliveira, quando Bons Ares se tornou quase obrigação. A conversa no porto, os arredores caóticos. Eu sentia que de alguma forma tinha de viver aquilo. E, mais recentemente, dissertando numa tediosa noite de domingo, rascunhei em algum canto: "eu ando precisando mudar de ares, de música nova, de uma língua nova.", e juro que nesse dia nao pensava nessa viagem específica. Como eu disse, Buenos Aires era a fuga perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, como cheguei agora a pouco, posso falar apenas de minhas primeiras impressões. Viadutos... chegamos por uma parte da cidade com muitos viadutos. Apesar de achá-los belas construções, me incomodam, principalmente quando estou a pé. Me deixam um pouco perdido... mas logo passamos por eles, e a primeira claridade do dia apareceu. Veio a melhor parte: as árvores secas por causa do inverno.. todas, sem folhas, sem vida. Tudo opaco, acinzentando as fachadas dos prédios, os cachecóis, o rosto dos que acordam cedo, um cinza que não era triste, era apenas sóbrio. Esse cinza, que de vez em quando também acontece no Brasil, sempre me afugenta instantaneamente a felicidade e a tristeza. Sentimentos que talvez não sejam tão ajustados a minha personalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando desci do ônibus o vento era cortante e implacável, e a minha primeira lembrança foi a Loveless. Sim, acho uma boa relação: corte, frio, sobriedade. Se você é muito emocional, nao controla uma Loveless.. se é muito racional, calcula melhor a temperatura da chegada e se precave. Mas era um frio que me dizia: vá em frente, isso não é um obstaculo, é um presente meu para você, que tanto quis me conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vou deixar minhas bagagens no quarto, tomar banho, e ver o que mais essa mítica cidade me preparará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Son para el solitario una promesa&lt;br /&gt;porque millares de almas singulares las pueblan&lt;br /&gt;únicas ante Dios y en el tiempo&lt;br /&gt;sin duda preciosas.&lt;br /&gt;Hacia el Oeste, el Norte y el Sur&lt;br /&gt;se han desplegado – y son también la patria – las calles"  (Borges, Las calles)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3838658824983649743?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3838658824983649743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3838658824983649743&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3838658824983649743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3838658824983649743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/03/buenos-aires-chegada.html' title='Buenos Aires: a chegada'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RgkqDmf98oI/AAAAAAAAABU/yvFrXhJO-3w/s72-c/0257557.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-1774364338843499071</id><published>2007-03-23T14:49:00.001-03:00</published><updated>2007-03-26T18:14:43.039-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nocautes históricos'/><title type='text'>Nocautes Históricos: Marciano x Louis</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/QqpVXDqwa9I"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/QqpVXDqwa9I" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns nocautes são lembrados por serem plasticamente intocáveis. Outros, por terem acontecido em lutas envoltas por diversos fatores que as tornam especiais. O nocaute de Rocky Marciano em Joe Louis tem isso tudo em doses cavalares. A primeira frase que me ocorre ao lembrar dele é: "o fim de uma era, o começo de outra". Alguma coisa como se o sol, ao morrer, gerasse uma outra estrela, tão poderosa quanto.&lt;br /&gt;Se Joe Louis, com a carreira que teve, precisava ter se exposto a isso, é a pergunta que não cala. Lutar boxe deve ser difícil. Dedicar seu tempo e sua vida a isso. Deixar de lutar boxe é ainda pior. Em que dedicar sua vida e seu tempo? Joe Louis tentou parar. Ezzrard teria sido o último, mas o boxe tem lá suas nuances. Se Louis vencesse, a sua carreira, tão gloriosa, seria encerrada do modo mais nobre que qualquer pugilista poderia sonhar. Acho que mesmo tendo perdido, não foi desonroso. Louis passou o bastão, e o fez em cima do ringue. Sucumbiu de um modo e tanto... Sim, foi um nocaute fortíssimo e que talvez Louis não merecesse. Lembrar daquele garoto negro, rápido como uma bala e preciso como nunca havia se visto até então. Ou imaginar o homem perturbado de alguns anos depois desta luta. E ver Louis caindo fora do ringue. Não, Louis não merecia um nocaute desse. Mas Marciano merecia conseguir esse nocaute. O rapaz mostrava naquele momento o surgimento de um dos socos mais poderosos do boxe. Marciano nunca perdeu uma luta, e nocateou quase todos que o enfrentaram. Joe Louis foi não só a catapulta física para essa carreira irretocável, mas acredito que tenha sido a psicológica também. Não foi atoa que Marciano disse a Louis depois da luta "eu sou seu fã", e nunca escondeu a ninguém que Louis havia sido o grande inspirador de sua carreira. Imagino a cabeça do jovem Marciano ao ter em seu campo de visão, num determinado segundo, Joe Louis em queda livre e o seu braço esticado, ainda tocando o rosto do ídolo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-1774364338843499071?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/1774364338843499071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=1774364338843499071&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1774364338843499071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1774364338843499071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/03/nocautes-histricos-marciano-x-louis_23.html' title='Nocautes Históricos: Marciano x Louis'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-1840777037619508681</id><published>2007-03-20T16:34:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:50.533-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Complexomania</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RgA4WhseM0I/AAAAAAAAAA8/XZVjuBBUBDk/s1600-h/oops.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RgA4WhseM0I/AAAAAAAAAA8/XZVjuBBUBDk/s320/oops.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5044093542308131650" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi uma luta e tanto, mas tenho que confessar, ele era mais forte que eu. Me deu uma chave de braço e me imobilizou por alguns minutos. Mais minutos do que eu previra. Mas não foi culpa minha, aquele travesseiro era campeão mundial de judô. Agora, ou eu corria, derrubava tudo, ficava suado e esbaforido, ou me conformava de encarar o pessoal que faz hora extra. Não sei o que era pior. Pensando bem, é melhor correr, a noite é muito mais aproveitável do que a manhã, já que a finalidade máxima da manhã é suprimida - dormir. Além do mais, eu ainda tenho mais duas horas de sono, que podem não ser tão confortáveis, mas já foram absorvidas pelo meu organismo. The magic bus. Oh, shit...The fuckin bus está completamente lotado... atrasado que estou, vai em pé mesmo, e fico sem os preciosos sonhos ambulantes, com o pescoço caindo em direção ao peito. Olho com um misto de inveja e ódio praqueles inúteis babando nas janelas. Pra melhorar, um carro enguiçou na frente e eu estava do lado que bate sol. Se me arrancassem um pedaço de carne, era só servir, caso o cliente gostasse do bife bem passado. Tudo bem.. cheguei, cheguei... agora é só tomar um café e me acalmar. Café, cade o café? Ah, acabou pó.. De onde está vindo esse pó, da Colômbia?. Café, café, café. ufff.. queimei a língua.. mas também, quase uma hora esperando, já estava amassando papel pra me controlar.. agora minha língua parece uma lixa. Vou descer e fumar, que ganho mais. Esse elevador deve estar enguiçado, nem se ele estivesse no inferno demoraria tanto pra subir. Vamos nessa porra de escada escura mesmo. Ai meu pé, ai meu joelho, ai minhas costas. Pronto, momento de relaxamento. Uai.. cadê? Claro, se eu saio correndo de casa eu sempre esqueço algo. No cigarretes. "Tem cigarro aí?" "Só do paraguai, moço". Vai, ve uns dois picados aí pra mim. Puta merda.. melhor ficar sem fumar por hoje.&lt;br /&gt;Meio dia, não comi nada de manhã, vou logo matar essa fome que me mata (que criatividade). Nossa, será que morreu alguém no restaurante, que fila é essa? "convênio com o seminário - Empreendedores de sucesso". Ah, claro. Aspirantes a "sou o orgulho de papai" e "vou ser amante de executivo" entupiram tudo com suas fomes bem educadas. Vai no churrasco grego mesmo, que não tenho o dia todo..&lt;br /&gt;Putz, que sono infernal.. tá vazio aqui hoje, acho que se eu tirar um cochilo não tem nada. ZZZzzzzZZZZZZZzzzzzzzZZZZZZZZZZzzzzzzzzZZZZZZZZ. "Sim, estamos prosperando, você aí do canto por exemplo, me mostre aqueles números do setor". Han.. onde estou, quem sou eu, quem é você? Ah, você é o presidente. Humm.. números? É.. aproximadamente quatro quintos de um total líquido da média equivalente ao quadro geral das exportações, são representados pelos setores que representamos. Bom, pela cara do homem acho que não fui tão mal. Ah, vieram me avisar que ele quer falar comigo amanhã.&lt;br /&gt;Por hoje, chega, hora de ir embora, estou esgotado. Agora eu durmo um pouco, se o ônibus estiver vazio.. O que, não tem ônibus? Greve? Tá, quer saber vou de taxi, pelo menos tem uns bancos confortáveis e conseguirei dormir demais. Uahhh, que sono.. 5 reais.. agora eu durmo... 10 reais... melhor relaxar... 25 reais. Caramba, cinquenta dinheiros. Ótimo, fiquei sem sono e sem grana. Vou tomar uma cerveja, já que está tudo fodido mesmo. Aqui parece bom.. pessoal sossegado. "Mas essa política é uma vergonha, não fazem nada, tem que ter pena de morte no Brasil, não é não, moço?". "É complicado". O único jeito de não concordar com isso e ao mesmo tempo não arrumar uma discussão com o bar inteiro. "Ah, mas se eu tenho uma fazenda e aqueles vagabundos sem-terra aparecem lá, eu meto bala também, o cara tá certo". Chega, é demais pra mim. Vou pra casa, tomo um banho, durmo e esqueço o mundo. Shock. Que barulho é esse? Que água fria dos infernos... ah, o chuveiro. Queimou. Tomar banho frio mesmo.. justo agora que a tosse está acabando. Ah, eu tenho que ligar pra Vilma, faz três dias que não falo com ela, vai me matar. "Não, querido, não vou te matar, simplesmente arranjei outro. Tchauzinho". E pensar que eu sumi porque fiquei a semana toda pintando essa porcaria e os caras já pixaram tudo. "Quem pintou esse muro é um filho da puta". Valeu, amigos. Ah, tá na hora de dormir. Humm.. que barulho é esse? Deve ser uma barata, ou um rato. Levanto ou me finjo de morto? Ah, dane-se, estou com sono. O que é isso subindo na minha perna????&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-1840777037619508681?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/1840777037619508681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=1840777037619508681&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1840777037619508681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/1840777037619508681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/03/complexomania.html' title='Complexomania'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RgA4WhseM0I/AAAAAAAAAA8/XZVjuBBUBDk/s72-c/oops.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3584544827707457847</id><published>2007-03-19T18:33:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:50.724-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>O último pecado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rf8B5c8Y3oI/AAAAAAAAAAw/4pPXtLTuE0s/s1600-h/45874.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rf8B5c8Y3oI/AAAAAAAAAAw/4pPXtLTuE0s/s400/45874.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5043752194211896962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Criado a partir do último parágrafo do texto de Camus, O Donjuanismo - &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;http://filosofocamus.sites.uol.com.br/camus_don_juan.htm )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sinto mais tua carne&lt;br /&gt;nem teu cheiro&lt;br /&gt;ou seu rosto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os rostos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um repouso&lt;br /&gt;muito além&lt;br /&gt;do horizonte que cerca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Essa fresta&lt;br /&gt;- Minha fuga -&lt;br /&gt;expande meu campo&lt;br /&gt;da visão ao pensamento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestas árvores tortas&lt;br /&gt;Nestas pedras curvadas&lt;br /&gt;que não tangem o céu&lt;br /&gt;Reles, baixas&lt;br /&gt;cala-se a sutil beleza da colina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essa fresta&lt;br /&gt;- mínima -&lt;br /&gt;em que o silêncio&lt;br /&gt;gira em redemoinhos&lt;br /&gt;passa o vento&lt;br /&gt;que move meus cabelos&lt;br /&gt;E que te afasta daqui&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solidão&lt;br /&gt;não é o incômodo&lt;br /&gt;Apenas a...&lt;br /&gt;Continuidade natural do ser&lt;br /&gt;Não existe mais o tempo&lt;br /&gt;nem os sinais&lt;br /&gt;Apenas a sensação&lt;br /&gt;tão somente, na carne&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada ficou pra trás&lt;br /&gt;por esquecimento&lt;br /&gt;O cruel propósito deste ato&lt;br /&gt;A construção física da razão&lt;br /&gt;Efemeridades discutíveis&lt;br /&gt;e absolutas&lt;br /&gt;Salvo a memorialidade&lt;br /&gt;que persiste no encalço&lt;br /&gt;de uns poucos&lt;br /&gt;deslavadamente cheios de alma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a linha do horizonte&lt;br /&gt;nada, além&lt;br /&gt;do horizonte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calor insaciável&lt;br /&gt;desta época do ano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que me julguem&lt;br /&gt;que condenem&lt;br /&gt;O que me resta nunca passará&lt;br /&gt;pela colina&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3584544827707457847?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3584544827707457847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3584544827707457847&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3584544827707457847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3584544827707457847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/03/o-ltimo-pecado_1084.html' title='O último pecado'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/Rf8B5c8Y3oI/AAAAAAAAAAw/4pPXtLTuE0s/s72-c/45874.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4470667204420423956</id><published>2007-03-15T15:52:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:50.908-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colagens'/><title type='text'>Doodsangst</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RfmYn2VuIWI/AAAAAAAAAAc/5Hkat4SDQYE/s1600-h/fire_girl_lg.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RfmYn2VuIWI/AAAAAAAAAAc/5Hkat4SDQYE/s400/fire_girl_lg.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042229068186919266" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANGUISH (uncountable)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 1. Extreme pain, either of body or mind; excruciating distress.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quotations&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  A terrible scream—a prolonged yell of horror and anguish—burst out of the silence of the moor. That frightful cry turned the blood to ice in my veins.&lt;br /&gt;  Sir Arthur Conan Doyle in The Hound of the Baskervilles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Synonyms&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  * agony&lt;br /&gt;  * calvary&lt;br /&gt;  * cross&lt;br /&gt;  * pang&lt;br /&gt;  * torture&lt;br /&gt;  * torment&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Translations&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  * Finnish: kärsimys, tuska&lt;br /&gt;  * French: angoisse de la mort, affres de la mort, calvaire, croix&lt;br /&gt;  * German: Kreuz, Agonie, Todesangst&lt;br /&gt;  * Hungarian: aggodalom, gyötrelem, gyötrődés, kín&lt;br /&gt;  * Italian: angoscia mortale, agonia, calvario, croce&lt;br /&gt;  * Dutch: doodsangst, agonie, doodsstrijd, hevig lijden, martelgang&lt;br /&gt;  * Spanish: angustia&lt;br /&gt;  * Russian: му́ка f&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4470667204420423956?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4470667204420423956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4470667204420423956&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4470667204420423956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4470667204420423956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/03/doodsangst.html' title='Doodsangst'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RfmYn2VuIWI/AAAAAAAAAAc/5Hkat4SDQYE/s72-c/fire_girl_lg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-8424024869678081828</id><published>2007-03-13T11:45:00.000-03:00</published><updated>2007-03-26T18:18:10.065-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Chiados intermináveis</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.kidscornerbrazil.com/content/people1_files/homem%20e%20cavalo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 305px; height: 315px;" src="http://www.kidscornerbrazil.com/content/people1_files/homem%20e%20cavalo.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Entre o grito&lt;br /&gt;e a gruta&lt;br /&gt;fico preso&lt;br /&gt;no mato&lt;br /&gt;quando toca&lt;br /&gt;no boteco&lt;br /&gt;a tristeza&lt;br /&gt;que me trava&lt;br /&gt;a atenção&lt;br /&gt;e o tato&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-8424024869678081828?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/8424024869678081828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=8424024869678081828&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8424024869678081828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/8424024869678081828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/03/chiados-interminveis.html' title='Chiados intermináveis'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-626881018126634063</id><published>2007-03-11T22:14:00.000-03:00</published><updated>2007-03-26T18:20:46.140-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amorfos'/><title type='text'>Destinos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www2.uol.com.br/teojose/i/dr2503.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px;" src="http://www2.uol.com.br/teojose/i/dr2503.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era do MST e agora dirige caminhões a 200 por hora.&lt;br /&gt;Estão aí duas coisas legais de se fazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-626881018126634063?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/626881018126634063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=626881018126634063&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/626881018126634063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/626881018126634063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/03/destinos.html' title='Destinos'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-4397054719907159593</id><published>2007-03-08T16:43:00.000-03:00</published><updated>2007-03-26T18:22:47.134-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relatos'/><title type='text'>A night like this</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://amandarin.typepad.com/photos/photo_friday/distorted.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://amandarin.typepad.com/photos/photo_friday/distorted.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O atraso já era esperado, isso nao me afligia em nada. Uma, duas, três, ou quatro horas. Era tão pouco pelo tanto já que havia esperado. Além do mais, sempre achei o aeroporto um local agradável. Bem arejado, cores claras, banheiros limpos. E eu estava acompanhado de Camus e algumas revistas que me entretiam bastante. Ou seja, essa espera foi calma e destensionada. Vez ou outra ia até o painel. Atrasado. Previsão, 20:40. Previsão, 20:50. Previsão 21:00. Previsão 20:50 de novo. Até aí, tudo bem. Às 20:30 veio o frio de seis meses na barriga. Não era medo, não tinha medo de nada. Sabia quase exatamente o que encontraria. Era aquele frio sem explicação, que por mais que esteja preparado, vai sentir. 20:45 o avião estava no solo, dizia o painel. Esses 15 min demoraram mais a passar do que as 4 horas de atraso do vôo, ou os 6 meses de espera para ve-la. "será que é aquela loira? Não, o cabelo dela está castanho"... "Será aquela ali? Não, acho que ela nao chegaria abraçada com um cara". "E aquela outra? Nao, acho que ela nao pesa 90kg". Resumindo, por mais que a conhecesse, todo mundo parecia poder ser ela, embora eu soubesse que não era. Senta, levanta, vai no banheiro de novo. Soube que a mala dela demorou. Pensei de tudo, inclusive "ela esta fazendo charme, ou se arrependeu e nao vai sair". Finalmente, vejo alguem no celular, provavelmente tentando me ligar. Ensaiei, durante as 4 horas que esperei, algumas piadinhas e frases praquele momento. Obviamente nao consegui falar sequer uma, maravilhado e meio bobo que fiquei de ve-la pessoalmente. Quando você fala tanto com alguem, às vezes realmente dá a impressao de que essa pessoa não existe em carne e osso. Para minha sorte, existia. O abraço que nos demos, pelo menos da minha parte, quebrou qualquer gelo. Que aliás não existia, já a conhecia tanto que só a carne nao mudaria tanta coisa (embora ainda nao saiba o que ela faria se eu fosse manco, vesgo ou babasse).&lt;br /&gt;Imaginava que ela estaria irritada, afinal foram 4 horas de atraso. Ela nao estava irritada. Estava MUITO irritada. Pegamos o taxi e uma das primeiras frases dela numa conversa corrente foi "isso é bom pra eu nao viajar nunca mais". Sim, um tiro no peito. Uma facada na jugular. Mas eu nao podia mostrar insegurança nem ser meloso nos primeiros dez minutos na presença dela. Era compreensível, ela estava nervosa, ficou o dia todo tomando chá de cadeira, e tudo por minha culpa. É verdade, ela tinha razão... era muito egoísmo querer que ela falasse que tudo valeu a pena e que nem tinha reparado no atraso. Que estava louca pra voltar novamente assim que pudesse, mesmo com um atraso maior. Só me pareceu mais feliz quando eu disse que ela era muito alta. Começaram algumas piadinhas, e ficou tudo mais ameno. Afinal, quer ver o sorriso de uma garota, faça um elogio (só não seja falso, elas tem uma intuição canalha). E era tão fácil encontrar qualidades nela, que eu só seria falso se fosse um mentiroso compulsivo.&lt;br /&gt;Chegamos em casa. Apesar de ser tudo meio novo, para ambos, não havia nenhuma exitação. Coloque a mala aqui, tome logo um banho, estou fazendo a comida, prove aqui. "Hummm.. você colocou açúcar no macarrão". Faço macarrão a mais ou menos quatro anos, e nunca coloquei açúcar no macarrão. Claro que tinha que acontecer justo agora quando tentava impressioná-la com meus dotes culinários. Tudo bem, acabou virando piada. Esperava que ela comesse mais. A culpa foi do açúcar, tenho certeza. O hamburger também estava meio queimado. Desastrado inútil. Mas ela ali, tão perto de mim, sentada na mesa com um ar angelical, como eu ia prestar atenção em panelas? Era pedir demais, convenhamos.  Ainda era tão cedo, pelo menos pra mim. Mas ela morria de sono. A minha vontade era proibi-la de dormir, mas sensibilizado com aqueles bocejos de 5 em 5 s, arrumei a cama dela, e levei o meu colchão pra outro lugar. Dei boa noite, fechei a porta do quarto, e fiquei na sala, pensando. Deitei, tentei dormir. Era absolutamente impossível. Eu já amava essa mulher, mesmo pessoalmente tendo acabado de conhece-la. Já a conhecia há decadas, milênios, séculos. Já havia nascido conhecendo-a. Sim, era o que eu sentia. E que precisava da presença dela. Que nao me conformava de depois de tanto tempo separados por milhares de quilômetros de terra, asfalto, prédios, rios, agora estarmos separados somente por uma parede, mas ainda assim, separados. Entretanto, ela dormia. Ela dormia e renovava seu corpo. Talvez já estivesse até sonhando. Eu me sentia ainda mais sozinho, com ela tão perto, pois agora a única coisa que me aliviaria seria, no mínimo, um contato visual. Sim, queria tudo, e um pouco mais. Quem sabe amanhã. Quem sabe? Talvez ela soubesse tudo que aconteceria. Talvez tivesse tudo planejado. Talvez eu estivesse paranóico, só isso. No fundo eu sentia que seriam dias guardados para o resto dos meus dias, que não havia o que temer. Se não pude estar mais perto na primeira noite, peguei no sono sentindo o seu cheiro, o que me fez sonhar com ela a noite toda.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-4397054719907159593?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/4397054719907159593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=4397054719907159593&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4397054719907159593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/4397054719907159593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/03/night-like-this.html' title='A night like this'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3337411377444671254</id><published>2007-03-07T09:47:00.002-03:00</published><updated>2007-03-26T18:14:43.040-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nocautes históricos'/><title type='text'>Nocautes Históricos</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/0RAS4HB8s9k"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/0RAS4HB8s9k" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O nocaute mais inesquecível de todos os tempos. Não por ser o mais bonito, ou o mais destruidor, mas pelo modo como se deu, e por ter sido em uma das lutas mais esperadas do século.&lt;br /&gt;Se não me falha a memória (e tenho preguiça de pesquisar), George Foreman havia acabado de destroçar Joe Frazier, que por sua vez tinha ganhado de Muhammad Ali numa luta emocionante. Foreman parecia indestrutível, era o atual campeão (não me lembro de qual Federação, acho que tinha unificado os 3 títulos). Ali podia estar entrando em decadência. Quem vencesse essa luta definitivamente entraria para a história, no mínimo como o melhor lutador da década. Ali entrou, como o maior de todos os tempos (sim, há quem discorde... é difícil comparar lutadores de diferentes épocas). Foreman se aposentou (20 anos depois voltou e foi o mais velho campeão mundial dos Pesados). &lt;br /&gt;Depois de apanhar 7 rounds consecutivos, Ali derruba Foreman em trinta segundos. Foreman deu tantos socos que ficou exausto, cairia até com um soco meu. Ali se guardou e bateu na hora certa.&lt;br /&gt;Reparem que nessa época Foreman não precisava do Grill pra manter a forma (Foreman, forma..). Ali, como sempre, com um físico razoável (se comparado a outros como o próprio Foreman, Tyson, Holyfield, Lewis).&lt;br /&gt;Mas se Foreman tinha a força de uns 3 homens, Ali tinha a inteligência de uns 5. Deu no que deu.&lt;br /&gt;Como disse o próprio Ali sobre como lutava boxe: “Flutuar como uma borboleta, picar como uma abelha”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Foreman é o de vermelho, Ali o de branco.&lt;br /&gt;* A narração também é um espetáculo a parte&lt;br /&gt;* A luta foi no Zaire, pra quem acham que era a torcida? Muhammad Ali ou George Foreman (só pelos nomes ficou fácil)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Uma questão contraditória me surgiu agora. Sempre gostei de boxe pela possibilidade de conquistar o mundo com o corpo, com a força.. agora defendo a inteligência do Ali.. estou confuso. Talvez a questão seja usar a força, mas com sabedoria, o que Ali fez) .&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37832961-3337411377444671254?l=lovelessknife.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lovelessknife.blogspot.com/feeds/3337411377444671254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37832961&amp;postID=3337411377444671254&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3337411377444671254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37832961/posts/default/3337411377444671254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lovelessknife.blogspot.com/2007/03/nocautes-histricos_871.html' title='Nocautes Históricos'/><author><name>Fabio Farias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09032722862345317747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.knifemakersdatabase.com/CustomKnivesGalleries/CustomKnives/CustomKnivesPolk/BowieKnifePolkCompetition3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37832961.post-3601576215117356625</id><published>2007-03-05T10:08:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T15:09:51.152-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contismo'/><title type='text'>Histórias do cais</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RexOd9-QtUI/AAAAAAAAAAU/ifqpb1OT-0U/s1600-h/Lipari-le-port.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_B3XSmOPnMvM/RexOd9-QtUI/AAAAAAAAAAU/ifqpb1OT-0U/s400/Lipari-le-port.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5038488359879619906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os sobreviventes chegaram ao porto com cara de mortos. A noite era fria e desagradável. Definitivamente uma noite para se dormir, e nada mais. Já havia passado o momento do medo, a vontade irracional de uma fuga, nem que fosse ao inferno. Agora o frio poderia congelar qualquer sentimento, por mais doloroso que fosse. Era o que se lia nos rostos crispados, ao descer em meio a uma névoa, e não ser recebido por ninguém, além de quem era obrigado a estar ali. Pareciam incomodados e incomodando. Aliás, não existia o plural. Apesar de tudo que tinham em comum, eram agora separados uns dos outros por eles mesmos. Olhavam invariavelmente para baixo, com rápidos soslaios quando alguma ou outra voz se erguia, geralmente recomendações sobre a direção a seguirem.&lt;br /&gt;Olhando de um banco esquecido no cais, fumando um resto de maço furtado de um bêbado desatencioso, sentindo o mesmo frio, pude ficar toda a noite pensando sobre aqueles estrangeiros. Eram muitos, mas como eu era só um,  poucos me chamaram a atenção... talvez apenas as situaçãoes mais fáceis. Logo na frente, e claramente afoitos, um jovem casal. Não tinham filhos, provavelmente eram namorados ou recém casados. Acredito que recém casados, senão viriam com os pais ou alguém da família. O jovem rapaz estava sempre um passo a frente, puxando com um pouco de força sua companheira. Imagino a quantos dias ele deseja estar a sós com ela. Ter um teto e paredes. Poder despi-la sem temer que centenas de olhos a desejassem. Sentir o calor de seu corpo a confortá-la numa noite fria como esta. Ir dormir prostrado de um confortável cansaço de êxtase carnal. Acordar com um beijo quente no rosto, abraçando-a para se livrar do sono. Provavelmente não pensava em nada além desta noite (será que hoje?) em que estariam sós. Vez ou outra tinham de parar por alguma ordem, olhava então docemente para ela, deixava de lado a pressa, admirava a escolha que tinha feito. Passava suavemente a mão sobre seus cabelos, acariciava sua nuca. Ela dava um sorriso sem graça, curvando a cabeça e apoiando-se no ombro dele. Apesar de tudo, como dizer que não eram felizes? Não poderia haver sequer medo do futuro, tudo que os impedia de se amarem como e quando quisessem havia ficado para trás.&lt;br /&gt;Quase no fim da fila, acuada e com uma expressão desprotegida, uma mãe segurava seu filho pelo braço. Posso apostar, viúva. O corpo e as últimas lembranças do marido ficaram perdidos numa terra em que talvez ela nunca volte. O único elo entre os dois agora deve ser uma pequena foto desbotada, guardada com carinho em algum canto escondido de suas malas, e a criança. O que o pequenino estaria pensando? Acredito que em algo como "o que será que fazem as crianças neste lugar?". Se fosse um pouco mais precoce e sensível, talvez estivesse  preocupado com a mãe. Ela carregava duas grandes malas com uma mão, enquanto a criança levava apenas uma mala pequenina, algo parecido com uma lancheira. Olhava sempre para cima, como que questionando sobre o que aconteceria agora. Ela mexia os lábios e parecia acariciar o braço dele. O gesto dizia muito: tudo ficará bem, querido. Um pouco adiante, uns homens pararam bruscamente, e a criança chocou-se levemente contra um deles. A mãe teve um impulso de avançar, mas quando o homem se virou, ela recuou, e disse apenas algumas palavras que ele não deu atenção. Largou por uns intantes a mala, apertou ainda mais forte o braço do filho, e creio que tenha chorado, ou pelo menos segurado o choro na garganta. Com certeza sentia-se humilhada, e maldizia-se pelo marido que não estava ali para protege-la. Sobre aqueles homens que andavam solitários e ao mesmo tempo em bando, deram sorrisos tão vis que me nego a pensar sobre eles. S
